Controle de Odor: Neutralizadores no tratamento

Neutralizadores podem complementar tratamento

Mesmo não sendo o coração de um sistema de controle de odor, mas apenas um complemento ou uma opção para problemas menores, os produtos químicos empregados para neutralização ou “encapsulamento” das moléculas responsáveis pelo mau cheiro têm nichos de mercado cujo potencial de vendas atrai novos competidores.

Recentemente, pelo menos mais duas empresas passaram a comercializar no Brasil essas soluções: a Ecosorb, de São Paulo, especializada em atendimentos de emergência, e a Wastec, de São Caetano do Sul, ambas representando produtos estrangeiros.

A Ecosorb começou em 2008 a vender no Brasil um produto norte-americano que, por coincidência, era seu homônimo, ou seja, também se chama Ecosorb, apesar de não possuir nenhum parentesco e ser de propriedade da empresa OMI.

“Eles já comercializam o produto há quinze anos no mundo todo e apenas no ano passado fomos saber da sua existência”, revelou o gerente de desenvolvimento de negócios, Kleber Nascimento.

A iniciativa partiu da necessidade da Ecosorb de contar com um produto próprio para seus clientes na área de emergências.

Química e Derivados, Kleber Nascimento, gerente de desenvolvimento de negócios, Kleber Nascimento: produto Ecosorb é feito com insumos atóxicos
Kleber Nascimento: produto Ecosorb é feito com insumos atóxicos

“Muitos atendimentos que fazemos precisam de uma solução imediata para controlar o odor”, disse Nascimento.

O produto, uma fórmula que reúne óleos essenciais de plantas, emulsificantes de grau alimentício e água ultrapura, tem a capacidade de aumentar em 300 vezes o poder de absorção da água.

Com isso, ao ser aspergido o produto diluído, a água absorve as moléculas de odor.

Quando caem no chão, as bactérias se encarregam de biodegradá-las. Segundo ele, trata-se de um encapsulamento.

Uma vantagem do seu sistema, de acordo com Nascimento, é sua atoxicidade, o que ele sempre comprova aos seus clientes aspergindo o produto em sua boca como se fosse um antisséptico bucal.

Aliás, a forma de aplicação contempla opções de alta pressão, quando a área é grande e demanda mais de 20 bicos; por baixa pressão, para áreas menores; por ventiladores; ou em água de lavadores de gases.

Química e Derivados, Produtos aspergidos podem neutralizar ou 'encapsular' odores, Neutralizadores podem complementar tratamento
Produtos aspergidos podem neutralizar ou ‘encapsular’ odores

Os sistemas de bombeamento e de bicos são montados pela Ecosorb e normalmente vendidos aos clientes.

Para a diluição, a empresa recomenda água isenta de minerais e de cloro, ocasiões em que a proporção do produto pode ser minimizada.

Mas, caso a água seja a de abastecimento público, não há problema: aumenta-se a concentração. A diluição média, que também se baseia no tipo do odor, é de 1:400.

A outra nova concorrente da área, a Wastec, também representa uma empresa norte-americana, a Hinsilblon, que utiliza uma combinação de óleos essenciais e produtos etoxilados.

Segundo o gerente-geral Antonio Öberg, seu neutralizador já foi nacionalizado, com base em uma fórmula com dez componentes, produzido por uma empresa terceirizada.

O sistema de diluição e aplicação pressurizada (40 a 45 kgf) com bicos foi criado por sua equipe técnica, o qual normalmente é vendido para os clientes.

As principais aplicações têm sido em tratamento de esgoto, para combate do odor do gás sulfídrico (H2S), na indústria agroquímica, de ração animal e em processadores de lixo hospitalar, que chegam a produzir o odor de cadaverina.

Química e Derivados, Antonio Öberg, gerente-geral, Neutralizadores podem complementar tratamento
Antonio Öberg: produto também abate cadaverina de lixo hospitalar

“Neste último caso, instalamos nas chaminés, nas áreas das autoclaves e de recebimento”, disse.

Para todas as aplicações, a Wastec emprega praticamente a mesma formulação (OC 915), em diluições de 1:5 a 1:200, dependendo da intensidade do odor, com preço médio de R$ 30 por quilo.


Segundo Öberg, para provocar a neutralização do odor, a fórmula pode reagir de cinco formas:

1) por adsorção, na qual as moléculas odoríferas aderem às do neutralizador, passando a integrar uma molécula maior sem cheiro;

2) por absorção, quando o odor se dissolve e se torna parte de um composto, sem odor; 

3) por pareamento de Zwaademaker, quando pares de moléculas, combinados no estado de vapor, cancelam o efeito de odor;

4) por combinação, quando no vapor as moléculas têm mais probabilidade de se colidirem e reagirem, formando compostos diferentes; e

5) por oxidação, íons hidróxido e oxigênio disponível no ar ionizam ou oxidam as moléculas de odor, tornando-as atóxicas, inofensivas e biodegradáveis.


