O conceito da Beleza Verde: Cosméticos Orgânicos, Veganos e Naturais.

 

Química e Derivados -

Considerando ser a cosmetologia uma ciência de natureza multidisciplinar, seus históricos desenvolvimentos foram originalmente apoiados nas ciências aplicadas, como a medicina, farmácia, química, biologia, sociologia, e ciências físicas com suas ramificações, como dermatologia, fisiologia, histologia, e suas legislações. A evolução ao longo da história demonstra que os grandes progressos da medicina foram relacionados com epidemias, conflitos armados, impactos religiosos. Remotamente, a medicina e a cosmetologia foram associadas a práticas religiosas, por meio do uso de incensos aromáticos, óleos perfumados e seus unguentos. Em antigas civilizações do Egito e em outras diversas regiões, tais como na China e Índia, a prática da unção do corpo com óleos, pomadas de origem natural eram amplamente utilizados. (K.F. De Polo)1. O uso de corantes e pigmentos naturais proporcionavam efeitos diferenciados para destacar a beleza do corpo.

Em tempos mais recentes, o século XXI traz ao setor de cuidados pessoais, a tendência mundial do uso de produtos ecologicamente corretos, de origem natural, embasados na estratégia da Química Verde, por meio de processos sustentáveis e inovações. O senso de responsabilidade se estende para a sustentabilidade da indústria e seu impacto sobre as gerações futuras, por meio das seguintes práticas ambientas:

– Iniciativas na preservação da energia;
Processos industriais conscientes;
– Preservação e tratamento da água;
– Controle das emissões e redução de resíduos;
– Educação e projetos de relações comunitárias;
– Uso de processos, como de colheita de botânicos, de fontes renováveis;
– Cuidados no processamento de materiais;
– Condições favoráveis para a preservação de recursos naturais.

Em sintonia com a expectativa e demanda do mercado, o setor de cosméticos tem sido orientado pela priorização dos projetos direcionados ao conceito da Beleza Verde, representados pelos Cosméticos Orgânicos, Veganos e Naturais. Através dos processos criativos e inovadores envolvem toda a cadeia produtiva e organizacional das empresas de matérias primas e produtos acabados.

O mercado da Beleza Verde deverá alcançar um faturamento de US$ 25 bilhões até 2025 em todo mundo, impulsionado pela geração millenium, segundo a consultoria Grand View Research 2.

No Brasil, estes produtos devem ter um crescimento entre 5% e 10% nos próximos cinco anos. O tamanho global do mercado de ingredientes para cuidados pessoais orgânicos foi estimado em US$ 8,08 bilhões em 2019 e deve chegar a US $ 8,5 bilhões em 2020, de acordo com a consultoria.

A) Cenário de Legislações e principais Certificadoras

1 – ANVISA:

A Agencia de Vigilância Sanitária não reconhece os apelos de cosméticos orgânicos veganos e naturais e não dá seu parecer sobre o conceitual destes produtos, consequentemente não aprova estes registros, sendo que atualmente não existe regulamentação oficial no Brasil. 3

2 – ISO 16128 -1 e 2

A Organização Internacional de Nor­malização, (International Organization for Standardization – ISO) tem como objetivo promover o desenvolvimento de normas, testes e certificação, com o intuito de encorajar o comércio de bens e serviços. A ABNT NBR ISO 16128, sob o título geral “Diretrizes sobre definições técnicas e critérios para ingredientes e produtos cosméticos naturais e orgânicos”, contém as seguintes partes:

– 16128- 1: Primeira edição – 26.10.2018 – Parte 1: Fornece diretrizes sobre definições técnicas e critérios para ingredientes e produtos cosméticos naturais e orgânicos. Estas diretrizes são específicas para o setor de cosméticos, levando em conta que a maioria das abordagens existentes escritas para o setor agrícola e alimentar não são diretamente transferíveis para os cosméticos. 4

– 16128- 2: First edition 2017-2. – Guidelines on technical definitions and criteria for natural and organic cosmetic ingredients – Part 2: Descreve abordagens para calcular índices de origem natural, natural, orgânica e de origem orgânica que se aplicam às categorias de ingredientes definidas na ISO 16128-1. Disponível na versão em inglês. 5

B) Certificadoras principais e seus atributos:

– CosmeBio: O selo é atribuído pela Associação Profissional dos Cosméticos Ecológicos e Orgânicos da França. Os produtos com esse selo contêm no mínimo 95% de ingredientes de origem natural, não podem conter petroquímicos, organismos geneticamente modificados, corantes, fragrâncias e conservantes sintéticos. Conservantes sintéticos como parabenos e o fenoxietanol também não são permitidos. 6

– Vegan Action: O selo é atribuído pela instituição americana Vegan Action, que combate os maus tratos aos animais e ações que agridem a fauna. Assegura que o produto não foi testado em animais e não contém ingredientes de origem animal. 7

– SVB – Sociedade Vegetariana Bra­sileira. O Selo Vegano é atribuído ao programa de certificação de produtos. Criado em 2013 e gerenciado pela Sociedade Vegetariana Brasileira certifica os produtos cosméticos, produtos de limpeza e higiene entre outros, de diferentes segmentos de mercado.8

– Cruelty-free: O selo pertence à People for The Ethical Treatment of Animals (Peta), organização dedicada à defesa dos direitos animais e tem a mesma proposta que o selo Vegan.9

– Instituto Bio Dinâmico – IBD: Empresa de origem brasileira, certifica os produtos orgânicos. O selo é atribuído a alimentos, cosméticos e algodão orgânicos, além de cumprir os requisitos básicos para a produção orgânica, como fazer rotação de culturas e não uso agrotóxicos. Garante que a fabricação daqueles produtos é feita de acordo com o Código Florestal Brasileiro e às leis trabalhistas. Os produtos industrializados devem ter ao menos 95% de ingredientes orgânicos certificados.10

– Ecocert – Órgão de inspeção e certificação fundado na França, em 1991. Foi o pioneiro na definição de padrões para cosméticos naturais e orgânicos. O selo é atribuído a alimentos orgânicos e cosméticos naturais ou orgânicos. O produto deve ter ao menos 95% de ingredientes vegetais e 95% destes ingredientes devem ser orgânicos certificados.

No caso de cosméticos naturais, 50% dos insumos vegetais devem ser orgânicos. Por contrato com a certificadora, o fabricante é obrigado a identificar no rótulo se o produto é orgânico ou natural. 11

– Cosmos: Selo de certificação para cosméticos naturais e orgânicos, criado por uma associação para harmonizar as normas de cinco países europeus. Suas diretrizes incluem respeito aos princípios da química verde, avaliação de embalagens, tratamento de resíduos, não uso de organismos geneticamente modificados, abrangendo toda a cadeia de produção e suprimento. 12

– Natrue: Órgão de representação internacional que defende a proteção e a promoção de verdadeiros cosméticos naturais e orgânicos em todo o mundo. Desde a sua criação, a Natrue trabalha para melhorar a regulamentação de produtos cosméticos naturais e orgânicos e defende ativamente a definição oficial de cosméticos naturais e orgânicos. 13

C) Beleza Verde: Cosméticos Orgânicos, Veganos, Naturais. 

– Cosméticos Veganos: O veganismo é uma filosofia de vida que pretende abolir o uso e exploração de animais para qualquer atividade humana, como alimentação, entretenimento e beleza. Os cosméticos não podem conter ingredientes de origem animal, como derivados de leite animal, mel, cera de abelhas, entre outros, e não podem ser testados em animais. 14

Química e Derivados - Engª. Enilce Maurano Oetterer
Engª. Enilce Maurano Oetterer

– Cosméticos Orgânicos: Para as certificadoras de produtos orgânicos, um cosmético orgânico é aquele que possui no mínimo 95% de matérias-primas orgânicas, desconsiderando-se a água e o sal, em relação à quantidade total de matérias-primas naturais utilizadas na formulação. Os 5% restantes podem ser formados por matérias de origem natural. Só poderá ser considerada 100% orgânica a matéria-prima que seguir todos os passos de produção, extração e processamento corretamente. 14, 15.

– Cosméticos Naturais: Cos­méticos naturais são aqueles que não contêm aditivos químicos na composição, substâncias tóxicas. Para um produto ser considerado natural, é necessário conter 95% de matérias-primas consideradas naturais e não podem ser testados em animais (cruelty free). Devem conter em sua formulação 5% de matéria-prima orgânica ou sintética, sendo que os 95% restantes da formulação podem conter matéria-prima natural, certificada ou não, ou permitidas para formulações naturais. 16

– Cosméticos Fitoterápicos: Cos­­­mé­­ticos que contem ingredientes fitoterápicos. Os fitoterápicos são produtos feitos exclusivamente de matéria-prima vegetal, que possuem seus efeitos comprovados, bem como seus riscos. É importante destacar que não é considerado um fitoterápico aquele que contém substâncias ativas isoladas, bem como sua associação com extratos vegetais.18

Como conclusão, estes direcionamentos estão voltados às principais necessidades e interesses do consumidor, relacionados à saúde, respeito ao meio ambiente, estilo de vida, bem estar, aparência saudável, entre outros. Surge a tendência dos cosméticos ecologicamente amigáveis (Ecofriendly), oriundos de empresas que trazem a ideologia do respeito ao meio ambiente.

Os cosméticos verdes são produzidos por meio de processos e forma sustentável, e considera-se que além das matérias primas, toda a cadeia produtiva esteja alinhada com os processos mais sustentáveis, desde a produção ao descarte e reaproveitamento da embalagem.

O texto acima descrito contém informações orientadas para futuros estudos, e foram contextualizadas a partir de pesquisas e acessos nas referências citadas.

Referências:

K.F. De Polo . A Short Textbook of Cosmetology, pg 335 – 1st Edition 1998
https://www.grandviewresearch.com/press-release/global-organic-personal-care-market (acesso
https://tcconline.utp.br/media/tcc/2017/07/COSMETICOS-NATURAIS.pdf – Autores da Pesquisa: Edeline Kieltyka¹, Fernanda Valentin², Neiva Lubi³
https://www.iso.org/standard/62503.html-
https://www.iso.org/standard/65197.html.
https://www.cosmebio.org/

Certification


Associação Brasileira de Veganismo – https://veganismo.org.br/

Home


https://www.cosmeticsonline.com.br/artigo/87
http://www.brazil.ecocert.com/politicas-e-diretrizes-ecocert/
http://brazil.ecocert.com/referencial-cosmos-para-cosmeticos-naturais-e-organicos/index.html

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https://teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100136/tde-03012019- 200633/publico/Camilla_Custoias_Vila_Franca_Mestrado_PPGS.pdf
https://namu.com.br/portal/estetica/corpo-e-pele/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-cosmeticos-naturais/
https://www.ecycle.com.br/component/content/article/67-dia-a-dia/2099-cosmeticos-organicos-naturais-convencionais-deferencas-tipos-materia-prima-composicao-definicao-consumidor-como-fazer-receitas.html
https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/19260/2/6.pdf
https://www.zionmarketresearch.com/sample/organic-personal-care-products-market#utm_source=komal&utm_medium=23dec

Mercado de produtos orgânicos para cuidados pessoais 2020: visão geral da indústria por tamanho, participação, tendências, fatores de crescimento, análise histórica, oportunidades e segmentos de indústria que se prevê um rápido crescimento até 2025


http://cycle.com.br/component/content/article/67-dia-a-dia/2099-cosmeticos-organicos-naturais-convencionais-deferencas-tipos-materia-prima-composicao-definicao-consumidor-como-fazer-receitas.html
https://www.researchgate.net/publication/328679035_Diferencas_entre_cosmeticos_organicos_e_naturais_literatura_esclarecedora_para_prescritores
Ribeiro C. Cosmético: orgânico, com matérias-primas orgânicas e naturais. São Paulo; 2009
Sebrae. Cosméticos a base de produtos naturais. 2008. Disponível em: http://www.funcex.org.br/material/redemer cosul bibliografia/biblioteca/
KIELTYKA E, VALENTIN F. Cosméticos naturais /orgânicos: uma nova tendência cosmética. 2017. Disponível em: http://tcconline.utp.br/media/tcc/2017/07/C OSMETICOS-NATURAIS.pdf
https://www.researchgate.net/publication/328679035_Diferencas_entre_cosmeticos_organicos_e_naturais_literatura_esclarecedora_para_prescritores.
https://www.cosmeticsdesign-europe.com/Article/2017/11/15/ISO-guidelines-for-natural-and-organic-cosmetics-industry-reacts

Texto: Engª. Enilce Maurano Oetterer

Engª. Enilce Maurano Oetterer, Vice-Presidente Administrativa da ABC e diretora da Encosmética Consultoria Ltda.

 

Química e Derivados - Ana Carolina Ribeiro é Vice-presidente técnica da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC)

ABC Cosmetologia

A Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC Cosmetologia), é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 10 de abril de 1973, com objetivo de promover o desenvolvimento da cosmetologia nacional.
Formada por um grupo de profissionais das áreas de Farmácia, Química e afins, ligados a universidades e empresas de produto acabado e matérias-primas para a indústria de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, a ABC promove atividades tecnológicas, científicas e de regulamentação em prol do setor.
Mais informações: https://www.cosmetologiabrasil.com/

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