Alimentos e Bebidas

Nutrição Animal – MDIC aponta prioridades para investimentos

Hamilton Almeida
11 de setembro de 2012
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    Deve-se também incentivar a fabricação local de citral, precursor da fabricação das vitaminas A (caroteno) e E (tocoferol) e de diversos outros produtos químicos. O citral pode ser obtido de óleos essenciais – de cítricos, de eucalipto, entre outros – ou por via petroquímica. Apesar da abundância das fontes de matéria-prima para a obtenção de citral, o Brasil importou quase US$ 660 mil desse intermediário de síntese em 2011, principalmente da Alemanha. Da mesma forma, em 2011 foram importados US$ 65,9 milhões de vitamina E da Alemanha, da Suíça e da China e US$ 15,26 milhões de vitamina A, principalmente da Suíça, Alemanha e França.

    Os aminoácidos para alimentação animal representarão um mercado mundial de quase US$ 6 bilhões em 2017, sendo também um tipo de produto em plena expansão de demanda. A produção de biodiesel vem sendo incentivada pelo governo brasileiro e gerou um subproduto, a glicerina, cuja abundância pode vir a ser um problema no médio prazo. O aminoácido metionina pode utilizar esse excedente de glicerina como matéria-prima.

    Trata-se do aditivo mais utilizado na alimentação animal. O Brasil importa todo o seu consumo de metionina, quase 90 mil toneladas em 2011, gerando um custo de divisas de US$ 291 milhões. Os EUA são responsáveis por mais da metade das nossas importações, mas Espanha, Bélgica e França são grandes fornecedores. Os aminoácidos treonina e triptofano, como algumas vitaminas, também são possíveis de serem obtidos pela alcoolquímica. O consumo no Brasil destes aminoácidos para alimentação animal ultrapassou as 26 mil toneladas em 2011.

    Estatísticas – O estudo levantou que há 2.833 empresas no Brasil com autorização de fabricar, embalar ou importar produtos para alimentação animal. E 482 empresas trabalham com aditivos, pré-misturas e núcleos, sendo 283 fabricantes e 199 importadoras. Em 2011, foram produzidos 64,5 milhões de toneladas de rações, movimentando R$ 40 bilhões somenteem matérias-primas. Os aditivos representam apenas 0,6% do volume, mas significam 7% do valor, totalizando R$ 2,8 bilhões.

    O Brasil produz em grande escala alguns aminoácidos, microminerais e enzimas e até exporta parte da produção. No entanto, nos demais aditivos, somos francamente importadores. O mercado mundial de alimentação animal é estimado em US$ 257 bilhões em 2012, com previsão de crescer para US$ 358 bilhões em 2017.

    Os aditivos devem representar US$ 15,1 bilhões em 2012, algo próximo a 6% do valor total da produção de ração. Estima-se que esse mercado deva alcançar cerca de US$ 18,7 bilhões até 2016. Apesar de todas as restrições impostas a terceiros mercados, a Europa é a maior consumidora de aditivos, com 35% do total em 2011. No entanto, como país individual, os EUA são o maior consumidor, com 23%. O mercado mundial é concentrado: as dez maiores indústrias representam 60% da produção. Nos EUA, os segmentos de promotores de crescimento, vitaminas e enzimas são dominados por apenas cinco grandes empresas.

    Os antibióticos são os aditivos mais consumidos (27%), seguidos de aminoácidos (26,5%). O consumo de antibióticos é alto por conta da demanda crescente da Ásia e da América Latina para suprir seus mercados com carne e produzir excedentes para exportação. Em 2007, o mercado mundial de aminoácidos para alimentação animal foi estimado em US$ 3,4 bilhões, 56% da produção total. A maior parte desta produção é feita com espécies de Corynebacterium. Os aminoácidos como aditivos para animais deverão representar um valor de US$ 5,7 bilhões em 2017.

    O mercado mundial de enzimas é estimado em US$ 7 bilhões para 2013. O Brasil representa 60% desse mercado na América Latina. O mercado mundial de antibióticos para alimentação animal foi estimado em US$ 4,2 bilhões em 2010, dentro de um faturamento global do setor de saúde animal que girou em torno de US$ 20,1 bilhões no mesmo ano.

    Estima-se que os produtos de origem animal serão responsáveis por 29% das calorias consumidas pela população mundial até 2050, contra cerca de 20% no ano2000. Aintensificação da produção animal, com a melhoria da genética e do desempenho dos animais, exige grandes concentrações de nutrientes que muitas vezes os grãos (milho, soja, sorgo, girassol etc.) não conseguem suprir. Por isso, o uso de aditivos ganha importância dentro da cadeia produtiva das carnes, como parte fundamental da busca incessante de tornar a produção primária mais eficiente e os alimentos mais acessíveis à população.

    A combinação de aminoácidos sintéticos, enzimas e microminerais orgânicos adicionados à alimentação de aves e suínos foi capaz, por exemplo, de aumentar a conversão alimentar e o ganho de peso, enquanto diminuía a eliminação de minerais e de matéria orgânica no esterco.

    Os aditivos são classificados no Brasil, segundo as orientações do Codex Alimentarius, da seguinte forma: a) Aditivos nutricionais: vitaminas, provitaminas, e substâncias quimicamente definidas de efeitos similares; oligoelementos ou compostos de oligoelementos (microminerais); aminoácidos, seus sais e análogos; ureia pecuária e seus derivados; b) Aditivos tecnológicos: adsorventes, aglomerantes, antiaglomerantes, antioxidantes, antiumectantes, conservantes, emulsificantes, estabilizantes, espessantes, gelificantes, regulador da acidez, umectantes; c) Aditivos sensoriais: corantes e pigmentantes, aromatizantes, palatabilizantes; d) Aditivos zootécnicos: enzimas, probióticos, pré-bióticos, simbióticos, nutracêuticos, ácidos orgânicos, promotores de crescimento e/ou eficiência alimentar; e) Anticoccidianos.



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