Óleo, Lubrificantes e Graxa

Óleos grupos 2 e 3 – Superoferta de vão forçar qualidade do produto final

Marcelo Furtado
21 de Maio de 2014
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    Lubrificantes – Superoferta de óleos grupos 2 e 3 vão forçar qualidade do produto final

    Química e Derivados, Lubrificantes: Superoferta de óleos grupos 2 e 3 vão forçar qualidade do produto final

    O lubrificante consumido no Brasil, principalmente na sua principal aplicação, a automotiva, responsável por cerca de 60% do mercado, mas também no uso industrial, que fica com o resto da demanda, tem melhorado muito sua qualidade nos últimos anos e deve passar por mudanças ainda maiores no médio e longo prazo.

    Química e Derivados, Tabela: Comercialização de óleo lubrificante acabado (milhões m3)

    Comercialização de óleo lubrificante acabado (milhões m3)

    O otimismo não tem a ver apenas com o já batido discurso de aumento de exigências ambientais de governos e de melhoria de desempenho de montadoras, que querem lubrificantes mais eficientes para atender metas de redução de emissões e de incremento de vida útil dos óleos básicos aditivados. A questão mais de fundo é econômica, como ocorre quase sempre na história da humanidade, e tem a ver com o cenário global da principal matéria-prima do lubrificante: o óleo básico, cuja classificação da API vai de 1 a 5, em ordem crescente de qualidade.

    O mercado mundial de óleo básico está no meio de um processo chamado pelos especialistas como movimento em cardume, em que vários produtores resolvem investir em um mesmo insumo ao mesmo tempo, criando um cenário de superoferta. Foi o que ocorreu com os óleos básicos dos grupos 2 até o grupo 5, movimento que deve acrescentar uma capacidade de até mais 10 milhões de toneladas do grupo 2 e 3, principalmente, mas também dos 4 e 5, em menor escala, até 2020. A consequência é lógica: o preço dos óleos está despencando e facilitando a formulação de lubrificantes de melhor desempenho, sobretudo dos mais abundantes e de maior uso, dos grupos 2 e 3, capazes de integrar formulações de semissintéticos no primeiro caso e de sintéticos no segundo.

    Química e Derivados, Silva: novas unidades vão elevar a produção a mais de 10 milhões t/ano

    Silva: novas unidades vão elevar a produção a mais de 10 milhões t/ano

    Segundo Claudio Pereira da Silva, diretor da Lubekem Consultoria, o movimento em cardume começou entre 2010 e 2011, quando novas unidades no mundo acrescentaram 3,2 milhões de t/ano dos grupos 2 e 3. O fenômeno – que remete à manifestação da ictiofauna ao seguir o mesmo rumo de forma instintiva – se explicava na época pelo fato de as margens dos dois grupos serem em média de US$ 250/t maiores do que as do óleo mineral de grupo 1, caso do grupo 2, ou até US$ 500/t a mais quando comparados ao grupo 3.

    “Além disso, como os produtores naquele momento estavam investindo em plantas de hidrocraqueamento para produção de diesel mais limpo, livre de enxofre, usavam a sobra de colunas para incluir no investimento plantas dos óleos básicos”, disse. O que não foi previsto, porém, é o movimento em cardume – por natureza mais instintivo do que racional – derrubar de forma tão abrupta o preço dos óleos de melhor qualidade. Hoje praticamente eles têm o mesmo valor do grupo 1, com pequenas diferenças que não ultrapassam os US$ 20 por tonelada.

    E a movimentação, mesmo tendo provocado esse efeito, não deve parar. Segundo levantamento da Lubekem, o aumento da capacidade de produção de óleos básicos grupos 2 e 3 previsto para entrar em operação entre 2013 e 2016 totaliza mais de 6,3 milhões de toneladas/ano. “Será um verdadeiro tsunami de oferta”, alerta Silva. Isso significa que, considerando somente os novos projetos de óleos básicos, entre 2011 e 2016 o aumento da capacidade de produção é equivalente a mais de 30% da demanda mundial de lubrificantes.

    A superoferta, a maior parte dela em um primeiro momento para atender o mercado europeu, aponta Silva, tem sido vista como “insana” por boa parte dos analistas do mercado. Isso porque as previsões de crescimento da demanda para os próximos anos são bem abaixo dos aumentos da capacidade. “A maioria dos consultores aponta para um crescimento da demanda mundial de lubrificantes em torno de 1% ao ano, ou aproximadamente mais 3,5 milhões de toneladas, entre 2011 e 2020”, disse.

    Segundo a estimativa da Lubekem, porém, o cenário será ainda mais gritante. O aumento da capacidade mundial de óleos básicos entre 2011 e 2020 equivalerá à produção de mais de 12 milhões de toneladas/ano de lubrificantes, incluindo não somente as novas capacidades em óleos básicos 1 e 2, como também aumentos na capacidade de produção de óleos básicos rerrefinados, de gupos 4 e 5. No mesmo período, para a consultoria, o acréscimo na demanda mundial de lubrificantes deverá ser por volta de 2 milhões de toneladas/ano.


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