Oleoquímica: Agropalma começa a produzir biodiesel com óleo de palma

O grupo Agropalma, maior produtor de óleo de alma da América Latina, prepara-se para dar início no final deste ano à produção de 8 milhões de litros/ano de biodiesel de palma.

O novo combustível, a ser fabricado a partir dos ácidos graxos residuais do refino do óleo de palma, submetidos a esterificação, terá custo equivalente ao do diesel convencional, derivado do petróleo, e alimentará geradores, caldeiras, tratores e caminhões, propiciando economia de R$ 1,8 milhão nas despesas atuais com diesel, além da venda dos volumes excedentes.

“Produzir biodiesel de palma com o mesmo custo do diesel é um acontecimento inédito em termos industriais”, considerou o diretor-comercial da Agropalma, Marcello Amaral Brito.

“Além disso, daremos sustentabilidade total às nossas atividades, envolvendo desde o plantio de palmeiras e fabricação do óleo e derivados, até o reaproveitamento de cem por cento dos resíduos gerados”, acrescentou.

Antes mesmo de entrar em produção, o Palmdiesel, como foi denominado o combustível renovável e não-poluente, já desperta interesse comercial em vários países.

O Japão é um dos interessados na compra dos 5 milhões de litros remanescentes da produção, descontandos os 3 milhões de litros absorvidos pelo grupo.

“A primeira grande vantagem é poder fabricar biodiesel a partir de resíduos, e não de óleo, evitando a formação de subprodutos, como a glicerina, tal qual ocorre em outros processos de produção de biodiesel a partir de soja, colza, mamona e sementes oleoginosas”, considerou Brito.

A segunda grande vantagem relaciona-se com os custos de produção, inferiores aos dos biocombustíveis gerados por outras matrizes vegetais.

Para construir em Belém-PA uma nova usina para o processamento do biodiesel de palma, a Agropalma investiu até agora R$ 3 milhões.

Química e Derivados: Oleoquímica: Brito - custo será o mesmo do óleo obtido do petróleo. ©QD Foto - Cuca Jorge
Brito – custo será o mesmo do óleo obtido do petróleo.

“Nossa expectativa é participar do Programa Brasileiro de Biocombustíveis, o Probiodiesel, a ser regulamentado até o final deste ano. Acreditamos que um programa de tamanha envergadura não deva ser fixado em torno de uma única fonte de matéria-prima vegetal, e sim, leve em conta os vários recursos e características regionais existentes no País”, considerou Brito.

O Palmdiesel foi desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Além de não gerar glicerina, “o processo de produção de biodiesel de palma a partir da esterificação de ácidos graxos é muito mais atrativo economicamente do que o processo de produção por transesterificação”, considera o professor Donato Aranda, professor da UFRJ, coordenador do estudo que culminou no desenvolvimento do novo biocombustível.

Para ele, isso é um dos fatores que contribuiram para que o Palmdiesel facilmente atendesse às especificações da portaria 255 da ANP, Agência Nacional do Petróleo e demais normas internacionais.”

“Para produzir o biodiesel de palma, utilizamos um catalisador heterogêneo, ácido e reutilizável, que jamais forma sabão, ao contrário do processo de transesterificação convencional com catalisador básico, que é perdido a cada reação. Em conseqüência, temos um processo de produção muito mais limpo, com geração zero de rejeitos e menor custo operacional”, explicou.

Comparado com o diesel convencional, o biodiesel de palma pode contribuir para a proteção atmosférica, reduzindo significativamente as emissões de enxofre, gases de efeito estufa e material particulado.

Analisado sob o ângulo dos benefícios para os componentes mecânicos, o biodiesel, por ter maior lubricidade do que o diesel, pode proporcionar maior vida útil aos equipamentos e veículos nos quais for empregado.

Devido à sua baixa insaturação, apresentando índice de iodo igual a 50, contra os 140 do óleo de soja, o biodiesel de palma é também considerado muito mais resistente à oxidação.

Além disso, possui índice de cetano, parâmero para se avaliar a qualidade de queima, 45% maior do que o diesel convencional. Sua estabilidade frente à oxidação permite armazenagem por períodos maiores de tempo, gerando ainda queimas mais limpas.

“O biodiesel de palma pode ser utilizado em qualquer veículo movido a diesel sem requerer adaptações, permitindo utilizações “flex-fuel”, alternadas entre diesel e biodiesel”, afirmou Aranda.

