Saneamento

Novo marco legal do saneamento trará segurança jurídica – ABIQUIM

Quimica e Derivados
8 de maio de 2020
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    Impacto no setor químico – A Comissão Setorial de Saneamento e Tratamento de Água da Associação Brasileira da Indústria Química – Abiquim também acredita que a aprovação do PL ampliará os investimentos público e privado no setor e, com isso, haverá a possibilidade de empresas privadas promoverem o aprimoramento das tecnologias e implantarem etapas adicionais de tratamento que garantirão e ampliarão o princípio de múltiplas barreiras nas plantas em operação e também, e principalmente, nas futuras plantas.

    Por meio de nota técnica, a Comissão esclarece que água de qualidade e esgotos tratados são fundamentais para a saúde e o bem-estar do ser humano. Os produtos e processos desenvolvidos pela indústria química garantem a pureza da água, tratam o esgoto, podem proporcionar o seu reúso e evitam a contaminação de mananciais.

    A possibilidade de entrada de novas empresas no setor de saneamento básico no Brasil pode promover benefícios ao segmento químico, pois será preciso construir novas estações de tratamento, ampliar a rede de tubos e conexões de PVC, além do consequente aumento na demanda de produtos usados para o tratamento de água e efluentes.

    Essa posição do setor químico como um fornecedor para soluções no saneamento e tratamento de água e efluentes é confirmada pelo vice-presidente e gerente-geral da Ecolab Brasil, Orson Ledezma. Segundo o executivo, o crescimento do mercado pode gerar inovações e há dois anos a empresa tem se preparado para a expansão do saneamento básico no Brasil. Esse investimento no mercado brasileiro incluiu a inauguração de um Centro de Inovação na cidade de Campinas, no interior do Estado de São Paulo. “Os setores que tem crescimento são acompanhados pelo desenvolvimento de tecnologias em produtos, modelos ou serviços para atender este crescimento”.

    Química e Derivados - Vice-presidente e gerente-geral da Ecolab Brasil, Orson Ledezma

    Vice-presidente e gerente-geral da Ecolab Brasil, Orson Ledezma

    O executivo lembra que o aumento no saneamento terá como consequência a disponibilidade um maior volume de água de reúso, que não poderá ser usada para o consumo humano e deverá ser destinada à utilização industrial. “Nesse caso é preciso traçar um mapa para a gestão da água nas unidades fabris, que precisam se adequar para usar esse tipo de água”.

    A utilização da água de reúso nas plantas industriais já é empregada no setor químico, caso do Polo Petroquímico do Grande ABC, cujo o abastecimento é realizado pelo Aquapolo, considerado o maior empreendimento do Hemisfério Sul para a produção de água de reúso industrial, que pode fornecer 650 litros por segundo, volume equivalente ao consumo de água potável de uma cidade com 300 mil moradores. Cerca de 85% desse volume são destinados ao Polo Petroquímico.

    A água de reúso é produzida a partir do esgoto tratado. Esse efluente, que seria devolvido à natureza nas condições exigidas pela legislação, passa por novos tratamentos que tornam o produto próprio para uso industrial: filtração, ultrafiltração para retenção de sólidos e bactérias, e osmose reversa – para redução de salinidade e outros elementos.

    Estrutura para expansão do saneamento – Além do investimento em produtos e novas soluções, o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados – Abiclor, Martim Afonso Penna, lembra que para o País alcançar as metas de saneamento estipuladas no Plansab será necessário ampliar a estrutura de tubulações para fazer o transporte da água e dos efluentes entre as residências e as estações de tratamento, o que também demandará tubulações de PVC. “57% da composição do PVC é cloro”, explica.

    Química e Derivados - O diretor executivo da Abiclor, Martim Afonso Penna

    O diretor executivo da Abiclor, Martim Afonso Penna

    O executivo lembra que, segundo o estudo – Indicadores Econômicos e Sociais da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados e o Impacto do Preço da Energia na Produção e Investimento – da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicos – FIPE e da Abiclor, a rede de tubulações de PVC no Brasil, que em 2012 era de 542.500 quilômetros, precisaria ser elevada para 613.400 km em 2033, também é necessário realizar a manutenção de 381 mil km de tubulações nos próximos 13 anos.

    Para atender essa demanda, seria necessário aumentar em 700 mil toneladas por ano a produção de cloro no Brasil, volume 40% maior do que a produção atual, que em 2019 foi de 1 milhão e 575 mil toneladas. “É um volume equivalente à produção de duas grandes fábricas, que poderiam ser construídas no País”, afirma.

    No entanto, o executivo da Abiclor tem o receio de que a falta de competitividade prejudique a indústria local e o insumo que seria utilizado possa ser importado. “A matéria-prima do setor é sal, água e energia elétrica. O sal e água temos disponível, mas a energia elétrica, se você não tiver um preço competitivo de energia elétrica por quilowatt-hora, será difícil competir com o produto importado. É necessário um preço competitivo de energia que poderá ser traduzido em toda a cadeia de valor”, conclui.

    Outro resultado para o setor de cloro está no aumento do volume da produção destinado ao tratamento de água. Em 2019, 3,4% do cloro produzido no Brasil teve esta finalidade, “com a expansão do saneamento esse índice pode chegar a 5%”, finaliza.



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