Meio Ambiente (água, ar e solo)

Novo marco legal incentiva uso adequado de lodos residuais

Marcelo Furtado
11 de fevereiro de 2021
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    Projetos na BRK – Embora o custo de disposição de lodos em aterros sanitários seja o maior concorrente das soluções mais ambientalmente corretas para os lodos, algumas empresas de saneamento, grandes geradoras nos seus processos de tratamento, começam a se adiantar e a buscar as melhores práticas.

    A BRK Ambiental, por exemplo, grupo com a concessão de saneamento de mais de cem cidades no país, atendendo 15 milhões de pessoas, tem vários projetos em andamento. De acordo com o diretor de engenharia, Claudio Monken, as metas principais são transformar o lodo em produtos energéticos (CDR ou para biogás) ou como fertilizantes e também promover a secagem solar do lodo, para reduzir seu custo logístico e facilitar seu uso como subproduto de CDR. Em 2021, aliás, já estará em operação a primeira planta para secagem solar – com estufas, ventilação forçada e manipulação dos lodos – no interior paulista.

    Química e Derivados - Meio Ambiente - Novo marco legal incentiva uso adequado de lodos residuais ©QD Foto: Divulgação

    Projeto da BRK com a Lodologic prevê transformar lodo em fertilizante

    Entre os projetos, há um em parceria com a empresa Lodologic, que permite transformar os lodos de ETEs em fertilizantes agrícolas. O sistema apresenta uma rota de secagem e beneficiamento para o lodo desaguado das ETEs (normalmente entre 16% e 22% de teor de sólidos), resultando em um lodo final seco (>80% de sólidos) com valor comercial e potencial técnico para uso agrícola. No subproduto final, são adicionados aditivos (compostos químicos à base de nitrogênio, fósforo e potássio), de acordo com o tipo de plantio agrícola que será aplicado.

    O projeto conta com uma etapa de adição de reagentes oxidantes ao lodo, para garantir a secagem “de dentro para fora”, como consequência das reações químicas exotérmicas, e secadores térmicos do tipo paddle dryer para finalizar a secagem de “fora para dentro”. O material resultante desse processo é um produto granulado, com baixos valores de patógenos, respeitando-se a resolução Conama 375 para aplicação em solos de lodos de ETEs.

    O sistema é dividido em três módulos: zona de alimentação e dosagem do lodo; zona de processo de secagem e classificação granulométrica; e zona de geração de vapor e tratamento e água.

    A primeira foi planejada para recebimento e estocagem do lodo desaguado. A zona de secagem e classificação granulométrica promove a adição dos químicos e aditivos, a secagem térmica do lodo, o tratamento dos gases de evaporação gerados e, por fim, uma seleção granulométrica do lodo seco para identificar lodos ainda úmidos que deverão retornar ao início do processo de secagem. A zona de geração de vapor é responsável por promover o tratamento de água e a geração do vapor utilizado na etapa de secagem.

    O projeto piloto foi instalado na ETE Águas da Serra, em Limeira-SP, por um período de 28 dias, em que desaguavam cerca de 2 t/dia de lodo. Os resultados atingidos mostraram ser possível produzir um lodo final que atenda às exigências do Conama e às necessidades requeridas pela agricultura para uso como fertilizantes.



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