Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Nanotecnologia – Tecnologia ganha aplicações, mas avança devagar no Brasil

Jose P. Sant Anna
15 de maio de 2012
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    Hoje, a Nanotech conta com seis outras fórmulas de revestimentos dotadas com nanopartículas. Entre elas, as de tintas acústicas. “Um milímetro do produto passado em uma parede tem o mesmo poder de redução de emissão de sons de uma camada de 50 milímetros de lã de rocha”, informa. O produto é indicado para várias aplicações, como auditórios, salas de reuniões, teatros e cinemas, entre outros. A empresa também oferece revestimentos que reúnem as duas propriedades, são termoacústicos.

    A Nanotech conta com dezesseis colaboradores, muitos dos quais técnicos pós-graduados. As vendas ainda são tímidas. “O mercado em que atuamos ainda é muito pouco explorado no Brasil”, diz Faria. A estrutura da empresa permite a produção de 300 toneladas por mês. O objetivo do empresário, além de desenvolver novas fórmulas, é aumentar de forma significativa tal capacidade. Para isso, tem conversado com uma multinacional alemã, com a qual pretende firmar acordo em breve. “A parceria já está 70% acertada”, revela. Em paralelo, ele pensa em montar um time de franqueados especializados na aplicação das tintas.

    Purificação de efluentes – Transcorria o ano de 2006 e o grupo nacional Ecotech, de Valinhos-SP, voltado para remediações ambientais, pensava em diversificar seus negócios. Foi ao campus da Universidade de Campinas-SP (Unicamp) e lá encontrou duas patentes resultantes de estudos voltados para o meio ambiente, uma sobre oxidação avançada de poluentes e outra sobre materiais absorventes com partículas nanométricas.

    Revista Química e Derivados, Carla Veríssimo, Ecotech Tratch, absorção de corantes nas indústrias papeleira e têxtil

    Carla: fórmula nanoestruturada absorve poluentes descartados

    As patentes foram adquiridas e incorporadas por uma nova empresa do grupo, a Tratch, especializada em novas tecnologias. A pesquisa sobre os materiais absorventes, realizada entre 2008 e 2010, resultou no lançamento do Dept, fórmula nanoestruturada fornecida em suspensão ou pó. Trata-se de material sintético, feito em laboratório, aplicado para o controle de efluentes. O Dept pode ser usado na absorção de sólidos ou em sistemas aniônicos. “Uma aplicação com ótimo potencial de mercado é a da absorção de corantes nas indústrias papeleira e têxtil”, exemplifica Carla Veríssimo, coordenadora de pesquisa e desenvolvimento do grupo. O produto também pode ser aproveitado para a coagulação e floculação de impurezas.

    De acordo com Carla, o interesse das indústrias nacionais pelo Dept é grande. “Os similares são importados”, justifica. Hoje, a capacidade de produção se mostra suficiente para atender à demanda, mas há projeto de expansão das linhas em breve. “Nosso centro de pesquisa customiza as aplicações, trabalhamos de acordo com as necessidades dos clientes”, enfatiza.

    Desde o ano passado, novas formulações vêm sendo desenvolvidas. O objetivo é lançar aditivos para diferentes materiais. Entre eles, antiácidos para PVC, retardante de chamas ou reforço para propriedades mecânicas de polímeros. “No ano que vem, novidades devem chegar ao mercado”, informa.

    Pesquisa e desenvolvimento – No Brasil, até hoje, quase toda a iniciativa da pesquisa e desenvolvimento de nanociência e nanotecnologia coube ao governo federal. A primeira ação ocorreu em 2001, com a criação, pelo ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), de quatro redes de estudo. Elas envolveram cerca de setenta institutos de ensino e pesquisa em várias frentes. Os trabalhos progrediram com a criação, em 2003, do Programa de Desenvolvimento da Nanotecnologia e Nanociência, também do MCT.

    Outras redes foram formadas ao longo dos anos. Hoje existem dezesseis institutos e seis laboratórios nacionais dotados de equipamentos voltados para a pesquisa e desenvolvimento da nanociência e da nanotecnologia. Estão em curso no país mais de quatrocentos projetos, nos quais participam mais de dois mil profissionais e estudantes de pós-graduação.

    A produção científica é razoável, mas há uma distância considerável entre a academia e as empresas. Muitas ideias ainda se encontram longe de chegar ao mercado. Entre as empresas nacionais, uma exceção é a Petrobras. Por meio de seu centro de pesquisa e desenvolvimento, a petroleira tem aplicado muitos recursos para desenvolver soluções com nanotecnologia para problemas relativos à exploração de petróleo em águas profundas, entre outras aplicações. De 2006 a 2011, a empresa investiu R$ 43 milhões em estudos do gênero.

    Promessas – Entidades ligadas à indústria prometem agir de forma mais contundente nos próximos anos para reduzir o atraso do país. No final do ano passado, a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) anunciou que as empresas do setor prometem investir US$ 32 bilhões em pesquisa e desenvolvimento até 2020. Deste montante, boa parcela vai contemplar iniciativas voltadas para a nanotecnologia. Se a estratégia será cumprida, quem viver verá.

    Mariana Doria, assessora técnica de assuntos regulatórios da entidade, reconhece a falta de cultura dos empresários brasileiros de investir no desenvolvimento da tecnologia. Para ela, isso não ocorreu nem nos momentos favoráveis; e agora, quando a indústria está passando por uma série de dificuldades, fica mais complicado colocar a mão no bolso.



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    Um Comentário


    1. Enrique Alvite

      Li na revista Galileu sobre a tinta anti-térmica e anti-ruido.Principalmente por esta última característica tenho ineresse em adquiri-la para pintar a casa de máquinas do meu barco.Onde comprar? Enrique



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