Química

Nanotecnologia – Revolução tecnológica progride sem alarde

Jose P. Sant Anna
15 de fevereiro de 2012
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    Exceção – Quando o assunto é nanotecnologia, a Petrobras é exceção entre as empresas nacionais. Por meio de seu centro de pesquisa e desenvolvimento, o Cenpes, a companhia tem investido em projetos destinados a diversas aplicações. “Hoje, a Petrobras mantém contatos com mais de 120 instituições nacionais e setenta estrangeiras para a realização de estudos voltados para a área”, informa Lélia Maria Ximenes Lowe, consultora técnica da gerência de tecnologia da avaliação de petróleo.

    A estratégia ganhou força a partir de 2004, quando se tornou obrigatório para a empresa investir 1% de seu lucro em pesquisa e desenvolvimento. Em 2004, essa quantia significava R$ 80 milhões. No ano passado, alcançou os R$ 350 milhões. Ao todo, foram investidos mais de R$ 2 bilhões no período 2005/10. A nanotecnologia conquistou importante fatia desse montante. Entre 2006 e 2010, recebeu R$ 24 milhões. Em 2010, esse número chegou a R$ 8 milhões, valor que subiu para R$ 11 milhões em 2011.

    A primeira medida imaginada foi a aproximação das universidades e a capacitação dos laboratórios. “Fomos às universidades e nos surpreendemos: a estrutura existente era superior à que imaginávamos”, conta Lélia. A partir de 2006, começaram a ser organizados workshops, nos quais a academia teve a oportunidade de mostrar suas linhas de pesquisa e a empresa de falar sobre suas necessidades.

    No final de 2009, surgiram os primeiros resultados concretos, foram idealizados materiais enriquecidos com nanocompostos de carbono, pesquisa capitaneada pela UFMG. Em 2010, com o conhecimento adquirido, a empresa partiu para a formação de uma rede de nanotecnologia. Hoje, dezesseis projetos estão em desenvolvimento em parceria com universidades nacionais, dos quais uns três ou quatro devem “sair do forno” em breve.

    Vários são os objetivos dos estudos. Entre eles, o desenvolvimento de materiais e revestimentos merece destaque. São pesquisadas formulações capazes de reduzir a perda de carga por atrito, proporcionar maior resistência à erosão, ataques químicos e temperaturas extremas e/ou capazes de se “autocicatrizarem”, além dos dotados com propriedades biocidas e contra incrustações. Outra linha de atuação bastante promissora é a de produção de nanossensores para monitoramento ambiental, da qualidade dos produtos e de processos realizados em condições desfavoráveis de pressão e temperatura.

    “Uma das pesquisas mais avançadas em termos de nanotecnologia é a da recuperação avançada de petróleo”, informa Rita Wagner, consultora técnica do Cenpes. A operação visa a melhorar a operação de exploração do petróleo – em geral, as empresas petrolíferas conseguem retirar em torno de 35% do petróleo acumulado em cada poço. Cada ponto percentual de avanço representa lucro significativo.

    química e derivados, Rita Wagner, consultora técnica do Cenpes

    Rita Wagner: nanopartículas ajudam a extrair petróleo dos poços

    Em poços no mar, muito comuns no caso da Petrobras, para o óleo jorrar é necessário pressionar a jazida com água. No caso dos poços explorados na Bacia de Campos, com grande profundidade, a uma distância média de 120 quilômetros da costa, em ambiente bastante agressivo e contando com unidades de produção antigas e com espaço limitado, a ação é das mais complicadas.

    Pior ainda são as condições de exploração nas camadas do pré-sal, em águas mais profundas, em condições naturais muito mais inóspitas e com distâncias da costa que chegam a 300 km. “Existem muitos desafios em que a nanotecnologia pode ajudar, há muita coisa a ser estudada”, resume Rita.

    Cautela e pé na tábua – Uma ciência nova, com imenso campo a ser explorado, costuma gerar controvérsias. Isso ocorre até mesmo entre fabricantes de produtos voltados para o mesmo segmento econômico. A Natura, conhecida fabricante nacional de cosméticos, em 2005 lançou seu primeiro produto enriquecido com nanopartículas, um hidratante corporal. Algum tempo depois, lançou o segundo, um spray corporal para homens.

    A empresa continua a investir em nanotecnologia, mas não no mesmo ritmo dos primeiros anos do século. Demonstra ter muita cautela em relação a novos lançamentos. “Temos grande preocupação com a segurança do consumidor e do meio ambiente”, resume Vanessa Rocha, gerente científica da empresa. A luz amarela para novos empreendimentos acendeu após a divulgação de um estudo feito por cientistas britânicos em meados da década. “Os consumidores europeus demonstram certa preocupação em usar produtos com componentes nano e optamos por não desenvolver novos produtos do gênero até obtermos informações mais detalhadas sobre os efeitos produzidos nos usuários”, relata.

     



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