Óleo, Lubrificantes e Graxa

Óleos grupos 2 e 3 – Superoferta de vão forçar qualidade do produto final

Marcelo Furtado
21 de maio de 2014
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    A diferença na sua previsão, de acordo com Silva, se deve a fatores importantes não levados em conta pelas consultorias internacionais: os aumentos dos intervalos de troca de lubrificantes (na Europa e Estados Unidos há óleos de motores prescritos para 20 mil km)  e aumento das aplicações fill for life. “Isso nos faz crer que haverá um excesso potencial na oferta de lubrificantes de mais de 10 milhões de toneladas/ano”, disse.

    Efeito no Brasil – Esse cenário, voltando-se para o mercado brasileiro, tem um efeito muito provável. Os grandes produtores de óleos básicos devem intensificar as vendas para o Brasil, assim como para demais países dos BRICs, já que na Europa, para onde essas unidades construídas na Ásia e no Oriente Médio visavam em um primeiro momento, a tendência é de diminuição de uso de lubrificantes. Daí a grande probabilidade de aumento de produção de lubrificantes melhores no Brasil, onde há apenas produção pela Petrobras de óleos grupo 1, ainda muito utilizados por aqui apesar de a importação dos grupos 2 e 3 crescerem para atender formulações de óleos sintéticos e semi-sintéticos.

    De quebra, o que também pela lógica deve ocorrer é não se justificar o prometido investimento da estatal petroleira em fazer uma planta de óleo básico grupo 2 no Comperj, que estava planejada para 2016, também paralela à produção de diesel limpo. “O melhor seria a empresa fazer apenas um upgrade na produção do grupo 1 da Reduc, fazendo uma planta híbrida, na qual a geração de subprodutos como o TDAE e o brightstock continuariam, e onde se poderia escoar o grupo 1 para lubrificantes industriais e automotivos de pior qualidade”, opinou o consultor. Vale acrescentar que hoje a Petrobras importa óleo básico grupo 2 da Chevron e o vende no mercado local a preço de grupo 1.

    O escoamento desse excedente atenderia à crescente demanda dos produtores de lubrificantes instalados no Brasil, que hoje já consomem por ano cerca de 500 mil t importadas de óleos básicos dos grupos 2 e 3. E principalmente porque a produção local tem potencial de crescimento maior do que nos países desenvolvidos, sobretudo em produtos de maior valor agregado, por estar um pouco atrasada tecnologicamente nas formulações, sobretudo as automotivas.

    Além disso, de acordo com estudo da consultoria IHS sobre lubrificantes no Brasil, a demanda por consumo na área automotiva tem potencial grande por um motivo específico: a taxa de motorização    do país é baixa, de 5 pessoas por carro, com tendência de aumento. Segundo o responsável pelo estudo, Stefan Mueller, em cinco anos a taxa cairá para 4 pessoas/carro e, em dez anos, baixará para 3.3 a 3.5/carro.

    Química e Derivados, Passalacqua: consumo foi 7% maior no Brasil em 2013

    Passalacqua: consumo foi 7% maior no Brasil em 2013

    Consumo nacional cresce – Com produção de 1,520 bilhão de litros de lubrificantes em 2013, os fabricantes nacionais mantiveram crescimento ligeiramente superior ao PIB entre 2008 e 2012, em cerca de 3% ao ano, segundo revelou Giancarlo Passalacqua, o gerente de lubrificantes do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), que reúne as nove principais produtoras responsáveis por 84% do mercado nacional.

    E o panorama deve ser ainda mais atrativo para escoar o excedente de óleos básicos para o Brasil. Em 2013, houve uma melhoria repentina de desempenho, com acréscimo de 7% no consumo de lubrificantes. Segundo Passalacqua, as prováveis razões foram o crescimento da frota automotiva, a grande expansão da produção agrícola no Centro-Oeste, que demandou maiores volumes dos lubrificantes para veículos pesados (HDMO, heavy duty motor oil), como caminhões e tratores e obras em construção civil. “A vantagem do mercado é ele ter várias motivações de crescimento, em praticamente todos os setores da economia, que precisam de máquinas e transportes”, disse.

    A estimativa do desempenho pode ser ainda melhor quando vista sob a ótica dos pequenos produtores, que se organizam no Sindicato Interestadual das Indústrias Misturadoras e Envasilhadoras de Produtos Derivados de Petróleo (Simepetro), com 48 associados, e por mais cerca de 80 formuladores independentes, que compõem os 16% restantes do mercado total de lubrificantes. De acordo com o presidente do Simepetro, Carlos Ristum, em 2013 houve aumento de 11% nas vendas para o mercado de lubrificação industrial e de 9% para o automotivo.

    O resultado, para Ristum, além de ter sido considerável, levando em conta o crescimento pífio do PIB, também é relevante em razão do momento de adaptação do setor à nova e exigente resolução da ANP, de número 18, de 2009, que vem fazendo as empresas investirem muito para se adequarem. A resolução obriga as empresas a adotarem várias medidas de segurança, investirem em tanques, equipamentos, laboratórios e em controle de qualidade. “O investimento, obrigatório para todos os produtores, afeta os pequenos e médios, que muitas vezes não têm capital para suportar. Muitos devem sucumbir no curto e médio prazo. A expectativa pessimista é que sobrem apenas 35 empresas e a otimista, por volta de 70”, afirmou Claudio Pereira da Silva, da Lubekem.



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