Negro de Fumo – Linhas especiais oferecem alto desempenho

Química e Derivados, Negro de Fumo: Linhas especiais oferecem alto desempenho com dispersão mais fácil e redução de custo total

Negro de Fumo – Linhas especiais oferecem alto desempenho com dispersão mais fácil e redução de custo total

As instabilidades políticas e econômicas do país se propagam como ondas varrendo todos os setores da atividade produtiva nacional.

Os efeitos demoram mais a aparecer à jusante, no campo dos insumos químicos, por exemplo, mas acabam se manifestando.

Apesar de ser altamente versátil e de difícil substituição, o negro de fumo começa a perceber os apertos por que passam seus consumidores diretos, a produção de plásticos e de tintas, no caso dos produtos especiais (não commoditizados).

O mercado para os produtos dos clientes encolhe, as decisões de investimento são adiadas e a pressão para reduzir custos não sai da cabeça dos empresários, assumindo o ar de ordem do dia nas fábricas. Nem mesmo o argumento técnico (e lógico) de investir um pouco mais no insumo para reduzir o custo total de produção é acatado, transformando as negociações comerciais em meros ajustes de preços.

“Os clientes querem produtos baratos, porém com desempenho elevado; só que não dá para fazer milagre, a tecnologia avançada tem um custo mais alto que precisa ser remunerado”, comentou Léa Sgai, gerente de marketing e serviços técnicos de negro de fumo da divisão sul-americana da Cabot Corporation.“Um negro de fumo mais caro pode ser processado com mais facilidade, gastando menos tempo e eletricidade, resultando em um custo de produção mais baixo para o cliente”, explicou.

Léa salienta a ampla gama de produtos com características variadas, como tamanho de partículas e complexidade de estrutra, que compõe a linha de negros de fumo especiais. Para ela, não é o momento de introduzir novos tipos diferentes, mas de promover sutis modificações, de modo a obter vantagens na dispersão mais fácil do material nos meios desejados. “Já temos uma quantidade enorme de grades de negro de fumo entre 12 e 75 nanômetros, com estruturas diferenciadas, não adianta desenvolver mais produtos com outros tamanhos e estruturas, não se conseguirá agregar mais valor ao que já se tem”, afirmou.

Torna-se relevante, nessa situação, oferecer tipos e subtipos especiais, admitindo contato direto com alimentos (aprovados pelo FDA), para sistemas solvente ou de base aquosa, especificamente. “Um problema adicional é a falta de normas oficiais para várias aplicações, a exemplo dos tubos plásticos para condução de água potável”, apontou.

Em tempos bicudos, reaparecem tendências regressivas nos segmentos de plásticos e de tintas, os maiores consumidores de negros de fumo especiais. “Nessa hora, muita gente que compra dispersões ou masterbatches resolve comprar o negro em pó para atender as suas necessidades”, informa a gerente. “Porém eles não tem equipamentos e tecnologia para fazer isso com eficiência”, recomendou.

A tendência de uso de pigmentos pré-dispersos na produção de tintas é mundial e se explica pela economia gerada, pela limpeza da fábrica – que fica livre de pó preto. “Temos grades com tratamento superficial com alta dispersabilidade, com baixo consumo de dispersantes, capazes de oferecer vantagens em poder tintório, subtom azulado e outros, mas isso é melhor avaliado por quem produz dispersões pigmentárias e masterbatches”, verificou.

Na produção de tintas, por exemplo, o gargalo das fábricas está na capacidade dos moinhos. Há pigmentos que precisam passar por oito a doze horas em moagem para melhor aproveitamento de suas características. Quando um fabricante de tintas quer ampliar a produção, ele passa a comprar dispersões prontas, eliminando o gargalo imediatamente. “Não basta apenas dispersar, mas produzir dispersões estáveis, isso exige muito conhecimento do processo”, afirmou.

Nessas condições, a tendência normal é de aumentar o número de empresas que produzem as dispersões e os masterbatches para fornecer a terceiros. São especialistas no assunto, capazes de valorizar melhor a qualidade do negro e fumo.

Do ponto de vista econômico, Léa verifica que há clientes sofrendo com a crise, mas há outros obtendo lucros e promovendo investimentos. Até a variação cambial gera resultados diferentes, conforme a posição na cadeia produtiva. “O real desvalorizado é bom para quem exporta, mas muitos insumos são importados, anulando essa vantagem”, avaliou. Segundo informou, o setor automobilístico é o que mais usa negros de fumo fornecidos pela Cabot. O insumo entre na tinta, nas borrachas e pneus, mas também nas pastilhas e lonas de freios, adesivos, plastissóis para a parte inferior dos carros, e nos plásticos usados em profusão. Como a indústria nacional de carros está sofrendo muito com a conjuntura econômica, bem como a da construção civil, a tendência é de aperto das vendas do pigmento. “Ainda bem que o negro de fumo é muito versátil e atende outros mercados que não sofrem tanto, há investimentos em curso, por exemplo, em novos equipamentos para a produção de masterbatches para plásticos”, comentou.

No cômputo geral, a variação cambial não reduziu a concorrência no negro-de-fumo. “Continuamos enfrentando concorrentes de todos os cantos do mundo, quando a concorrência é saudável, com qualidade e responsabilidade ambiental, tudo bem”, afirmou. A Cabot mantém fábricas em Mauá-SP, na Argentina, Colômbia e México (Altamira), suprindo a demanda regional. “Alguns grades são feitos apenas nos Estados Unidos, por questões técnicas, de tipo de reator e de volume de mercado”, explicou.

Química e Derivados, Araújo: desenvolvimento de produtos é global e constante
Araújo: desenvolvimento de produtos é global e constante

Tempo de recuperar – “Não podemos deixar que o ar da crise nos contamine, há muitas oportunidades de negócio no mercado e precisamos nos preparar para a retomada da atividade econômica”, enfatizou Douglas Silva Araújo, coordenador de vendas da divisão de negócios de negros de fumo especiais para a América do Sul da Birla Carbon, empresa do grupo Aditya Birla.

Araújo espera que a realização das duas maiores feiras de negócios dos dois maiores segmentos consumidores de negros de fumo na América do Sul tragam alento a esses mercados, alavancando negócios. É o caso da Feiplastic (4 a 8 de maior, no Anhembi, em São Paulo) e da Abrafati 2015 (13 a 15 de outubro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo).

No momento, ele percebe que a produção de plásticos, maior consumidor de especialidades, segue muito afetada pela insegurança dos empresários quanto à cotação do dólar e aos desdobramentos da Operação Lava-Jato, de combate à corrupção. “Os negócios estão sendo feitos mais em regime spot, com entrega imediata, do que sob contrato, com maior previsibilidade”, comentou. Isso transfere para o produtor o custo de carregar os estoques (e o portfólio de negros especiais é amplo) para que nenhum cliente fique sem suprimento.

“Estamos carregando esse custo, com grande flexibilidade no atendimento, provando aos nossos clientes que somos uma fonte confiável e segura”, comentou. “Esperamos que, quando a situação se acalmar, os clientes valorizem esse esforço.” Ele prevê que a conjuntura se torne mais tranquila a partir do segundo semestre deste ano.

O especialista avalia que o momento não é adequado para travar guerras de preços e que o atendimento a todos os segmentos de mercado está mantido, mas o foco das atenções está nos itens mais sofisticados, que demandam mais serviços e suporte técnico. Em contrapartida, tem preço mais elevado.

No mercado de tintas, Araújo identifica uma demanda estável, com poucas variações de volume e de qualidade demandada. “O setor automotivo é um grande cliente, usa grande volume de tinta preta e demanda muita tecnologia de ponta, exigindo desenvolvimento constante de produtos”, avaliou. Atualmente, o setor busca negros de fumo de alta compatibilidade com sistemas aquosos, com fácil dispersão. Essa tônica já é realidade na pintura OEM e está se expandindo na repintura, embora as oficinas tenham alguma resistência a deixar de lado as formulações de base solvente. “A repintura ainda é um campo que demanda novos produtos”, disse.

Para a Feiplastic, a Birla preparou dois lançamentos. O primeiro é um novo negro de fumo especial para tubos de condução de água potável, em fase de aprovação pelas autoridades europeias, Estados Unidos e Brasil (FDA e Anvisa). “A troca das adutoras de cimento pelas de polietileno de alta densidade ajudará a reduzir as perdas de água tratada, mas esses tubos precisam ser pretos, para absorver a radiação ultravioleta e durar por 20 anos, pelo menos”, explicou Araújo. Mas esses insumos precisam ser aprovados pelos órgãos sanitários, pois entram em contato direto com água. “O Brasil não tem norma oficial para fabricação desses tubos, mas recomenda-se usar produtos aprovados para contato com alimentos, isentos de metais pesados, por exemplo.”

A Birla já possui um grade específico para essa aplicação, mas identificou uma demanda no Brasil por negro de fumo de baixa absorção de umidade. “É um requisito de um fabricante local de compostos para tubos que vamos atender com esse lançamento”, salientou. Além dessa característica, esse negro de fumo também proporciona a formação de superfícies perfeitamente lisas, sem rugosidades. O insumo será produzido na unidade da companhia instalada na Coreia do Sul, enquanto o produto atualmente usado nessa aplicação vem da Aleamanha.

O outro lançamento da Birla na Feiplastic será o Condutex K-Ultra, também produzido na Coreia do Sul, um negro de fumo condutivo, porém com baixa estrutura (menor absorção de óleo) e, por isso, com maior índice de fluidez, propriedade que facilita seu processamento, sem prejudicar a condutibilidade elétrica.

A companhia ainda não definiu qual será a sua vedete para a Abrafati. Araújo acredita que negros de fumo mais adequados para sistemas aquosos tenham prioridade nesse feira.

“O importante é mantermos os trabalhos em andamento, pois o desenvolvimento de um negro de fumo demora de dois a cinco anos, caso esse processo pare, quando houver uma recuperação da demanda estaremos defasados”, recomendou. “Além disso, esse negócio é globalizado, o Brasil está andando devagar, mas outros países estão em se desenvolvendo rapidamente.”

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