As formas de reação dos neutralizadores, aliás, dão margem a algumas dúvidas no mercado. Isso porque há uma certa diferenciação de divulgação entre os neutralizadores e um tipo de produto denominado encapsulador, o qual teria a capacidade de “encapsular” (por atração física e não química) as moléculas de odor.

Após isso, por ser um produto orgânico, o odor encapsulado desceria ao nível do chão sendo degradado pelas bactérias do meio ambiente.

Ocorre que há quem considere esse tipo de produto apenas um oxidante, que provoca uma reação ácido-base. É o caso de Aurélio Nunes Oliveira, diretor de operações da Glotec Controle de Odores, representante no Brasil da canadense- americana Ecolo, produtora de neutralizadores à base de terpenos (óleos essenciais) e aminas. Para Oliveira, basta analisar a formulação desses produtos para ver que eles são muito enérgicos, com pH alto (12 a 13,5) e oxidantes como o clorato de sódio.

 Química e Derivados, Aurélio Nunes Oliveira, diretor de operações da Glotec Controle de Odores, representante no Brasil da canadense- americana Ecolo, Neutralizadores podem complementar tratamento
Aurélio Nunes Oliveira nao acredita em encapsulamento de odor

A linha da Ecolo-Glotec, segundo Oliveira, “também oxida os odores, mas por via indireta, com pH de 6,5 a 7. As aminas catalisam a reação de oxidação do enxofre e se regeneram.”

Nesse caso, os óleos essenciais orgânicos, com as aminas inorgânicas como catalisadoras, são capazes de reagir quimicamente com as moléculas de odor (gás sulfídrico, compostos organossulfurosos e carboxilados, hidrocarbonetos, mercaptanas e amônia) até formas estáveis e inodoras.

Com as reações, os átomos de oxigênio, carbono e hidrogênio se recombinam formando água e dióxido de carbono e os compostos nitrosos e sulfetos se transformam em nitratos e enxofre.

Além dessas empresas que trabalham de forma exclusiva com controle de odor, os grandes grupos especializados em tratamento de água e efluentes também contam com tecnologias desse tipo para aliar aos seus fornecimentos.

São os casos de empresas tradicionais como as norte-americanas GE Water and Process Technologies e Nalco.

A GE divide seus produtos para odor em três grupos: neutralizantes, inibidores e seqüestrantes. Os primeiros são formulações com óleos essenciais para odores que não sejam os de sulfetos de hidrogênio (compostos de nitrogênio, acetonas e aldeídos, perfumes etc).

Já os inibidores são tratamentos para H2S à base de enzimas e de uma fonte de nitrogênio, nutriente preferencial das bactérias depois do oxigênio e antes do enxofre dos sulfatos. Com a preferência pela fonte de nitrogênio, essa última tecnologia evita a formação de gás sulfídrico resultante das bactérias redutoras de sulfato.

Já as enzimas desses sistemas de inibição ajudam as bactérias a se manterem saudáveis e a repararem as membranas celulares danificadas, melhorando o transporte de nutrientes, formando CO2 em vez de H2S ou amônia e ainda aperfeiçoando a remoção de DBO.

Já os seqüestrantes da GE reagem com o sulfeto de hidrogênio (H2S) formado na água, neutralizando-o em compostos estáveis e organossulforados, impedindo que o gás contamine o ar.

Segundo o líder de aplicações de produtos, Alexandre Moreira, normalmente esses seqüestrantes são aplicados no processo produtivo ou para complementar os sulfetos remanescentes da inibição de odor. “Fazemos muitos sistemas com os dois produtos”, disse.

A outra grande do ramo, a Nalco, além da aplicação de neutralizadores de odor na área industrial, também enfatiza o uso desses produtos na sua área de conforto institucional, a Environmental Hygiene Services, para ambientes interiores em prédios de hotéis, empresas etc.

De acordo com o responsável por essa área, Marcelo Gurgel, são empregados também neutralizadores com óleos essenciais, cuja dosagem precisa ser muito bem conduzida.

Química e Derivados, Marcelo Gurgel, Neutralizadores podem complementar tratamento
Marcelo Gurgel: água precisa ser bem tratada para nao afetar controle

“A água da diluição dos sistemas necessita ser tratada com cuidado suficiente para evitar a proliferação de bactérias causadoras de legionelose”, explicou.

O fato de a Nalco ser especializada em água ajuda, portanto, na expertise.

 

Confira a matéria principal: Controle de odor

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.