Química

Nanotecnologia – Revolução tecnológica progride sem alarde

Jose P. Sant Anna
15 de fevereiro de 2012
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    A estratégia foi adotada a despeito de a empresa não economizar na descoberta de ingredientes e fórmulas. “A inovação é fundamental para competir com a concorrência, 2,7% do faturamento líquido é investido em pesquisa e desenvolvimento”, afirma. Os números demonstram o acerto dessa decisão. “Cerca de 70% de nosso faturamento é obtido com produtos com até três anos de vida”, informa. Isso não significa a paralisação dos estudos em nanotecnologia.

    A Natura continua a investir no desenvolvimento de sistemas nanoestruturados e mantém convênio com vários institutos de ciência e tecnologia. Vanessa reconhece os benefícios proporcionados por produtos dotados com a tecnologia, uma vez eliminados possíveis riscos de uso. Entre eles, melhor controle da liberação e penetração dos elementos ativos na pele e cabelos, e efeito sensorial diferenciado por parte dos usuários. As vantagens também podem chegar às embalagens, que no futuro podem ser fabricadas com nanomateriais de melhor desempenho.

    A gerente também aponta as dificuldades de se trabalhar com a técnica. Uma delas é contar com instrumentos de metrologia eficientes para as minúsculas partículas. Outra é transformar projetos de sucesso obtidos em escala laboratorial em linhas de produção industrial. A falta de uma regulamentação dos produtos, problema mundial, também é barreira a ser vencida. A realização de testes voltados para garantir a não toxicidade das fórmulas não ajuda. A Natura se recusa a fazer testes em animais, outro obstáculo difícil de ser ultrapassado.

    A opinião de Vanessa é bem diferente da de Renata Platcheck Raffin, diretora da Inventiva, empresa de Porto Alegre-RS. Antes do debate, um pouco da história da empresa gaúcha. Em 2008, Renata, que havia terminado o doutorado, e sua amiga Candice Felippi, na época com mestrado recém-concluído, decidiram aproveitar os conhecimentos adquiridos em nanotecnologia em uma empreitada empresarial. “Não queríamos atuar apenas no mundo acadêmico”, conta Renata.

    Elas resolveram investir no mundo dos cosméticos. Ao contarem suas intenções para suas orientadoras na universidade, estas ficaram entusiasmadas com a ideia e a empresa ganhou mais duas sócias. As empreendedoras tentaram criar uma empresa incubada. Mas o projeto era maior do que o aceito para essa modalidade e elas partiram para o mundo dos negócios. Com investimentos próprios, montaram a sede e compraram os equipamentos necessários.

    química e derivados, Renata Platcheck Raffin, diretora da Inventiva, empresa de Porto Alegre-RS

    Renata: consumidores europeus não temem nanopartículas em cosméticos

    A empresa foi fundada em junho de 2008, com o objetivo de produzir ativos cosméticos em nanopartículas para as fabricantes de cosméticos. Esses ativos podem ser usados em cremes, loções, géis e xampus. Eles são oferecidos em nanocápsulas, para proteger os ativos da luz, do ar e de outros componentes das fórmulas. “Usamos ativos cosméticos já bastante conhecidos, como vitamina E, óleo de semente de uva e coenzima q10”, informa Renata.

    De acordo com a diretora, os ativos repassam uma série de qualidades aos cosméticos: espalham-se melhor na pele, oferecem excelente sensação e maior hidratação, entre outras vantagens em relação aos insumos convencionais. “Não produzimos produtos finais para não concorrer com nossos clientes”, explica.

    Os ativos são fornecidos em embalagens de um, cinco, vinte e cinquenta litros. A capacidade de produção da empresa é de 200 kg/dia. “Aproveitamos nossa capacidade ociosa para pesquisar novas linhas”, diz. Logo, será preciso investir na ampliação da fábrica. “Hoje nosso mercado é nacional, mas já providenciamos as licenças para exportar e estamos fazendo parceria com um representante internacional. Nossa meta é exportar para a América Latina em 2012”, informa.

    “Temos produtos voltados para o mercado e exclusivos, feitos por encomenda”, explica. A primeira linha de ativos desenvolvida pela empresa se baseou em pesquisas internas. Ela chegou ao mercado no início de 2010. Ainda no ano passado, foram lançadas mais doze fórmulas. Em 2011, onze. Para 2012, estão previstos mais seis produtos de linha, além dos desenvolvidos a pedido dos clientes.

    Voltando à polêmica. Renata acredita que o pensamento de Vanessa não condiz com a realidade. Ela garante que os consumidores europeus não têm medo dos nanomateriais já bastante usados por importantes empresas, casos do dióxido de titânio e do óxido de zinco. “São produtos totalmente biodegradáveis”, ressalta. Os consumidores temem novos materiais, usados em especial por empresas asiáticas, como a nanoprata e os fulerenos. “Estes insumos não são biodegradáveis”, justifica. O fato de uma partícula ser insolúvel pode provocar acúmulo no organismo e preocupa especialistas. “Eu não usaria um creme com fulereno”, ressalta.

    Renata garante que os insumos da Inventiva não oferecem o menor risco. “A L’Oréal introduziu tecnologia semelhante em 1988 e a Europa consome e confia nos produtos da marca. A Shiseido e a Anna Pegova também usam tecnologia parecida”, revela. Para ela, prova da ausência de toxicidade dos produtos usados se encontra na seriedade dos fornecedores. “Não acredito que empresas como Basf e Merck forneçam dióxido de titânio sem testá-lo exaustivamente”, diz.



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