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Vencedor do Prêmio Nobel de Química em 2016, Sir J. Fraser Stoddart, encerra o Seminário Abiquim de Tecnologia e Inovação

ABIQUIM
13 de novembro de 2017
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    Petróleo e biomassa como fontes de matéria-prima

    No painel ‘Soluções Tecnológicas da Química para o Setor de Óleo & Gás’, o engenheiro químico da Petrobras, Rodrigo Pio, lembrou que não existe produção de óleo e gás sem produtos e tecnologia química. Ele apresentou uma inovação desenvolvida em parceria com a Braskem, que usa o isopropilbenzeno (cumeno) com adição de biodiesel para a remoção dos depósitos orgânicos de poços de petróleo e seus acessórios que promovem a elevação do petróleo.

    O professor do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), da Universidade de São Paulo (USP), Edmilson Moutinho, fez uma análise sobre a atual matriz energética brasileira. Segundo Moutinho, o pré-sal já representa cerca de 50% da produção de óleo e gás no Brasil. “O óleo e o gás ocuparão um grande papel na matriz energética. O pré-sal é um motor de demanda para as inovações da indústria química”, avaliou.

    A cientista de Pesquisa e Desenvolvimento da Oxiteno, Jaqueline Martins de Paulo, destacou que a empresa tem quatro centros de pesquisa no mundo, sendo que um deles está localizado em Mauá. A empresa também tem parcerias com universidades para o desenvolvimento de inovações. Jaqueline apresentou o projeto desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) para a formulação de emulsões, por meio de um modelo termo dinâmico, que diminui o número de testes para o desenvolvimento do produto.

    O chefe de Serviços Técnicos da Clariant para América Latina, Antonio Pedro Oliveira Filho, explicou que mais de 90% da produção de petróleo no Brasil ocorre no offshore. A necessidade de entregar produtos no tempo e na embalagem correta geraram o desenvolvimento da tecnologia Veritrax, sistema de gerenciamento de dados e de entrega de matérias-primas que permite o monitoramento remoto dos campos e desenvolvida pela empresa nos Estados Unidos. “Essa tecnologia permite monitorar os tanques em campos remotos, essas informações são enviadas por transmissão sem fio para um sistema de armazenamento na nuvem e ela possibilita controlar remotamente a dosagem do material utilizado para fazer o tratamento e a produção no poço de petróleo”.

    O gerente de Desenvolvimento de Negócios do setor de Óleo & Gás da Solvay, Eder Torres, contou sobre dois produtos renovados para atender às demandas das extrações no pré-sal. O Solef PVDF, usado em risers e umbilicais (tubulações usadas em poços de petróleo) para evitar que os fluídos sejam permeados para as camadas mais externas, o que pode causar corrosão, passou por uma renovação feita para aguentar alta temperatura, pressão e salinidade. E as novas formulações para o THPS, biocida usado para conter a corrosão, permitem que seja usado de forma contínua.

    “A tecnologia também auxilia as empresas a desenvolverem produtos de acordo com as necessidades dos clientes” contou o gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Dow para América Latina, Fabio Zanetti. Ele explicou que os poços de petróleo são diferentes entre si e por essa razão foi criado um software para ajudar no desenvolvimento de emulsificantes de acordo com a necessidade de cada poço. A moderação do painel foi feita pelo coordenador da Comissão de Tecnologia da Abiquim e gerente executivo de Inovação e Engenharia da Elekeiroz, Rafael Pellicciotta.

    No painel ‘Desafios da Biotecnologia Industrial no Brasil’ a gerente da American Chemical Society (ACS) no Brasil, Denise Ferreira, apresentou o trabalho desenvolvido pelo Chemical Abstracts Service (CAS), uma divisão da ACS, que detêm a maior base de dados do mundo de trabalhos científicos e patentes industriais de química. Segundo ela, o Brasil é apenas o 47º colocado em um ranking, desenvolvido pela Scientific American World View, com os países mais importantes na área de biotecnologia, que tem como critérios: a propriedade intelectual, a quantidade de investimentos em P&D, a disponibilidade de capital de risco e suporte, força de trabalho e empreendedorismo, além da presença de fundações ou associações que incentivem a biotecnologia.

    Em sua apresentação, o diretor de Pesquisa e Inovação da Solvay, Gabriel Gorescu, explicou que a companhia desenvolveu um indicador para medir a porcentagem de produtos sustentáveis vendidos, o índice está em 43% e a meta da empresa é chegar a 50% em oito anos. Ele lembrou que o principal concorrente dos bioquímicos como fonte de energia e matéria-prima ainda é o petróleo. “Quando ele está barato, o investimento em biomassa diminui e seu desenvolvimento se torna dependente da visão da companhia”.

    O diretor executivo de Saúde, Segurança e Regulatórios da Amyris, Giani Valent, contou como a empresa de origem americana usa a biologia sintética para sintetizar produtos encontrados em plantas, animais ou no petróleo, usando fontes sustentáveis e biotecnologia para transformar a cadeia de carbono. Suas principais aplicações são as áreas de saúde e bem-estar, compostos orgânicos e materiais de alta performance. “Dessa forma é possível ter um produto mais estável e com características que possam ser repetidas”.

    O presidente executivo da ABBI, Bernardo Silva, afirmou que o Brasil precisará de 120 biorrefinarias para atender aos compromissos do País com o Acordo de Paris. Silva ainda lembrou que é necessário estimular a demanda por produtos de baixo carbono. “O Brasil está defasado na bioeconomia em relação à regulação, nível de pesquisa e produção, mas temos a biomassa com o preço mais competitivo no mundo”. O painel foi moderado pelo gerente do Instituto Senai de Inovação em Biossintéticos, Paulo Coutinho.



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