Óleo caro e contingências derrubam Ebitda da Braskem

A Braskem obteve Ebitda de US$ 818 milhões no primeiro trimestre deste ano, valor 29% inferior ao do primeiro trimestre de 2017 e 10% abaixo do período anterior.

A companhia atribuiu a redução à parada programada da central petroquímica de Tirunfo-RS, ao corte inesperado de eletricidade na região Nordeste em março, ao menor suprimento de propeno da Petrobras para plantas de polipropileno no país, e também pelo incêndio ocorrido na unidade de cloro-soda de Maceió-AL, em janeiro.

Mesmo assim, o lucro líquido no trimestre chegou a R$ 1,1 bilhão (na controladora), quase o dobro do apurado no quarto trimestre de 2017, porém 42% abaixo do mesmo período do ano anterior.

O ano começou com forte inverno no Hemisfério Norte, prejudicando as operações petroquímicas da companhia e de seus concorrentes.

Com isso, os spreads (diferença entre os preços de venda dos produtos e as respectivas matérias-primas de referência) aumentaram.

No caso da linha de químicos produzidos pela Braskem, o spread ficou em US$ 388/t, 13% acima do último trimestre de 2017.

Em relação aos primeiros três meses do ano passado, o spread encolheu 20%, mas isso se explica pelas dificuldades de suprimento globais encontradas em 2017.

Em escala internacional, o spread médio das resinas comercializadas pela Braskem chegou a US$ 688/t no primeiro trimestre deste ano, 8% acima do período anterior e 5% sobre o trimestre inicial de 2017.

Nesse caso, o inverno rigoroso provocou paradas imprevistas em fábricas de polietileno de concorrentes nos Estados Unidos, favorecendo a alta de preços.

As linhas de PP e PVC permaneceram com preços estáveis. Embora a Europa tenha registrado redução de oferta de PP, o spread regional dessa resina piorou, porque as cotações de propeno acompanharam a alta do petróleo.

No Brasil, a taxa de ocupação das centrais petroquímicas caiu 5% no início deste ano, chegando a 90%.

A demanda local por resinas produzidas pela Braskem (PE, PP e PVC) somou 1,3 milhão de t no primeiro trimestre de 2018, configurando alta de 7% sobre o mesmo período do ano anterior e 3% em relação ao trimestre anterior. Isso reflete a retomada de atividade de importantes clientes, como a indústria automobilística e de embalagens.

A Braskem vendeu 886 mil t de suas resinas para o mercado local no trimestre em análise, quantidade 5% superior à registrada no primeiro trimestre de 2017 e 1% abaixo dos últimos três meses do ano passado.

Essa redução é atribuída ao problema em Alagoas, que reduziu a disponibilidade de PVC nesse período. Mesmo assim, as operações brasileiras responderam por 57% do Ebitda consolidado da empresa.

Mantendo o atendimento local, a companhia reduziu suas exportações (22% contra o trimestre inicial e 2% contra o final de 2017) para 333 mil t.

As operações dos Estados Unidos e Europa foram afetadas pelo inverno e caíram para 92% de ocupação (9% em relação ao primeiro trimestre de 2017 e 7% contra o último período).

No México, a taxa de utilização das plantas ficou em 85%, prejudicada pela redução do suprimento de etano pela Pemex.

PVC e contingências – Enquanto as linhas de poliolefinas (PE e PP) mantiveram taxas de ocupação de capacidades acima de 90%, permanecendo com posição dominante (73%) no mercado brasileiro, o PVC sofreu com a parada da unidade de soda-cloro de Alagoas.

A taxa de operação de PVC recuou para 60% e a fatia no mercado local ficou em apenas 46% (era 56% no último trimestre de 2017).

A parada imprevista em Maceió afetou mais a oferta de soda cáustica, que ocupou apenas 16% da sua capacidade.

No entanto, embora a linha eletrolítica (cloro-soda) ainda sofra manutenção, a produção de PVC foi retomada no final de março. Segundo a Braskem, desde a ampliação da linha de vinílicos de Alagoas, em 2012, a unidade passou a contar com suprimento adicional de dicloroetano (DCE) importado.

Por uma oportunidade de mercado, a empresa decidiu aumentar seus estoques de DCE nos últimos meses de 2017 e esses estoques estão suportando a produção de PVC nessa unidade – a Braskem também faz PVC em Camaçari-BA.

Com relação ao corte de eletricidade sofrido pela região Nordeste em março de 2018, é oportuno comparar o fato com outro apagão, de mesma duração, ocorrido em 2011.

Daquela vez, os estragos foram grandes e a produção em Camaçari demorou algumas semanas para ser retomada.

Neste ano, a parada teve consequências bem menores porque, como informou a companhia, desde 2011, foram investidos R$ 70 milhões em sistemas de proteção e controle avançado das plantas de Camaçari, com o objetivo de dar mais robustez e confiabilidade à geração termoelétrica.

Esses investimentos permitiram mitigar de maneira expressiva os efeitos da interrupção do suprimento habitual de eletricidade.

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Um Comentário

  1. só para constar para quem não saiba que é EBITIDA: EBITDA é a sigla de “Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization”, que significa “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”, em português.

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