Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Negro de Fumo: Importação de Pneus enfraquece demanda e ameaça produção local

Marcelo Fairbanks
6 de maio de 2013
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    Esse entrevistado apontou a disparidade de preços do gás natural, cujo preço na porta de fábrica no Brasil fica entre US$ 14 e US$ 15 por milhão de BTU. Na Argentina, esse preço não passa de US$ 6, na Colômbia fica abaixo disso, enquanto nos Estados Unidos se fala em US$ 3 a US$ 4. Para ele, os preços praticados pela Petrobras estão alinhados com os da Europa, mas muito distantes dos valores cobrados nos EUA e na Ásia. Também o preço dos termoplásticos, usados para a produção dos masterbatches, está muito além da concorrência mundial, inibindo os negócios nesse ramo. Como explicou essa fonte: os concentrados coloridos são feitos por aqui, pois os volumes são relativamente pequenos e é mais difícil acertar a cor desejada pelos clientes, mas os produtos brancos e pretos estão sendo importados em grandes volumes.

    Por sua vez, Dreux avalia que o preço do negro de fumo na saída da fábrica (FOB) pode ser considerado competitivo. “Quando se adicionam os impostos e os custos logísticos subsequentes, o preço dispara”, considerou. Para ele, a falta de competitividade das matérias-primas, principalmente o gás natural, é um problema sério para o setor. “Mas o que está prejudicando o setor é a importação de pneus”, enfatiza.

    Ele explicou que o resíduo aromático e o gás natural são craqueados conjuntamente dentro de um reator tubular, sob condições específicas, com reação interrompida mediante a passagem por chuveiros de água. Separadores do tipo ciclone isolam o negro de fumo do gás residual, ainda com algum teor combustível. O negro passa por operações sucessivas de concentração e recebe aditivos para ganhar estrutura adequada às aplicações previstas. Enquanto isso, o gás residual é enviado para uma caldeira que gera vapor para acionar uma turbina de cogeração elétrica, capaz de sustentar a planta de Cubatão-SP com um pequeno excedente que é comercializado.

    “Poderíamos aumentar nossa receita de cogeração se pudéssemos contar com um volume maior de gás natural com preço adequado”, afirmou Dreux. Para ele, na situação atual, mais importante até do que gerar receita, está o fato de a cogeração garantir a estabilidade do processo produtivo, que poderia ser afetada por apagões ou por variações na qualidade da energia suprida pela rede. Nesses casos, a instalação operaria independentemente da rede.

    A unidade de Cubatão da Birla Carbon/Columbian Chemicals opera há 58 anos e, embora tenha passado por várias manutenções e atualizações, está recebendo investimentos na ordem de US$ 50 milhões nos próximos quatro anos para modernização. “O foco agora está direcionado para a sustentabilidade nos critérios de Segurança, Saúde Ocupacional e Meio Ambiente, mas pode ser que isso permita também um pequeno aumento de produção pela melhoria da eficiência geral do processo”, considerou.

    A empresa também opera a unidade de Camaçari-BA, inaugurada em 2007 e considerada a mais moderna fábrica de negro de fumo do mundo. A Birla Carbon/Columbian Chemicals afirma ser a maior produtora mundial do insumo, com uma capacidade global de mais de 2 milhões de t/ano. A capacidade de produção instalada no Brasil é de 267 mil t/ano (segundo dados do anuário da Abiquim).

    A Cabot também afirma deter cerca de 2 milhões de t/ano de capacidade mundial de produção. Na América do Sul, conta com aproximadamente 300 mil t/ano, com fábricas na Argentina, na Colômbia e no Brasil (115 mil t/ano, segundo a Abiquim). A companhia informou, em seu relatório anual para o ano fiscal dos EUA de 2012 (setembro de 2011 a outubro de 2012), o aumento de sua capacidade produtiva mundial em 50 mil t/ano, nos sites da Europa, Argentina e Indonésia. Há planos para a ampliação de capacidades em 120 mil t/ano na América do Sul, Ásia e Europa. Em 2013, deve ser inaugurada a fábrica de Xingtai (China) para 130 mil t/ano (poderá chegar, no futuro, a 300 mil t). Em 2009 e 2010, porém, foram fechadas duas fábricas, uma na Europa e outra na Índia.

    Na avaliação da alta diretoria da empresa, as vendas de pneus na Europa Ocidental em 2012 foram as piores dos últimos três anos, e também afetaram os volumes negociados no primeiro trimestre do ano fiscal de 2013 (outubro, novembro e dezembro de 2012). Com isso, as vendas de negro de fumo como material de reforço caíram 3% em volume. Nesse período, porém, as vendas do insumo cresceram 5% na China; e 6% na América do Sul.

    Além da Birla Carbon/Columbian Chemicals e da Cabot, a Orion compõe a trinca de fabricantes locais. Formada após a venda dos negócios da Evonik com negro de fumo em 2011, a Orion recebeu uma estrutura de negócios mundialmente estabelecida, com fábricas instaladas nos Estados Unidos, Europa, Brasil e Ásia, perfazendo uma capacidade produtiva aproximada de um milhão de t/ano. No Brasil, a unidade de produção de Paulínia pode fabricar 100 mil t/ano (dados da Abiquim), e está rodando cheia, segundo o gerente de marketing da empresa, Álvaro Lopes.

    Todos os fabricantes nacionais usam a tecnologia de produção por fornalha (furnace), considerada a mais efetiva para a produção dos tipos usados em pneus, com flexibilidade para a produção de alguns modelos especiais, que apresentam valor mais elevado no mercado, embora tenham pequeno volume de demanda.

    “O negro de fumo não é uma commodity, pois não existe uma contratipagem perfeita entre os diferentes grades, mesmo os classificados na norma ASTM, usados em pneus e borrachas”, explicou Dreux, da Birla Carbon/Columbian Chemicals. Daí a necessidade de fazer ensaios e aprovar o produto em cada cliente e aplicação, para verificar se não há alterações na performance do produto final, seja ele um pneu ou uma tinta.



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