Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Nanotecnologia – Tecnologia ganha aplicações, mas avança devagar no Brasil

Jose P. Sant Anna
15 de maio de 2012
    -(reset)+

    Revista Química e Derivados, Formulações com nanopartículas de prata, nanotecnologia

    Formulações com nanopartículas de prata atuam contra micróbios

    A Nanum está desenvolvendo um aditivo para tintas que melhora a resistência dos materiais contra a corrosão. O produto é bastante útil para determinadas aplicações, como a pintura de equipamentos usados em ambientes marinhos. “Já realizamos vários testes internos e agora estamos fazendo alguns externos. Os resultados mostraram uma melhora de até 25% na proteção contra a corrosão”, conta.

    A empresa também trabalha no lançamento de um verniz hidrofóbico, enriquecido com nanopartículas de dióxido de titânio, dotado com a propriedade conhecida como “flor de lótus”. “A água escorre sem molhar a folha”, explica. O verniz pode ser usado em componentes elétricos expostos à atmosfera. “Ele evita o acúmulo de poluição e sujeira, que provocam curtos-circuitos em geradores elétricos”, exemplifica

    As experiências não param por aí. A empresa pesquisa o uso de partículas de titanato de bário com efeito dielétrico elevado na fabricação de supercapacitores. Também desenvolve uma tinta que muda de cor com a elevação da temperatura acima de 120ºC. “O produto permite identificar o superaquecimento de transformadores em instalações elétricas, evitando danos maiores”, explica.

    Para obter sucesso em suas empreitadas, a empresa não tem economizado. Nos últimos quatro anos, foram aplicados muitos recursos para estudos e compra dos equipamentos necessários para montar as linhas de produção. As vendas ainda atingem volumes reduzidos. Mesmo assim, a ideia é atingir o equilíbrio financeiro já este ano, em junho ou julho. “Estimamos o retorno dos investimentos em um prazo de dez anos”, avalia Contadini. Um dado importante: em torno de 97% das receitas da empresa são resultado de exportações.

    Prata – Estudantes da cidade de São Carlos-SP, mais precisamente da Universidade Federal e da Unesp, uniram-se em 2005 e fundaram a Nanox. A empresa, especializada na produção de nanopartículas antimicrobianas à base de prata, começou como incubada e seis meses depois já estava emancipada. Passados sete anos, ela conta com clientes nos segmentos de tintas, embalagens alimentícias, resinas, tapetes e carpetes, polímeros, pisos e revestimentos cerâmicos, assentos sanitários e produtos para a medicina, em especial para consultórios odontológicos. Possui quinze funcionários, um terço dos quais mestres e doutores.

    “Hoje contamos com mais de quinze fórmulas, entre sólidos, líquidos, granulados e formulados”, conta o sócio e presidente Luiz Gustavo Simões. Em torno de 70% do faturamento resulta de vendas realizadas no Brasil. Os 30% relativos às exportações se devem, em boa parte, a negócios realizados no México e na Itália. “Desenvolvemos um bom mercado”, analisa.

    O presidente da Nanox acredita no potencial de mercado dos produtos comercializados. Para ele, as empresas de nanotecnologia, depois de um período de forte alarde no início do século, passaram por momentos onde ficaram um tanto esquecidas. “Durante um período, o setor esbarrou na inexistência de normas regulatórias. Os órgãos de vigilância sanitária de todo o mundo criaram grupos de trabalho para estudar impactos ambientais e na saúde dos trabalhadores envolvidos nas linhas de produção”, diz.

    Revista Química e Derivados, José Floriano Faria, Nanotech, nanopartículas fazem tinta refletir a luz e evitam aquecimento

    Faria: nanopartículas fazem tinta refletir a luz e evitam aquecimento (abaixo)

    Nos últimos cinco anos, as aplicações industriais têm crescido bastante. A empresa não divulga dados sobre sua capacidade de produção, mas garante estar pronta para um aumento substancial de procura pelos materiais biocidas. Uma das preocupações é investir em pesquisa e desenvolvimento. Para tanto, conta com a ajuda de órgãos oficiais de financiamento, casos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por exemplo.

    Revestimentos térmicos e acústicos – José Floriano Faria era um empresário voltado para comércio internacional. Há alguns anos, passou a importar uma tinta reflexiva desenvolvida na década de 60 pela agência espacial norte-americana (Nasa). Apesar do bom potencial de mercado, as vendas do produto por aqui não decolaram. “O preço da tinta era muito elevado”, explicou. Para tentar contornar o problema, Faria começou a importar apenas os componentes químicos e a adicionar água aqui no Brasil. As coisas não melhoraram como o esperado.

    Foi então que, em parceria com o químico Antonio Carlos Storani, ele começou a investir no desenvolvimento de uma fórmula brasileira da tinta. O produto nacional ficou pronto há três anos e tem componentes nanotecnológicos. Ele é usado como revestimento térmico. “Imagine um carro-forte que caminha sob uma temperatura de 40°C. Quando ele tem seu teto pintado com essa tinta, a temperatura interior do veículo diminui 11 graus”, exemplifica o dirigente.

    Revista Química e Derivados, nanopartículas fazem tinta refletir a luz e evitam aquecimentoA empresa mantém a sete chaves os princípios ativos utilizados na formulação. Para colocá-la no mercado foi criada a Nanotech, empresa especializada na aplicação do produto. “No Brasil não havia tecnologia para efetuar as pinturas”, justifica. Com o equipamento desenvolvido, é possível cobrir uma área de 150 a 200 metros quadrados por hora.

    O mercado da construção civil se encontra entre aqueles em que a empresa está de olho. O produto pode revestir prédios comerciais onde a temperatura é controlada, como shopping centers, ou fábricas que não podem se sujeitar às altas temperaturas, como as da indústria farmacêutica, e também serve para revestir tanques de combustível, caixas eletrônicos, silos, aeronaves ou veículos coletivos. A criatividade é o limite para as aplicações. “Um piloto da Fórmula Truck usa nosso material para revestir uma mangueira intercooler. Diminuiu em 20 graus a temperatura da peça, melhorando o desempenho do caminhão.”



    Recomendamos também:








    Um Comentário


    1. Enrique Alvite

      Li na revista Galileu sobre a tinta anti-térmica e anti-ruido.Principalmente por esta última característica tenho ineresse em adquiri-la para pintar a casa de máquinas do meu barco.Onde comprar? Enrique



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *