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O futuro da mão-de-obra na indústria química – ABEQ

Quimica e Derivados
7 de novembro de 2019
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    Química e Derivados - ABEQ Cristalização: separação, purificação e complexidade

    Química e Derivados - O futuro da mão-de-obra na indústria química diante do desafio da inovação ©QD Foto: iStockPhoto

    O futuro da mão-de-obra na indústria química diante do desafio da inovação

    Olá, pessoal. Vivemos em um mundo que muda muito, muito rápido. É a tal modernidade líquida do Zygmunt Bauman. Quando pensamos em formação profissional, as dúvidas são angustiantes. Dando aula para jovens de 20 e pouquíssimos anos na UFSCar, frequentemente me questiono quanto aos meus métodos de ensino e ao conteúdo que transmito. Em casa, diante de um menino de oito anos e outro de três, as dúvidas não são menores. Externar tais dúvidas de modo inteligível é quase dolorido, mas vou tentar.

    Parece-me claro que a indústria química, não só no Brasil, se ressente da formação da mão-de-obra disponível. A Chemical Engineering Magazine de Julho de 2019 publicou artigo que discute as razões para a escassez de mão-de-obra qualificada na indústria química norte-america (Rentschler e Shahani, 2019). Segundo os autores, as razões passam pelo desprestígio da carreira técnica em comparação a cargos administrativos; a ‘sobretaxação’ dos profissionais experientes – estes, vistos pelas empresas como muito caros, são dispensados e os jovens profissionais acabam se desenvolvendo sem mentoria; e a ausência de um sistema estruturado e impessoal de conservação de informação técnica nas empresas. No mesmo mês, na edição 603 desta revista, a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), em sua coluna, aponta que “O setor produtivo tem encontrado dificuldades em recrutar colaboradores qualificados para atuar em áreas que exigem conhecimento técnico…. Portanto, cresce a demanda por uma formação técnica sólida…”

    As instituições de ensino, do seu modo, esforçam-se para mudar. O mesmo artigo da QD menciona a publicação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os cursos de engenharia em abril deste ano. Li a DCN, e tive o privilégio de assistir recentemente uma palestra do Prof. Dr. Vanderli Fava de Oliveira, que há anos milita bravamente pelo ensino em engenharia, com forte atuação na presidência da Abenge (Associação Brasileira de Educação em Engenharia). A Abenge e o Prof. Vanderli tiveram destacada atuação na elaboração das novas DCN que, sem dúvida alguma, vão na direção correta. Contudo, e aqui peço desculpas pelo meu cinismo, acho que o maior mérito da nova DCN é obrigar, por força de lei, os cursos de engenharia a atualizar seus projetos pedagógicos em prazo de até três anos.

    Contudo, talvez as mudanças que efetivamente têm ocorrido nos cursos de engenharia química não sejam na direção que espera a indústria. Varma e Grossmann (2014) discutiram a evolução dos cursos de engenharia química nos EUA, destacando a emergência da biotecnologia e da nanotecnologia nas grades curriculares, o que, segundo eles, havia causado um descompasso entre a academia e a indústria. Os departamentos de engenharia química, incentivados por políticas de financiamento governamental, passaram a contratar pesquisadores com expertise nas áreas de nanotecnologia e biotecnologia que, por sua vez, não publicam suas pesquisas nas principais revistas de engenharia química (AIChE Journal, Chemical Engineering Science, e Industrial Engineering Chemistry Research), mas em revistas de ciências básicas com alto fator de impacto, como Science e Nature. Cada vez menos professores e estudantes voltam suas pesquisas para as áreas de Operações Unitárias, tidas pelas indústrias como as áreas mais importantes. Segundo esses
    autores:

    Em resposta às tendências recentes da pesquisa acadêmica em direção à engenharia biológica e nanotecnologia, várias empresas manifestaram preocupação com a incompatibilidade com a indústria, que continua a ser amplamente dominada pelas indústrias de petróleo, petroquímica e química. A Dow Chemical Co., uma das maiores empregadoras de engenheiros químicos, foi a mais proativa nesse sentido, estabelecendo um programa de financiamento à pesquisa por um período de 10 anos (anualmente US$ 25 milhões nos Estados Unidos e US$ 10 milhões no exterior). Sua principal motivação tem sido promover pesquisas em áreas relevantes para a indústria química e consideradas como chave por eles.

    Os mesmos autores ainda relataram a diminuição do número de cursos de engenharia química no Japão e na Holanda, o que seria também devido ao desprestígio da engenharia química tradicional.



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