Alimentos e Bebidas

Nutrição animal – Demanda global por carnes explode

Hamilton Almeida
18 de abril de 2020
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    Química e Derivados - O crescente mercado de PET food também consome insumos químicos

    O crescente mercado de PET food também consome insumos químicos

    Nutrição animal – Demanda global por carnes explode e estimula avanço dos ingredientes

    O segmento de insumos químicos para nutrição animal vai de vento em popa. Baseado nas previsões dos produtores e exportadores de proteína animal – carnes bovina, suína, aves, ovos, leite, peixes, camarões etc –, o CEO do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), Ariovaldo Zani, afirma que, com razoável otimismo, “é possível inferir um avanço da ordem de 4,5% em 2020”.

    Química e Derivados - Zani: aditivos reduzem a carga ambiental da produção animal

    Zani: aditivos reduzem a carga ambiental da produção animal

    Traduzindo em miúdos, essa cifra significa um crescimento equivalente ao dobro da previsão do relatório Focus, do Banco Central, para o comportamento geral da economia este ano. Estima-se uma expansão da ordem de 2,17% para o Produto Interno Bruto (PIB) em comparação com o desempenho do ano passado.

    Por outro lado, a estimativa, ainda não oficial, para o incremento apurado pela indústria de alimentação animal brasileira em 2019, é de surpreendentes 4,1%, resultado da produção de 75 milhões de toneladas de rações e sal mineral. No ano passado, o PIB cresceu apenas 1,1%.

    Segundo Zani, “a demanda foi bastante impulsionada pela reação mais vigorosa das principais cadeias produtivas durante os três últimos meses do ano, amparada por conta da melhora de diversos indicadores de atividade, bem como aqueles ligados à pauta exportadora e ao varejo e confiança do consumidor”.

    Na realidade, a cadeia produtiva de alimentação animal brasileira é bastante dependente do suprimento externo dos insumos sintetizados quimicamente (aditivos nutricionais/vitaminas lipo e hidrossolúveis e do aminoácido metionina, aditivos zootécnicos/enzimas, ácidos orgânicos, anticoccidianos, e aditivos zootécnicos/emulsificantes, antifúngicos, etc.).

    Zani calcula que o setor importe aproximadamente US$ 1,5 bilhão/ano. Por outro lado, “aqueles insumos sintetizados por (bio)fermentação, ou seja, o aminoácido lisina, pré e probióticos, beta-glucanos, etc, contam com produção local e são até exportados”, acrescenta.

    O executivo informa que, “considerando o crescimento vegetativo da produção brasileira de alimentos para animais em atendimento ao avanço da produção de proteína animal para consumo doméstico e exportação, e levando-se em conta as práticas contemporâneas que preconizam a sustentabilidade ambiental e o bem estar animal, a tendência é adicionar cada vez mais aditivos que substituam parte do milho/trigo e do farelo de soja sem comprometer o desempenho zootécnico, mas sobretudo, mitigando a carga ambiental (diminuição da emissão de CO2-equivalente e da deposição de matéria orgânica, fósforo e nitrogênio)”.

    O dólar – A questão da desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar baliza as atividades setoriais. No início de março, a moeda norte-americana atingiu valor nominal recorde (sem descontar a inflação). Em valores corrigidos pela inflação brasileira, o recorde ainda é de 2002, quando se atingiu o valor nominal de R$ 4, equivalente, hoje, a R$ 10,80.

    Como o preço dos aditivos importados são indexados ao dólar, “é flagrante inferir que a desvalorização do câmbio culmina em aumento do custo de produção e a variação é que determinará a amplitude da absorção ou repasse dessa majoração”, observa Zani.

    Até 26 de fevereiro, o real se desvalorizou quase 9% em 2020. No entanto, o repasse integral do custo adicional ao preço do produto “ainda é incerto porque as demais interfaces da cadeia produtiva temem a recusa do consumidor final, que continua abatido financeiramente”, adiciona.

    O impacto do preço dos insumos importados no preço final do produto “varia bastante, considerando o portfólio disponibilizado pela indústria de alimentação animal”. Mas, ele considera válido “algo em torno de 10%”.

    Indagado sobre a influência da crescente concorrência com o uso de milho para produzir etanol e quanto à crise na China sobre o setor de rações, o CEO do Sindirações responde que “as maiores preocupações no curto prazo remetem ao acordo comercial sino-americano e a hipotética diminuição dos embarques brasileiros para a China e as imprevisíveis consequências sobre o comércio global de uma possível transmissão cosmopolita do Covid-19”.

    O etanol de milho pode, no seu modo de ver, “deflagrar maior preocupação no médio/longo prazo, por conta do eventual acirramento travado no rali ´agricultura alimentar versus agricultura energética`. A estimativa atual é que menos de 3% das safras tem sido destinadas à produção do etanol (3 milhões de toneladas de milho para produção de pouco mais de 1 milhão de litros de etanol), muito embora, o processo produtivo acabe reservando algo em torno de 30% de destilados sólidos (WDGS ou DDGS), ricos em proteína, energia digestível, fósforo e enxofre, que podem ser utilizados na alimentação animal, principalmente de bovinos”.



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