Química

Neutralizadores podem complementar tratamento

Marcelo Furtado
21 de outubro de 2008
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    As formas de reação dos neutralizadores, aliás, dão margem a algumas dúvidas no mercado. Isso porque há uma certa diferenciação de divulgação entre os neutralizadores e um tipo de produto denominado encapsulador, o qual teria a capacidade de “encapsular” (por atração física e não química) as moléculas de odor. Após isso, por ser um produto orgânico, o odor encapsulado desceria ao nível do chão sendo degradado pelas bactérias do meio ambiente.

    Ocorre que há quem considere esse tipo de produto apenas um oxidante, que provoca uma reação ácido-base. É o caso de Aurélio Nunes Oliveira, diretor de operações da Glotec Controle de Odores, representante no Brasil da canadense- americana Ecolo, produtora de neutralizadores à base de terpenos (óleos essenciais) e aminas. Para Oliveira, basta analisar a formulação desses produtos para ver que eles são muito enérgicos, com pH alto (12 a 13,5) e oxidantes como o clorato de sódio.

     Química e Derivados, Aurélio Nunes Oliveira, diretor de operações da Glotec Controle de Odores, representante no Brasil da canadense- americana Ecolo, Neutralizadores podem complementar tratamento

    Aurélio Nunes Oliveira nao acredita em encapsulamento de odor

    A linha da Ecolo-Glotec, segundo Oliveira, também oxida os odores, mas por via indireta, com pH de 6,5 a 7. As aminas catalisam a reação de oxidação do enxofre e se regeneram. Nesse caso, os óleos essenciais orgânicos, com as aminas inorgânicas como catalisadoras, são capazes de reagir quimicamente com as moléculas de odor (gás sulfídrico, compostos organossulfurosos e carboxilados, hidrocarbonetos, mercaptanas e amônia) até formas estáveis e inodoras. Com as reações, os átomos de oxigênio, carbono e hidrogênio se recombinam formando água e dióxido de carbono e os compostos nitrosos e sulfetos se transformam em nitratos e enxofre.

    Além dessas empresas que trabalham de forma exclusiva com controle de odor, os grandes grupos especializados em tratamento de água e efluentes também contam com tecnologias desse tipo para aliar aos seus fornecimentos. São os casos de empresas tradicionais como as norte-americanas GE Water and Process Technologies e Nalco.

    A GE divide seus produtos para odor em três grupos: neutralizantes, inibidores e seqüestrantes. Os primeiros são formulações com óleos essenciais para odores que não sejam os de sulfetos de hidrogênio (compostos de nitrogênio, acetonas e aldeídos, perfumes etc). Já os inibidores são tratamentos para H2S à base de enzimas e de uma fonte de nitrogênio, nutriente preferencial das bactérias depois do oxigênio e antes do enxofre dos sulfatos. Com a preferência pela fonte de nitrogênio, essa última tecnologia evita a formação de gás sulfídrico resultante das bactérias redutoras de sulfato. Já as enzimas desses sistemas de inibição ajudam as bactérias a se manterem saudáveis e a repararem as membranas celulares danificadas, melhorando o transporte de nutrientes, formando CO2 em vez de H2S ou amônia e ainda aperfeiçoando a remoção de DBO.

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    Alexandre Moreira: GE usa inibidores, sequestrantes e neutralizadores

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    Marcelo Gurgel: água precisa ser bem tratada para nao afetar controle

    Já os seqüestrantes da GE reagem com o sulfeto de hidrogênio (H2S) formado na água, neutralizando-o em compostos estáveis e organossulforados, impedindo que o gás contamine o ar. Segundo o líder de aplicações de produtos, Alexandre Moreira, normalmente esses seqüestrantes são aplicados no processo produtivo ou para complementar os sulfetos remanescentes da inibição de odor. “Fazemos muitos sistemas com os dois produtos”, disse.

    A outra grande do ramo, a Nalco, além da aplicação de neutralizadores de odor na área industrial, também enfatiza o uso desses produtos na sua área de conforto institucional, a Environmental Hygiene Services, para ambientes interiores em prédios de hotéis, empresas etc. De acordo com o responsável por essa área, Marcelo Gurgel, são empregados também neutralizadores com óleos essenciais, cuja dosagem precisa ser muito bem conduzida. “A água da diluição dos sistemas necessita ser tratada com cuidado suficiente para evitar a proliferação de bactérias causadoras de legionelose”, explicou. O fato de a Nalco ser especializada em água ajuda, portanto, na expertise.

     

    Confira a matéria principal: Controle de odor


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