Óleo, Lubrificantes e Graxa

O mercado brasileiro de lubrificantes cresceu em 2017

Quimica e Derivados
29 de maio de 2018
    -(reset)+

    Embora ainda haja muitas incertezas sobre o cenário pós-2020 com o novo cap no teor de enxofre e seus impactos em um novo mix de produtos (MGO, MDO, LNG, HFO) a ser utilizado nos bunker fuels, esta mudança também vai impactar o mercado de lubrificantes com a necessidade de desenvolvimento de novas formulações de lubrificantes acabados e novos aditivos que atendam as necessidades operacionais dos motores marítimos vs. o consumo de novos tipos de combustíveis, e é claro que estes novos desenvolvimentos também impactarão o mercado de óleos básicos.

    Em termos de custos para o mercado de lubrificantes com a Marpol 2020, deveremos ver um aumento significativo da demanda de destilados médios no mercado global de bunker fuels (em substituição ao consumo de HFO), e que deve resultar em um aumento dos prêmios de preço no Diesel e no VGO (principalmente no LS VGO), e nos fretes marítimos, todos esses itens importantes na cadeia de suprimentos do mercado de lubrificantes.

    No Brasil o Plano Estratégico/Plano de Gestão de Negócios (PE/PGN) da Petrobras é a “coluna de sustentação” de toda a estratégia de petróleo e gás nas atividades de E&P, refino e combustíveis do mercado brasileiro, e as mudanças que têm ocorrido ao longo dos últimos anos têm impactado toda a cadeira downstream dos derivados, incluído é claro o mercado brasileiro de lubrificantes.

    Entre as principais mudanças no mercado de petróleo e gás no Brasil nos últimos anos faz-se necessário citar:

    • O novo marco regulatório de petróleo e gás, que inclui o polêmico aumento do conteúdo local em máquinas, equipamentos e serviços vs. o aumento da produção de petróleo, e cifras realmente bilionárias em novos leilões em E&P e royalties, mas também em disputas judiciais.

    • Avenda de ativos e participações da Petrobras prevista em mais de US$ 34 bilhões entre 2015 e 2018, e que inclui negócios nas áreas de distribuição de gás, gasodutos, biocombustíveis, fertilizantes, química e petroquímica, campos de petróleo, etc.

    • As três últimas revisões do PE/PGN da Petrobras (janeiro/2016, setembro/2016 e dezembro/2017) resultaram em uma forte concentração dos investimentos da empresa na área de E&P (Figura 11) em detrimento de outras áreas de negócios.

    • A nova política de preços de combustíveis (gasolina, diesel) baseada na paridade de importação com os preços do mercado internacional e que considera também as variações na taxa de câmbio entre o R$ e o US$, resultou em um aumento bastante significativo dos prêmios de preço (Figura 12) no mercado local quando comparados os preços internacionais, e nas margens de lucro da Petrobras no refino de combustíveis.

    Sobre a política de preços de combustíveis da Petrobras, a mídia e imprensa fazem muito alarde sobre este tema, mas de fato ele é muito importante, pois tem sido um dos chamados “4 pilares” do plano “capitaneado” por Pedro Parente (presidente da Petrobras) para a recuperação da empresa, juntamente com o aumento da eficiência no Capex e no Opex, e na busca de novas parcerias e desinvestimentos.

    Como em quase tudo na vida sempre há efeitos colaterais em grandes mudanças, e não seria diferente com esta nova política de preços de combustíveis da Petrobras, que impactou negativamente as taxas de operação nas refinarias (Figura 13), incluído é claro a produção de óleos básicos, principalmente na Reduc e na Rlam.

    Aliás, esses novos direcionamentos estratégicos da Petrobras têm impactado negativamente toda a cadeia produtiva downstream de derivados de petróleo, incluindo combustíveis, química, petroquímica e lubrificantes. De fato, é um fato digno de registro o espetacular trabalho da Petrobras no aumento da produção de petróleo e gás no Brasil, entre 2013 e 2017, e mais ainda quando consideramos as perspectivas de novos aumentos de produção previstos até 2022, conforme vemos na Figura 14.

    Por outro lado, vemos que no período entre 2013 e 2017, foram registradas quedas significativas na produção de gasolina/diesel (-15%), de óleos básicos (-15%) e de nafta (-42%), o que aumentou ainda mais os déficits nas respectivas balanças comerciais dos mercados a jusante no Brasil.

    Infelizmente com o atual “andar da carruagem” dos novos direcionamentos estratégicos da Petrobras, deveremos ver nos próximos anos um distanciamento ainda maior entre as curvas de produção de petróleo e gás vs. derivados.

    De fato, é uma pena que não existam projetos downstream no Brasil para se aproveitar o enorme potencial de matérias-primas derivada do aumento da produção de petróleo e gás no Pré-Sal, que poderiam resultar em projetos de aumento da capacidade de produção no refino, óleos básicos de alta qualidade ou em química e petroquímica.

    Vale comentar que nos EUA o boom da produção de shale gas e tight oil proporcionou também o desenvolvimento de muitos novos projetos downstream que vão agregar significativas margens adicionais na cadeia de suprimentos de petróleo e gás, o que deveria ser também analisado com maior atenção como alternativa factível para o mercado brasileiro.

    Química e Derivados, O mercado brasileiro de lubrificantes cresceu em 2017, mas não podemos “baixar a guarda”...



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *