Óleo de Xisto – Combustíveis – Cresce o consumo do óleo de xisto no Brasil

Há uma tendência de utilização do óleo de xisto como combustível líquido. Embora ainda tenha uma participação pequena no mercado, em relação ao consumo do óleo combustível, o óleo de xisto apresenta perspectivas de uso industrial amplamente favoráveis, principalmente quando se busca eliminar problemas de contaminação no meio ambiente, além de reduzir custos.

Calcula-se que a economia final no processo varia de 12% a 20%, em comparação ao óleo combustível.

Química e Derivados: Combustíveis: Fernandes (esq.) e Freitas - mercado potencial pede investimentos para ampliar a oferta.
Fernandes (esq.) e Freitas – mercado potencial pede investimentos para ampliar a oferta.

Maior distribuidora privada do produto, a BetunelKoch registrou, em 2003, um incremento de 50% nesse negócio.

Para 2004, o superintendente da região Sudeste, Marcelo Augusto Fernandes, projeta crescer mais 50%. A empresa comercializa uma cota de 1.800 toneladas mês, adquirida da Petrobrás, que está sendo pressionada para aumentar a disponibilidade do produto.

Atualmente, na refinaria de São Mateus do Sul (Six), no Paraná, a única do país, a Petrobrás produz 16 mil t/mês. Nos últimos quatro anos, a estatal aumentou a oferta em 35% e acredita-se que é possível produzir mais, com a introdução de melhorias no processo industrial.

“O problema é que o óleo de xisto tem uma demanda maior do que a oferta”, afirma Fernandes.

O gerente de vendas da BetunelKoch, Alexandre Ferreira de Freitas, revela que a empresa conta com 90 clientes, dos mais diversificados setores, como indústrias de alimentação, farmacêuticas, cristaleiras e metalúrgicas.

Para ilustrar como, às vezes, é difícil suprir o mercado, ele conta que uma grande indústria de alimentos demonstrou interesse em adquirir 1.500 t/mês de óleo de xisto. Dado ao grande volume, ainda não foi possível enquadrar a operação. “Como a oferta é restrita, preferimos priorizar as indústrias em que o óleo de xisto representa uma solução e não apenas mais uma opção de combustível”, acrescenta Fernandes.

O Brasil abriga a segunda maior reserva de xisto do mundo, só inferior à dos Estados Unidos. Apenas a formação Irati, que se espalha pelos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul, conta com uma reserva medida equivalente a 2 bilhões de barris de óleo, 25 milhões de toneladas de gás liqüefeito e 68 bilhões de toneladas de gás combustível.

Através do desenvolvimento e consolidação de tecnologia própria, patenteada em diversos países, há condições, no Brasil, de extrair do xisto vários produtos, como óleos combustíveis, nafta industrial, gás combustível, gás liqüefeito e enxofre. “O Brasil é líder mundial em tecnologia”, destaca Freitas. A Petrobrás começou a comercializar o óleo de xisto em 1994. A partir de 1998, fez parcerias com distribuidores privados. Em 1999, a BetunelKoch entrou nesse mercado, aproveitando a sua experiência de mais de três décadas no segmento de asfaltos.

As empresas distribuidoras atuam livremente, mas a questão logística é determinante no momento de atender a clientela. A BetunelKoch, por exemplo, foi pioneira na introdução do óleo de xisto no Estado de São Paulo. Com seis terminais, capacidade de estoque e uma frota de 40 carretas, está melhor preparada para atender São Paulo e o sul de Minas Gerais. A BetunelKoch, a Gasoil, a Ravatto, a Multirão e a Petrobrás

Distribuidora transportam 70% do óleo de xisto consumido no país. Combustível de alto poder calorífico, o óleo de xisto desponta como uma melhor alternativa para o óleo combustível derivado de petróleo (OC-1A) substituindo-o em caldeiras e fornos industriais. Fluido em temperatura ambiente, o que facilita seu manuseio, o produto de xisto elimina ou reduz o pré-aquecimento, referente ao armazenamento, bombeamento e até mesmo no tanque de serviço que alimenta o maçarico.

Reduz a corrosão de dutos, chaminés e bicos e as intervenções para manutenção e/ou desentupimento de linhas, bombas, válvulas, bicos e maçaricos, eliminando os procedimentos de desobstrução e limpeza de linhas nas partidas e paradas da unidade.

Química e Derivados: Combustíveis: atualidades.Como possui baixo teor de enxofre (1% em média em peso), reduz a emissão de poluentes e a formação de chuvas ácidas. E por ser mais leve que os óleos derivados de petróleo, reduz a emissão de particulados pesados, que causam fumaça e fuligem. É importante também destacar que seu uso não implica em investimento na troca de equipamentos. Há três óleos combustíveis derivados do xisto que estão sendo comercializados: o OTE, que substitui o OC-1A, e o OTL e o OTW, que servem para aplicações específicas. As diferenças entre eles são de viscosidade e ponto de fulgor.

O OTL é muito leve e fluido. Tem sido procurado para substituir o diesel industrial, onde proporciona significativa economia (75% do preço do diesel). O OTW é francamente fluido em qualquer condição ambiental, dispensando integralmente o pré-aquecimento para uso. Tem sido utilizado por indústrias onde baixo teor de enxofre é um requisito técnico de processo como cerâmicas e cristaleiras, e por indústrias com restrições ambientais. O OTE é mais viscoso que o OTW, porém bastante fluido em relação aos óleos tipo BPF. As vantagens operacionais, as facilidades de manuseio do produto e as perspectivas de redução de custos operacionais são os seus pontos fortes.

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