Óleo, Lubrificantes e Graxa

O mercado brasileiro de lubrificantes cresceu em 2017

Quimica e Derivados
29 de maio de 2018
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    Impactos do mercado de petróleo – Como o mercado global de lubrificantes (e de forma ainda mais acentuado o mercado de óleos básicos) segue já há algum tempo oversupplied, o preço do petróleo, que impacta todos os principais componentes do custo de produção dos lubrificantes (Figura 6), direta ou indiretamente (no caso da competição dentro das refinarias pelo VGO, que é um feedstock tanto para a produção de óleos básicos como para combustíveis) continuará a ser um dos principais fatores de impacto nos preços e margens da cadeia de lubrificantes.

    As variações mais acentuadas do preço do petróleo no mercado internacional amplificam de forma ainda mais dramática os riscos e incertezas nas margens dos produtores de lubrificantes, dado que não existem instrumentos de proteção de margens disponíveis, como instrumentos de hedging que podem ser utilizados pelos players do mercado de combustíveis.

    As últimas previsões do departamento de energia dos EUA (US DOE, EIA Short Term Energy Outlook, Fevereiro/2018) apontam para um aumento do preço médio do petróleo no período 2018/19 de +US$ 12/bbl, chegando a US$ 62/bbl (Figura 7).

    Neste cenário de alta volatilidade do preço do petróleo, o aumento previsto da produção de tight oil nos EUA (+1,9 MBD em 2018/19, Figura 7) deve intensificar ainda mais a briga pelo market share global no mercado de petróleo e outros líquidos, principalmente entre EUA e Opep.

    Afora a “briga” particular entre EUA e Opep, também os aumentos da produção de petróleo previstos em 2018/19 no Brasil (Pré-Sal) e no Canadá (tar sands) certamente vão adicionar uma pressão extra sobre a volatilidade dos preços de petróleo e feedstocks no mercado internacional, o que, é claro, impactará o mercado de lubrificantes, aumentando também a pressão sobre os preços e margens de toda a cadeia de suprimentos desse mercado nos próximos anos.

    Aumento da qualidade – Outro mega trend para o mercado global de lubrificantes é o aumento da qualidade dos lubrificantes acabados, quem vem sendo fortemente “puxado”, há vários anos, por temas como a fuel economy, redução de emissões, desenvolvimento de lubrificantes para aplicações fill for life, desenvolvimento de lubrificantes para máquinas e equipamentos em condições de operação mais extremas, aumento dos intervalos de troca de lubrificantes e ganhos de eficiência em geral.

    Para melhor identificar os óleos lubrificantes quanto ao seu desempenho, algumas instituições e fabricantes de veículos criaram critérios de classificação que se tornaram referências mundiais, e entre essas instituições, duas são as mais importantes: o API (American Petroleum Institute) nos Estados Unidos e a ACEA (Association des Constructeurs Européens de l’Automobile) na Europa. Outra entidade também importante na identificação de óleos lubrificantes automotivos é o ILSAC (International Lubricants Standardization and Approval Committee) que une demandas de qualidade do mercado americano com as do mercado japonês, e que tem maior foco nos óleos de viscosidades mais baixas.

    As classificações mais recentes no mercado global para motores a gasolina são a ILSAC GF-5 e API SN, introduzidas no final de 2010, e para os motores a Diesel, a classificação mais recente é a API CJ-4, projetada em 2007.

    No Brasil a ANP, a resolução ANP 22/2014 proíbe desde 1º de janeiro de 2017 a produção e a importação de óleos lubrificantes com níveis de desempenho inferiores ao API SL, CH-4 e ACEA 2012, e a sua comercialização está proibida desde 30 de junho de 2017.

    O aumento da qualidade dos lubrificantes no Brasil também resulta em um aumento das importações de óleos básicos, em especial dos óleos GII (que são produzidos apenas pela Lwart no Brasil) e GIII (não há produção no Brasil), conforme a Figura 8.

    O mercado de aditivos também é impactado, uma vez que o aumento da qualidade dos lubrificantes acabados resulta no aumento da complexidade das formulações, e no uso de aditivos de mais alta tecnologia para garantir o desempenho do produto final nas aplicações.

    Novas revisões e novos aumentos dos níveis mínimos de qualidade dos lubrificantes acabados já estão “no forno” no mercado global (API SN Plus previsto para março de 2018 e ILSAC GF-6 previsto para início de 2020), e é de se esperar também novos incrementos nos níveis mínimos de qualidade no mercado brasileiro, possivelmente a partir de 2020.

    Química e Derivados, O mercado brasileiro de lubrificantes cresceu em 2017, mas não podemos “baixar a guarda”...

    Estratégias da Petrobras em E&P – Novas estratégias e mudanças drásticas no mercado global de petróleo e gás, seja nas atividades de E&P, refino ou combustíveis, em geral sempre apresentam um “efeito colateral” no mercado global de lubrificantes, como de fato tem ocorrido ao longo dos últimos anos.

    Assim como o desenvolvimento e aumento da produção do shale gas e do tight oil nos EUA foi um game changer que “virou de ponta cabeça” o mercado mundial de petróleo e energia, o aumento da produção global de clean fuels, mais especificamente o aumento da produção do diesel com baixos teores de enxofre (USLD, ultra low sulfur diesel, Figura 9) em várias regiões do planeta, tem sido (e continuará sendo até 2021, pelo menos) um verdadeiro game changer para o mercado global de lubrificantes e um dos grandes responsáveis pelo tsunami de novas capacidades de óleos básicos GII e GIII que temos presenciado desde 2011 nesse mercado (Figura 10).

    Um outro game changer está surgindo a partir de 1º de janeiro de 2020, com a implementação do Anexo VI da Convenção Marpol da IMO (International Maritime Organization), que reduz o teores máximo de enxofre no mercado de bunker fuels de 3,5% para 0,5% (em peso), o que também deverá impactar o mercado global de lubrificantes.



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