Química

Nanotecnologia – Revolução tecnológica progride sem alarde

Jose P. Sant Anna
15 de fevereiro de 2012
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    Alimentos “mágicos” – Em determinados segmentos econômicos a preocupação da segurança do consumidor alcança limites extremos. É o caso vivido pela indústria de alimentos. Por isso, nesse campo, produtos dotados com nanotecnologia são raros em todo o mundo. Não significa que grandes empresas do setor estejam desatentas com a disciplina.

    A Brasil Foods, resultado da fusão da Sadia com a Perdigão, é um exemplo. As características que a tecnologia pode vir a proporcionar aos produtos oferecidos nas prateleiras do varejo no futuro podem se converter em enorme competitividade para as marcas oferecidas pela nova gigante do mercado de alimentação. Em especial se levarmos em conta o perfil dos consumidores brasileiros, cada vez mais urbanos, educados, com maior média de idade e poder aquisitivo fortalecido.

    Marcelo Rodrigues, engenheiro de desenvolvimento, explica que por enquanto nenhum produto da empresa dotado com ingredientes nano se encontra disponível no mercado. Para ele, no entanto, uma vez aprovados os lançamentos do gênero em testes que garantam a segurança do consumo, o potencial de mercado é promissor.

    O profissional enumera algumas vantagens oferecidas pela nanotecnologia ao setor, capazes de fazer determinados produtos parecerem ter saído da cartola de um mágico. Podem ser obtidos alimentos mais saborosos, funcionais, com receitas mais nutritivas e que permitam maior facilidade de digestão. Os “inteligentes” resultantes de estudos podem no futuro vir a liberar nutrientes de forma controlada às pessoas. “Um pão pode ser enriquecido com nanocápsulas de óleo de atum, fornecendo ômega 3 a quem o consumir sem prejudicar o sabor”, diz.

    Uma linha que certamente fará muito sucesso se chegar ao mercado é a de alimentos interativos. “A mesma lasanha pode ganhar sabor bolonhesa ou quatro queijos, dependendo da intensidade de temperatura com a qual for aquecida no forno de micro-ondas”, explica. Outra possibilidade é a da indústria oferecer produtos customizados. “Um médico pode detectar deficiência nutricional no paciente e este poderá ir ao supermercado e comprar um alimento reforçado com o elemento de que necessita.”

    Rodrigues enaltece o papel a ser exercido no futuro pelas embalagens reforçadas com partículas nano. “As embalagens podem proporcionar maior vida útil aos alimentos, contar com sensores de qualidade do produto. Também poderão ser fabricadas com economia de matéria-prima, gerando economia e proteção ao meio ambiente.”

    De acordo com Adriana Regina Martin, gerente de inovação e conhecimento da Brasil Foods, a empresa se preocupa bastante com o desenvolvimento de tecnologia. Prova disso é o novo centro de pesquisa e desenvolvimento, em fase final de construção na cidade de Jundiaí-SP. “Estamos investindo R$ 59 milhões no projeto, que será referência do setor na América Latina”, garante.

    A gerente explica uma estratégia diferenciada adotada pela empresa para se aproximar dos estudos realizados na universidade. Ela criou o portal www.inovacaobrf.com.br, onde acadêmicos podem apresentar projetos de pesquisa que julguem ser de interesse para o mercado. As propostas passam por diferentes etapas de avaliação e, se aprovadas, são bancadas. O portal entrou no ar em meados do ano passado. Foram apresentados trabalhos de mais de 130 acadêmicos. “Até agora duas propostas foram aprovadas e estão em execução. Outras quatro foram pré-aprovadas e estão sendo avaliadas”, informa Adriana.

    Na farmácia – O setor farmacêutico é apontado pelos cientistas como um dos maiores beneficiados pelo avanço da nanotecnologia. É grande o número de lançamentos de modernos medicamentos dotados com a técnica nos próximos anos. A despeito de vultosas quantias investidas pelos laboratórios de todo o mundo para o desenvolvimento das fórmulas, a velocidade da chegada das novidades é reduzida. Qualquer medicamento é exaustivamente analisado antes de ser liberado para o consumo. Os testes podem demorar anos.

    A Biolab, empresa com capital totalmente nacional, oitava no ranking do Brasil, aplica 10% de seu faturamento em inovação. A empresa já lançou seu primeiro produto com nanopartículas, um protetor solar com fator de proteção 100. “Ele é indicado para pessoas com problemas de pele ou cicatrizes recentes, que não podem de forma alguma ficar expostas ao sol”, informa Dante Alario Junior, presidente científico do laboratório.

    A descoberta de remédios diferenciados proporciona objetivos ambiciosos. “Nosso desafio é dobrar o faturamento a cada cinco ou seis anos”, revela. Por isso, as pesquisas prometem se intensificar. Um dos investimentos projetados é a inauguração, em 2013, de um centro de pesquisa e desenvolvimento, com investimentos da ordem de R$ 50 milhões. “Queremos lançar duas inovações semirradicais até 2015 e uma radical até 2020”, diz. Por semirradical, ele chama os remédios já existentes que ganham novas características, como a redução de efeitos colaterais ou a maior duração dos efeitos. Os radicais são medicamentos novos, formados por moléculas inexistentes no mundo.



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