Terra das palmeiras – O Brasil, poderia destacar-se mais perante as grandes potências produtoras de óleo de palma, como Malásia, Indonésia, Nigéria e Colômbia, ou pelo menos, reverter o déficit na balança comercial causado pela importação de 10 bilhões de litros de diesel ao ano, a contar com maiores incentivos à produção de biodiesel de várias fontes oleaginosas.

Em se tratando da palma, o País concentra a maior área cultivável para plantio no mundo, mas só produz cerca de 125 mil toneladas/ano de óleo de palma, volume menor que 0,5% da produção mundial, estimada em 25 milhões de toneladas/ano.

Embora seja pequena a produção local, a produtividade média da cultura é considerada imbatível. A palma pode gerar 5 mil litros de óleo por hectare plantado, enquanto a soja dá, apenas, 500 litros por hectare.

No Brasil, a produção industrial de óleo de palma, iniciada na década de 70, cresce, lentamente, em torno de 10% ao ano, segundo Brito.

“O País já chegou a importar 70 mil toneladas/ano para suprir os vários mercados consumidores, como o de margarinas e sabonetes, mas a competitividade brasileira é total, pois, além da disponibilidade de áreas adequadas ao plantio, os custos de produção são atrativos e nos possibilitam concorrer no mercado internacional”.

Um dos maiores atrativos para incentivar produções em maior escala está nas grandes extensões territoriais.

Só no Estado do Pará, existem cerca de 3 milhões de hectares adequados ao plantio, mas existem áreas propícias ao desenvolvimento de palmeiras também nos estados do Amapá, Roraima e no Amazonas, regiões altamente aptas, entre várias outras, consideradas semi-aptas, levando-se em conta a diversidade de microclimas existente em todo território brasileiro.

As palmeiras que nos dão os frutos da palma são da espécie Elaeis guineensis, propícias para se desenvolver em trópicos úmidos, faixas de terra que se estendem 10 graus ao Norte e também ao Sul da linha do Equador.

Para que cresçam frondosas, as palmeiras exigem condições climáticas específicas, com muita luminosidade, clima quente, com médias de temperatura nunca inferiores a 25° C, além de 2 mil mm de chuvas bem distribuídas durante todo o ano.

Poucos se dão conta de que o óleo de palma, popularmente conhecido como óleo de dendê, é o segundo mais consumido no mundo, posicionando-se apenas atrás do óleo de soja. Com volume de produção mundial de 17 milhões de toneladas/ano, esse óleo detém participação de 21% no mercado internacional, enquanto o de soja participa com 24%.

Seu principal foco de comercialização é direcionado ao setor alimentício. Composto de ácidos graxos saturados e insaturados, o óleo de palma pode ser fracionado de forma natural em frações de triglicerídeos com diferentes pontos de fusão, o que favorece sua utilização na fabricação de ampla variedade de alimentos, como margarinas, massas para sorvetes, achocolatados, gorduras para frituras, biscoitos, snacks, salgadinhos, batatas fritas, cereais matinais, coberturas, pães, entre outros.

“Desenvolvemos dezenas de formulações para alimentos, nosso maior mercado e para o qual destinamos 75% da nossa produção, mas também atendemos a vários outros setores, como químico, oleoquímico (tintas e vernizes), cosmético, de higiene pessoal, têxtil e siderurgia (laminação do aço), que empregam bases vegetais de palma”, afirmou Brito.

Considerado rica fonte de tocotrienóis, forma de vitamina E, o óleo de palma, composto dos ácidos palmítico e oléico, permite reduzir os níveis de colesterol, sendo totalmente isento de ácidos graxos na forma trans.

Na Europa, vários países já estão impondo limitações à presença de gorduras trans saturadas em alimentos. Na Alemanha, alimentos para gestantes e baby foods já são fabricados sem essas gorduras.

Mas, para inibir ainda mais seu consumo, outras exigências deverão surgir a partir de 2006 nos Estados Unidos onde o percentual de gorduras trans deverá ser obrigatoriamente informado nos rótulos de todos os alimentos industrializados, segundo determinação do FDA – Food and Drug Administration.

Até 2010, a Agropalma planeja alcançar volumes de produção em torno de 200 mil toneladas/ano, dobrando sua capacidade atual.

“Nossa meta é plantar palmeiras em mais 15 mil hectares de terra”, afirmou o diretor. Hoje, são mais de 5 milhões de palmeiras plantadas em 35 mil hectares.

Esse crescimento, porém, deverá ser obtido em parceria com cooperativas, programas de agricultura familiar e de assentamento, de modo a maior número de empregos e fixar a mão-de-obra nas áreas de plantio.

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