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2 de Abril de 2004

Oleoquímica: Agropalma começa a produzir biodiesel com óleo de palma

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Publicado por: Rose de Moraes
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    O grupo Agropalma, maior produtor de óleo de alma da América Latina, prepara-se para dar início no final deste ano à produção de 8 milhões de litros/ano de biodiesel de palma. O novo combustível, a ser fabricado a partir dos ácidos graxos residuais do refino do óleo de palma, submetidos a esterificação, terá custo equivalente ao do diesel convencional, derivado do petróleo, e alimentará geradores, caldeiras, tratores e caminhões, propiciando economia de R$ 1,8 milhão nas despesas atuais com diesel, além da venda dos volumes excedentes.

    Química e Derivados: Oleoquímica: Brito - custo será o mesmo do óleo obtido do petróleo. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Brito – custo será o mesmo do óleo obtido do petróleo.

    “Produzir biodiesel de palma com o mesmo custo do diesel é um acontecimento inédito em termos industriais”, considerou o diretor-comercial da Agropalma, Marcello Amaral Brito. “Além disso, daremos sustentabilidade total às nossas atividades, envolvendo desde o plantio de palmeiras e fabricação do óleo e derivados, até o reaproveitamento de cem por cento dos resíduos gerados”, acrescentou.

    Antes mesmo de entrar em produção, o Palmdiesel, como foi denominado o combustível renovável e não-poluente, já desperta interesse comercial em vários países. O Japão é um dos interessados na compra dos 5 milhões de litros remanescentes da produção, descontandos os 3 milhões de litros absorvidos pelo grupo.

    “A primeira grande vantagem é poder fabricar biodiesel a partir de resíduos, e não de óleo, evitando a formação de subprodutos, como a glicerina, tal qual ocorre em outros processos de produção de biodiesel a partir de soja, colza, mamona e sementes oleoginosas”, considerou Brito. A segunda grande vantagem relaciona-se com os custos de produção, inferiores aos dos biocombustíveis gerados por outras matrizes vegetais.

    Para construir em Belém-PA uma nova usina para o processamento do biodiesel de palma, a Agropalma investiu até agora R$ 3 milhões. “Nossa expectativa é participar do Programa Brasileiro de Biocombustíveis, o Probiodiesel, a ser regulamentado até o final deste ano. Acreditamos que um programa de tamanha envergadura não deva ser fixado em torno de uma única fonte de matéria-prima vegetal, e sim, leve em conta os vários recursos e características regionais existentes no País”, considerou Brito.

    O Palmdiesel foi desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além de não gerar glicerina, “o processo de produção de biodiesel de palma a partir da esterificação de ácidos graxos é muito mais atrativo economicamente do que o processo de produção por transesterificação”, considera o professor Donato Aranda, professor da UFRJ, coordenador do estudo que culminou no desenvolvimento do novo biocombustível. Para ele, isso é um dos fatores que contribuiram para que o Palmdiesel facilmente atendesse às especificações da portaria 255 da ANP, Agência Nacional do Petróleo e demais normas internacionais.”

    “Para produzir o biodiesel de palma, utilizamos um catalisador heterogêneo, ácido e reutilizável, que jamais forma sabão, ao contrário do processo de transesterificação convencional com catalisador básico, que é perdido a cada reação. Em conseqüência, temos um processo de produção muito mais limpo, com geração zero de rejeitos e menor custo operacional”, explicou.

    Comparado com o diesel convencional, o biodiesel de palma pode contribuir para a proteção atmosférica, reduzindo significativamente as emissões de enxofre, gases de efeito estufa e material particulado. Analisado sob o ângulo dos benefícios para os componentes mecânicos, o biodiesel, por ter maior lubricidade do que o diesel, pode proporcionar maior vida útil aos equipamentos e veículos nos quais for empregado.

    Devido à sua baixa insaturação, apresentando índice de iodo igual a 50, contra os 140 do óleo de soja, o biodiesel de palma é também considerado muito mais resistente à oxidação. Além disso, possui índice de cetano, parâmero para se avaliar a qualidade de queima, 45% maior do que o diesel convencional. Sua estabilidade frente à oxidação permite armazenagem por períodos maiores de tempo, gerando ainda queimas mais limpas.

    “O biodiesel de palma pode ser utilizado em qualquer veículo movido a diesel sem requerer adaptações, permitindo utilizações “flex-fuel”, alternadas entre diesel e biodiesel”, afirmou Aranda.

    Terra das palmeiras – O Brasil, poderia destacar-se mais perante as grandes potências produtoras de óleo de palma, como Malásia, Indonésia, Nigéria e Colômbia, ou pelo menos, reverter o déficit na balança comercial causado pela importação de 10 bilhões de litros de diesel ao ano, a contar com maiores incentivos à produção de biodiesel de várias fontes oleaginosas.

    Em se tratando da palma, o País concentra a maior área cultivável para plantio no mundo, mas só produz cerca de 125 mil toneladas/ano de óleo de palma, volume menor que 0,5% da produção mundial, estimada em 25 milhões de toneladas/ano.

    Embora seja pequena a produção local, a produtividade média da cultura é considerada imbatível. A palma pode gerar 5 mil litros de óleo por hectare plantado, enquanto a soja dá, apenas, 500 litros por hectare.

    No Brasil, a produção industrial de óleo de palma, iniciada na década de 70, cresce, lentamente, em torno de 10% ao ano, segundo Brito. “O País já chegou a importar 70 mil toneladas/ano para suprir os vários mercados consumidores, como o de margarinas e sabonetes, mas a competitividade brasileira é total, pois, além da disponibilidade de áreas adequadas ao plantio, os custos de produção são atrativos e nos possibilitam concorrer no mercado internacional”.


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