Nutrição Animal – MDIC aponta prioridades para investimentos

Química e Derivados, Nutrição Animal

Quais são os fatores que impe­dem o maior desenvolvimento do parque produtivo de aditi­vos para a alimentação animal no Brasil? Esta indagação é feita pelo estudo de viabi­lidade técnica e econômica destinado à implantação do Parque Produtivo Nacional de Aditivos da Indústria de Alimentação de Animais de Produção, concluído, recentemente, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Afinal de contas, potencial de merca­do é o que não falta por aqui. O estudo deixa claro que o Brasil oferece um “significativo conjunto de atrativos para investimentos externos”. Entre eles: o maior mercado de rações da América Latina; a possibilidade concreta de exportação para a América do Sul e para a África; a grande disponibilidade de matéria-prima, incluindo as de origem petroquímica, para a produção de in­termediários de síntese; e a capacidade científica, já demonstrada pelo êxito na fabricação local de alguns aditivos, que se tornaram importantes na balança comercial de farmoquímicos.

A implantação de unidades indus­triais para a fabricação dos produtos prioritários exigiria um investimento de mais de US$ 400 milhões; e geraria até 1.375 empregos diretos e pelo menos 5 mil indiretos. Destaca-se: “Como já foi demonstrado por algumas empre­sas, como a Phibro (virginiamicina), a Ajinomoto e a CJ Corp. (lisina), que utilizam o Brasil como sua plataforma global de exportação desses produtos, o país pode ser competitivo na produção de aditivos para alimentação animal.”

O trabalho de pesquisa foi efetuado entre janeiro e maio deste ano, “período em que ocorreram algumas transforma­ções na cadeia produtiva de aditivos para alimentação animal, entre elas o anúncio de fechamento de unidades de química fina no Brasil, motivado pela cotação do dólar e pela facilidade de importação de produtos”.

O estudo do MDIC chegou às seguin­tes conclusões:

As enzimas são produtos obtidos por via bioquímica que utilizam matérias-primas abundantes no Brasil, como grãos, subprodutos agrícolas e da in­dústria de abate. O mercado mundial de enzimas é estimado em US$ 7 bilhões para 2013, com perspectiva de cresci­mento acelerado. O Brasil representa 60% do mercado da América Latina, tendo importado US$ 84,8 milhões em 2011, um aumento de quase 600% em re­lação a 2005. Somente para alimentação animal, estima-se que o Brasil consuma em torno de 4.300 toneladas anualmen­te, vindas principalmente da Finlândia, Dinamarca, França e Alemanha.

Em termos de mercado mundial, as proteases representam 65%; as carboi­drases, (onde se classificam xilanase e beta-glucanase) outros 10%; e a fitase, sozinha, US$ 370 milhões. Assim, pelo tamanho do consumo brasileiro, devem ser priorizadas as seguintes enzimas: fitase, xilanase, beta-glucanase e prote­ase – até porque elas têm aplicação em diversos ramos da indústria.

O promotor de crescimento sali­nomicina sódica não tem fabricação local e apresenta relativa facilidade de produção, além de uma grande demanda existente e potencial.

A fabricação de vitaminas provém de um mercado oligopolizado, com ape­nas três grandes fabricantes mundiais, cada um com especialização em uma linha de produtos. Assim, o caminho dos investimentos nesta área passa por duas alternativas: a) a atração de algum dos grandes fabricantes – DSM, Basf, Adisseo/BlueStar – para que instalem uma fábrica no Brasil, que possa servir também como base de exportação para a América do Sul; b) o desenvolvimento de capacidade local de produção por meio da conjugação do conhecimento científico já existente, de incentivos pú­blicos e de capital privado na construção de plantas industriais.

Sob esses aspectos, o setor alco­olquímico pode ser considerado es­tratégico para o desenvolvimento do Brasil na área, por apresentar matéria-prima abundante, renovável e grande sequestradora de carbono da atmosfera. Algumas vitaminas podem ser obtidas por essa alternativa: a B1 (tiamina); a B2 (riboflavina); e a B5 (ácido pantotê­nico), que não têm fabricação nacional e, juntas, representaram 1,6 mil toneladas e US$ 18,75 milhões em importações em2011. AChina, a Alemanha e o Reino Unido são os grandes fornecedores desses produtos ao Brasil.

As vitaminas B12 (cobalamina) e D (colecalciferol) têm sua principal fonte de matéria-prima na gordura animal, abundante no país. Apesar disso, não contam com fabricação nacional e foram responsáveis pela importação de US$ 8,7 milhões em 2011, vindos da Suíça (vitamina B12) e da China e da França (vitamina D). A fabricação da vitamina B4 (colina) deve ser incentivada, pelo seu grande consumo no Brasil e por ser de produção relativamente fácil, obtida por meio de derivados petroquímicos. É o terceiro aditivo mais consumido na alimentação animal e a sua importação direta foi de US$ 14,4 milhões em 2011, oriunda basicamente da Alemanha, EUA e China.

Deve-se também incentivar a fabricação local de citral, precursor da fabricação das vitaminas A (caroteno) e E (tocoferol) e de diversos outros produtos químicos. O citral pode ser obtido de óleos essenciais – de cítricos, de eucalipto, entre outros – ou por via petroquímica. Apesar da abundância das fontes de matéria-prima para a obtenção de citral, o Brasil importou quase US$ 660 mil desse intermediário de síntese em 2011, principalmente da Alemanha. Da mesma forma, em 2011 foram importados US$ 65,9 milhões de vitamina E da Alemanha, da Suíça e da China e US$ 15,26 milhões de vitamina A, principalmente da Suíça, Alemanha e França.

Os aminoácidos para alimentação animal representarão um mercado mundial de quase US$ 6 bilhões em 2017, sendo também um tipo de produto em plena expansão de demanda. A produção de biodiesel vem sendo incentivada pelo governo brasileiro e gerou um subproduto, a glicerina, cuja abundância pode vir a ser um problema no médio prazo. O aminoácido metionina pode utilizar esse excedente de glicerina como matéria-prima.

Trata-se do aditivo mais utilizado na alimentação animal. O Brasil importa todo o seu consumo de metionina, quase 90 mil toneladas em 2011, gerando um custo de divisas de US$ 291 milhões. Os EUA são responsáveis por mais da metade das nossas importações, mas Espanha, Bélgica e França são grandes fornecedores. Os aminoácidos treonina e triptofano, como algumas vitaminas, também são possíveis de serem obtidos pela alcoolquímica. O consumo no Brasil destes aminoácidos para alimentação animal ultrapassou as 26 mil toneladas em 2011.

Estatísticas – O estudo levantou que há 2.833 empresas no Brasil com autorização de fabricar, embalar ou importar produtos para alimentação animal. E 482 empresas trabalham com aditivos, pré-misturas e núcleos, sendo 283 fabricantes e 199 importadoras. Em 2011, foram produzidos 64,5 milhões de toneladas de rações, movimentando R$ 40 bilhões somenteem matérias-primas. Os aditivos representam apenas 0,6% do volume, mas significam 7% do valor, totalizando R$ 2,8 bilhões.

O Brasil produz em grande escala alguns aminoácidos, microminerais e enzimas e até exporta parte da produção. No entanto, nos demais aditivos, somos francamente importadores. O mercado mundial de alimentação animal é estimado em US$ 257 bilhões em 2012, com previsão de crescer para US$ 358 bilhões em 2017.

Os aditivos devem representar US$ 15,1 bilhões em 2012, algo próximo a 6% do valor total da produção de ração. Estima-se que esse mercado deva alcançar cerca de US$ 18,7 bilhões até 2016. Apesar de todas as restrições impostas a terceiros mercados, a Europa é a maior consumidora de aditivos, com 35% do total em 2011. No entanto, como país individual, os EUA são o maior consumidor, com 23%. O mercado mundial é concentrado: as dez maiores indústrias representam 60% da produção. Nos EUA, os segmentos de promotores de crescimento, vitaminas e enzimas são dominados por apenas cinco grandes empresas.

Os antibióticos são os aditivos mais consumidos (27%), seguidos de aminoácidos (26,5%). O consumo de antibióticos é alto por conta da demanda crescente da Ásia e da América Latina para suprir seus mercados com carne e produzir excedentes para exportação. Em 2007, o mercado mundial de aminoácidos para alimentação animal foi estimado em US$ 3,4 bilhões, 56% da produção total. A maior parte desta produção é feita com espécies de Corynebacterium. Os aminoácidos como aditivos para animais deverão representar um valor de US$ 5,7 bilhões em 2017.

O mercado mundial de enzimas é estimado em US$ 7 bilhões para 2013. O Brasil representa 60% desse mercado na América Latina. O mercado mundial de antibióticos para alimentação animal foi estimado em US$ 4,2 bilhões em 2010, dentro de um faturamento global do setor de saúde animal que girou em torno de US$ 20,1 bilhões no mesmo ano.

Estima-se que os produtos de origem animal serão responsáveis por 29% das calorias consumidas pela população mundial até 2050, contra cerca de 20% no ano2000. Aintensificação da produção animal, com a melhoria da genética e do desempenho dos animais, exige grandes concentrações de nutrientes que muitas vezes os grãos (milho, soja, sorgo, girassol etc.) não conseguem suprir. Por isso, o uso de aditivos ganha importância dentro da cadeia produtiva das carnes, como parte fundamental da busca incessante de tornar a produção primária mais eficiente e os alimentos mais acessíveis à população.

A combinação de aminoácidos sintéticos, enzimas e microminerais orgânicos adicionados à alimentação de aves e suínos foi capaz, por exemplo, de aumentar a conversão alimentar e o ganho de peso, enquanto diminuía a eliminação de minerais e de matéria orgânica no esterco.

Os aditivos são classificados no Brasil, segundo as orientações do Codex Alimentarius, da seguinte forma: a) Aditivos nutricionais: vitaminas, provitaminas, e substâncias quimicamente definidas de efeitos similares; oligoelementos ou compostos de oligoelementos (microminerais); aminoácidos, seus sais e análogos; ureia pecuária e seus derivados; b) Aditivos tecnológicos: adsorventes, aglomerantes, antiaglomerantes, antioxidantes, antiumectantes, conservantes, emulsificantes, estabilizantes, espessantes, gelificantes, regulador da acidez, umectantes; c) Aditivos sensoriais: corantes e pigmentantes, aromatizantes, palatabilizantes; d) Aditivos zootécnicos: enzimas, probióticos, pré-bióticos, simbióticos, nutracêuticos, ácidos orgânicos, promotores de crescimento e/ou eficiência alimentar; e) Anticoccidianos.

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