Nova Indústria Brasil NIB: Tocando em frente – ABIFINA

A Nova Indústria Brasil (NIB), política lançada pelo governo federal em janeiro, representa um marco histórico para a neoindustrialização do País – crescimento da indústria impulsionado pelas novas tecnologias e a sustentabilidade. A proposta vai ao encontro do que a Abifina acredita e aproveita os diferenciais positivos do Brasil no mundo, como um vasto território, uniformidade de idioma, democracia, diversidade étnica, falta de conflitos com outras nações, matriz energética limpa e biodiversidade.

Com um investimento previsto de R$ 300 bilhões até 2026, a NIB visa aproveitar de forma estratégica esses ativos para revitalizar a indústria nacional, promovendo inovação, competitividade e presença global.

A Nova Indústria Brasil traça um plano ambicioso para o futuro da indústria brasileira, com metas e ações concretas até 2033. A política reconhece a interdependência dos diversos setores da economia e propõe soluções abrangentes que beneficiam toda a cadeia produtiva. Coloca o setor na vanguarda da Indústria 4.0, investindo em pesquisa, desenvolvimento e capacitação profissional. A sustentabilidade é um pilar fundamental, com foco na descarbonização, na bioeconomia e na eficiência energética. A NIB também reconhece a importância da colaboração entre governo e setor privado.

A nova política é bastante bem-vinda desde a sua construção colaborativa, antecedida pela reativação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), em abril do ano passado, após sete anos sem atividade. O colegiado é responsável pela NIB e envolveu a sociedade civil em oficinas que criaram a base do que vemos agora. A Abifina participou de todo esse processo. Em verdade, ainda antes das eleições, levamos propostas para os candidatos à Presidência da República. Abrimos diálogo com o governo de transição. Várias das nossas defesas foram contempladas na Nova Indústria Brasil (NIB).

Aspectos importantes da Nova Indústria Brasil (NIB)

Alguns pontos merecem ser destacados. Uma das seis missões da política é termos um Complexo Industrial da Saúde resiliente para reduzir as vulnerabilidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliar o acesso da população à Saúde. Isso está na pauta permanente da Abifina. A meta é aumentar a participação da produção nacional de 42% para 70% das necessidades de medicamentos, vacinas, equipamentos médicos e outros. O maior desafio é reduzir a dependência das importações de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs).

Acreditamos que essas ações irão fortalecer o SUS, que é um exemplo para o mundo. Ele é primordial para cerca de 160 milhões de brasileiros que são totalmente dependentes dele. Ter uma produção industrial em pleno vapor na área de insumos e medicamentos que possam ser disponibilizados em larga escala via SUS é uma forma de atender e cuidar das pessoas. Isso significa fazer valer garantias constitucionais.

Outra missão importante da NIB para nosso setor se refere às cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais para a segurança alimentar, nutricional e energética. Está previsto o financiamento com recursos não reembolsáveis para produtos ou embalagens de defensivos e fertilizantes que contenham nano ou biotecnologia. A Nova Indústria Brasil (NIB) traz oportunidades para a cadeia química de forma geral, com incentivos para soluções tecnológicas que reduzam a emissão de gases do efeito estufa, biocombustíveis, cosméticos, bioinsumos, hidrogênio verde e outros.

Tocando em frente - ABIFINA ©QD Foto: iStockPhoto
Marcus Soalheiro é presidente do Conselho Administrativo da Abifina

Também é importante comentar a transformação digital da indústria para ampliar a produtividade. Ela assume, entre vários pontos, uma função primordial que é a capacitação profissional, especialmente nas áreas de tecnologias da informação e comunicação. Recentes publicações discutem a falta de mão de obra qualificada e o desafio do aprendizado contínuo no mercado de trabalho brasileiro. Esse é um objetivo de longuíssimo prazo. Afinal, além da formação superior, precisamos falar da importância da educação básica e do desenvolvimento contínuo de competências para atender às demandas de um cenário em constante transformação.

Recente artigo do professor Fábio Guedes questiona qual a universidade necessária para contribuir com a NIB, destacando a importância da universidade pública brasileira no desenvolvimento nacional e a necessidade de um grande debate sobre seu papel. O momento é propício para tais reflexões. Junto com a capacitação profissional, a Abifina acredita que a pesquisa científica deve induzir novas visões de negócios, aliando universidade e indústria para criarem inovações que beneficiem a sociedade. É a academia e o setor produtivo em sinergia e num mesmo propósito, qual seja, o crescimento e o desenvolvimento do País.

Esperamos que a Nova Indústria Brasil nos coloque em um caminho de evolução constante, pois a indústria é a base de um sólido desenvolvimento socioeconômico, como vemos nas nações mais avançadas. A Abifina e a indústria da Química Fina brasileira há 37 anos trabalham incansavelmente junto com os diferentes governos para consolidar uma produção nacional autônoma e robusta. Entre altos e baixos nas últimas décadas, a indústria brasileira vem se sustentando com resiliência. É hora de ir além. Seguimos pavimentando essa estrada que, neste momento, tem grandes possibilidades de avanços e conquistas. E assim seguiremos… tocando em frente!

Texto: Marcus Soalheiro*

*Marcus Soalheiro é presidente do Conselho Administrativo da Abifina – Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades.

Combate à pirataria de defensivos agrícolas - Abifina ©QD Foto: iStockPhoto

ABIFINA

A Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (ABIFINA) trabalha há 36 anos pelo desenvolvimento do parque industrial do setor no Brasil comprometida com a transparência, a ética e o avanço econômico nacional.

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