Nobel de química 2020 destaca técnica de edição de DNA

O prêmio Nobel de Química de 2020 pode ser explicado pela reprogramação dessas “tesouras genéticas” de forma a editar qualquer molécula de DNA controladamente e em sítios pré-determinados

O Prêmio Nobel de Química de 2020 foi concedido às pesquisadoras Emmanuelle Charpentier, do Instituto Max Planck de Berlim, Alemanha, e Jennifer A. Doudna, da Universidade da Califórnia em Berkley, EUA.

O trabalho delas se notabilizou por desenvolver ferramentas para edição do código genético dos seres vivos, com efeitos em campos diversos, como terapias oncológicas e a criação de variedades de plantas resistentes a doenças e adversidades climáticas.

Tecnologias para a edição do ácido desoxirribonucleico (DNA) como PCR (polymerase chain reaction) e o uso de enzimas de restrição vêm sendo utilizadas para o isolamento, síntese e inserção in vitro de fragmentos de DNA em organismos.

Exemplos do uso dessas tecnologias são encontrados na síntese de proteínas recombinantes ou nos estudos de engenharia de proteínas.

O sistema CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Palindromic Repeats) foi descrito em 1987 como uma série de repetições curtas interespaçadas no genoma de Escherichia coli e corresponde ao sistema imunológico bacteriano, denominado CRISPR/Cas, capaz de clivar materiais genéticos exógenos, de onde veio a analogia a uma “tesoura genética”. No entanto, pesquisas sobre esse sistema só foram iniciadas nos anos 2000, segundo a revista Science.

O sistema CRISPR tipo II é o melhor caracterizado dentre os três sistemas conhecidos e é composto por uma nuclease – Cas9 (a enzima capaz de clivar o material genético); um arranjo crRNA, o qual codifica a fita guia de RNA com o auxílio de outra fita de RNA (tracrRNA) – cuja função foi descrita pela agora laureada Emanuelle Charpentier, que descobriu o tracrRNA ao estudar o Streptococus pyogenes, o patógeno de enfermidades como a faringite bacteriana e a escarlatina. Ela publicou suas descobertas em 2011, como apontou a fundação Nobel.

A fundação também informou que Charpentier nesse mesmo ano iniciou uma colaboração com Jennifer Doudna, com a qual buscou os componentes moleculares do sistema CRISPR/Cas.

Por isso, a pesquisadora americana foi igualmente laureada neste ano.

O prêmio Nobel de Química de 2020 pode ser explicado pela reprogramação dessas “tesouras genéticas” de forma a editar qualquer molécula de DNA controladamente e em sítios pré-determinados, ferramenta que pode aplicado na agricultura, possibilitando o desenvolvimentos de organismos geneticamente modificados com resistência a pestes e condições climáticas adversas, por exemplo, e também na área médica com a possibilidade de evitar doenças hereditárias.

 



 

Referências:

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios