Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Negro-de-fumo – Queda de vendas e de preços força indústria a promover ajustes

Domingos Zaparolli
15 de abril de 2009
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    Química e Derivados, Léa Sgai, Gerente de marketing e serviços técnicos da Cabot Latin America, Negro-de-fumo

    Léa Sgai: produção regional supre a maior parte das aplicações

    A crise na indústria do negro-de-fumo, como não poderia deixar de ser, reflete a crise entre os produtores de pneus. Em dezembro de 2008, a produção de pneus encolheu 45% no país, acompanhando a queda na produção de veículos automotores. No primeiro trimestre de 2009, como resultado da decisão do governo de reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a indústria automobilística passou a emitir sinais de recuperação. Ocorre, porém, que ninguém sabe ao certo como ficará o mercado automotivo quando o IPI voltar a ser cobrado integralmente, fato previsto para julho. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em abril, divulgou uma projeção de produção para 2009, estimando em 2,86 milhões de unidades, uma queda de 11,2% em relação aos 3,22 milhões de automóveis produzidos em 2008. Mas a queda na produção de pneumáticos pode ser ainda maior, uma vez que aproximadamente 30% da produção brasileira, antes da crise, era destinada ao mercado externo e não há sinais de recuperação no curto prazo.

    O setor se preocupa também com a possibilidade de um aumento da importação de pneus, principalmente oriundos da China. Antes mesmo da crise, essa expansão já era uma realidade. A participação de importados no mercado brasileiro de pneus de carga, usados por caminhões e ônibus, por exemplo, saltou de 0,4% em 2004 para 11% em março de 2008. Os negócios com negro-de-fumo nos mercados de plásticos e tintas também se retraíram. Ana Paula Rezende, da Evonik, relata que, principalmente em relação aos fabricantes de tintas e plásticos que atendem aos pedidos da indústria automobilística, os negócios praticamente pararam entre novembro e fevereiro e apenas em março houve uma retomada, ainda tímida, nas vendas.

    Química e Derivados, Thomas Ochs, Diretor da Evonik, Negro-de-fumo

    Thomas Ochs: fábricas antecipam paradas para manutenção

    Antes da eclosão da crise, o mercado mundial de negro-de-fumo vivia uma corrida expansionista. Agora há excesso de capacidade produtiva e plantas produtivas estão sendo desativadas na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, o excesso de capacidade também preocupa. Planos de expansão foram congelados. Por ora, há até rumores – não confirmados pelos entrevistados – sobre fechamento de unidades produtivas. Certo é que a conjuntura restritiva tem levado os fabricantes de negro-de-fumo a aperfeiçoar estratégias e refazer planos. Thomas Ochs, da Evonik, por exemplo, informa que a empresa optou por desligar reatores, uma medida que leva dias, e antecipar a manutenção dos mesmos, reduzindo custos operacionais no momento, preparando-se para quando houver uma retomada dos negócios. “Além disso, estamos olhando com lupa nosso processo produtivo e administrativo em busca de oportunidades de redução de custos e melhoria de processos”, diz o executivo. José Carlos Dreux, da Columbian, também relata uma atenção especial na análise de processos em busca de maior eficiência e redução de custos. “O mercado está muito competitivo e opera com margens estreitas. O momento é de trabalhar da forma mais enxuta possível, sem comprometer a qualidade”, diz o executivo.

    Especialidades – Cabot, Columbian e Evonik utilizam no Brasil o processo produtivo furnace black, também conhecido como de fornalha, que processa de forma contínua num reator derivados de petróleo e/ou gás natural, tendo como resultado o negro-de-fumo. É o sistema mais utilizado no mundo, abrangendo todas as necessidades de produção para aplicações em borracha e uma grande variedade de aplicações em pigmentos. As três empresas adotam a estratégia de complementar suas linhas de produtos com a importação de negro-de-fumo para aplicações especiais, voltadas principalmente para o mercado de tintas.

    Na unidade brasileira da Columbian, informa José Carlos Dreux, são produzidos cerca de 30 tipos diferentes de negro-de-fumo. Um destaque é a linha Copeblack, desenvolvida no laboratório central da Columbian na América do Sul, em Cubatão, com o objetivo de atender os mercados de tintas e plásticos. “Hoje suprimos com a produção local quase todas as demandas de negro-de-fumo dos mais diversos segmentos usuários”, diz o executivo. A única exceção, informa Dreux, fica por conta do negro-de-fumo em pó pós-tratado com ozônio ou oxidação, destinado a aplicações especiais em tintas. Neste caso, a empresa traz o produto de sua unidade norte-americana. Dreux acredita que o laboratório da Columbian em Cubatão é um dos grandes diferenciais competitivos da empresa no Brasil. “Temos condições de realizar um trabalho de desenvolvimento do produto com base na aplicação, conforme a necessidade do cliente”, afirma o executivo. O foco do trabalho de desenvolvimento tecnológico da Columbian está na melhoria do desempenho da relação custo/benefício, principalmente proporcionando redução do tempo de mistura do negro-de-fumo nos processos dos clientes, encurtando o tempo de produção.

    Na Cabot, informa Léa Sgai, a conjunção das produções no Brasil, Argentina e Colômbia também consegue atender a um amplo leque de aplicações. Mas a empresa complementa sua linha de produtos com importações das unidades na Europa e Estados Unidos para atender a aplicações específicas em tintas, tintas gráficas e plásticos. São importados negros-de-fumo nobres, como o grau FDA, os condutivos, os tratados, os com alto poder tintório, e os indicados para cura e proteção ultravioleta. “Nosso diferencial mercadológico é fornecer o produto certo para cada aplicação e para cada necessidade de mercado. Para isso, temos laboratórios de aplicação nos Estados Unidos e Europa a serviço de nossos clientes e prontos para ajudá-los a atender às necessidades específicas”, diz Léa Sgai.



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