Corantes e Pigmentos

Negro de Fumo – Fabricantes ampliam oferta global de negro de fumo

Marcelo Fairbanks
20 de julho de 2012
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    Negro de Fumo – Dispersão facilitada

    A obtenção de pigmentos para tintas exige requintes tecnológicos superiores aos aplicados nas commodities, incluindo o controle mais apurado da queima dos hidrocar­bonetos de origem (no Brasil, o mais usado é o resíduo aromático de refino), com tratamentos posteriores, a exemplo da oxidação controlada. O negro de fumo é obtido em pequenas partículas que se reúnem, formando estruturas mais complexas, os aglomerados. Estes também formam agregados, visíveis como pó ou pellet. “Imagine um cacho de uva: as partículas são os bagos e o cacho, a estrutura do negro de fumo”, explicou, por analogia, a gerente Lea Sgai, da Cabot.

    Como informou, quanto menor o tamanho de cada partícula do pigmento, maior o seu poder tintorial (capacidade de conferir a cor preta à tinta), porém ele perde em tonalidade azul (pro­fundidade) e na facilidade de disper­são. “Controlando os grupos químicos ao redor das partículas, conseguimos melhorar esses aspectos”, comentou. Assim são produzidos os produtos da li­nha Emperor, da Cabot, que conseguem elevado poder tintorial com marcante tonalidade azul e excelente dispersão. Segundo Lea, eles são usados para gerar a cor black piano, usada na indústria automotiva para fazer carros de luxo pretos.

    O segmento mais exigente em quali­dade dos pigmentos pretos é o automo­tivo, também o maior consumidor dos insumos de elevada sofisticação. Apesar disso, é muito difícil promover a subs­tituição de pigmentos nas formulações existentes de tintas. “A contratipagem é complicada porque o cliente precisa testar o novo ingrediente e ajustar toda a formulação para obter o mesmo re­sultado, não vale a pena”, disse. É mais fácil colocar novos tipos de pigmento nas formulações novas. Por isso, todos os grandes produtores de negro de fumo vendem para os fornecedores de tintas automotivas. Na repintura automotiva, no entanto, há mais opor­tunidades de introdução de novidades ou de contratipagem.

    Química e Derivados, Lea Sgai, gerente de marketing e serviços técnicos da divisão sul-americana da Cabot Corporation, Negro de fumo

    Lea Sgai: pigmentos tratados podem ser dispersos com mais facilidade

    Além das propriedades tintoriais, brilho, condutividade, a dispersabili­dade dos pigmentos é fundamental. “O cliente recebe o produto como aglomerado e precisa moê-lo para ter o agregado, que se dispersa na resina da tinta; se a moagem não for muito bem feita, as propriedades do pigmen­to não serão reveladas”, alertou Lea. Quando há problemas nos moinhos, os clientes precisam repassar várias vezes o material e usar mais agentes dispersantes, com reflexos diretos no custo. Ela também adverte para a possibilidade de interação negativa entre o excesso de dispersantes e os demais componentes da formulação.

    A regra é clara: “Quem não tem um bom moinho, deve comprar o pigmento já disperso”, recomendou Lea, observando que os grandes clien­tes geralmente estão bem equipados. Nenhum dos fabricantes de negro de fumo vende as pré-dispersões, evitando concorrer com clientes e distribuidores que fazem esse servi­ço. Além do moinho, o cliente precisa ter estrutura para suportar a operação com o pó, que não pode ficar flutu­ando pela fábrica. Os fabricantes de artefatos de borracha usam a forma de pellets, mas as tintas precisam do produto em pó.

    Lea observa que a moagem é o gar­galo da produção das tintas. “Quando a fábrica está cheia, mesmo no caso das líderes, aumenta a demanda pelos pré-dispersos, isso agiliza as operações e acaba aumentando a pro­dução final”, argumentou. Por isso, os fornecedores de negro de fumo (e dos demais pigmentos) se esforçam para melhorar a dispersabilidade, proporcionando aos usuários redução no consumo de energia, menor ocu­pação de mão de obra e baixo tempo de operação.

    “Estamos trazendo da fábrica na Louisiana (EUA) negros de fumo pós-tratados por oxidação, usando ozônio gerado on site, que facilitam Derivadosa dispersão”, informou Douglas Silva Araújo, coordenador de vendas de produtos especiais (special blacks) da Aditya Birla Columbian na América do Sul. Segundo informou, esses produtos se apresentam ligeiramente ácidos, combinando bem com siste­mas de base água e solvente. “O que muda, nesses casos, é a aditivação”, afirmou.

    Para ele, a moagem (ou abertura) do pigmento é uma operação crítica, mesmo para as empresas especiali­zadas nisso. “Elas não conversam muito com o fabricante do pigmento, só quando aparecem os problemas”, comentou. Araújo salientou que as dispersões precisam permanecer está­veis durante longo prazo, pelo menos de seis meses. Os pigmentos pretos de alta estrutura, por exemplo, podem dispersar bem, mas apresentar uma floculação posterior, chamada rub out, com perda do poder tintorial. “Os pigmentos oxidados floculam menos, aliviando a exigência sobre os dispersantes, e mantêm a viscosidade durante o processo”, considerou.

    A companhia mantém um la­boratório em Cubatão para desen­volvimento de mercado e suporte a clientes. “Garantimos o sigilo, os clientes podem enviar pré-misturas para os ensaios”, tranquilizou. Ele aposta na sofisticação dos vários mercados atendidos (das decorativas às automotivas, passando pelas tintas gráficas e também para contato direto com alimentos, com aprovação da FDA).

    Lea Sgai, da Cabot, observa que o tamanho muito pequeno de partículas é uma exigência quase exclusiva do setor automotivo. Nos demais, os tratamentos dados ao pigmento são mais relevantes. No mundo todo, por razões ambientais, o processo furnace se estabeleceu como padrão. “Ele é bem flexível, podendo ser adaptado para fornecer a maior parte dos tamanhos de partículas”, comentou, embora admita que os tamanhos extremos (menores e maiores) são difíceis de se obter com essa tecnologia.

    É o caso do gas black, processo que permite a obtenção de partículas muito mais finas que as fornecidas pelo furnace. A Orion recebeu da Evonik um parque produtivo com a maior variedade de processos, entre eles o gas black e também o lamp black (para partículas grandes). “Somos a única empresa a oferecer essa variedade de tamanho de partículas e vamos manter todos esses itens disponíveis ao mercado, embora estejamos no momento investindo em pigmentos obtidos pelo furnace”, afir­mou Alvaro Lopes.



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