Química

Nanotecnologia – Revolução tecnológica progride sem alarde

Jose P. Sant Anna
15 de fevereiro de 2012
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    Promessas– Números comprovam a dependência nacional de produtos com maior valor agregado. Em 2011, o setor químico movimentou US$ 158,5 bilhões, contra US$ 128,5 bilhões em 2010. O país é o sétimo produtor mundial do setor. A despeito da posição privilegiada, a indústria nacional é bastante vulnerável quando o assunto recai para produtos com maior valor agregado. O déficit comercial do país no ano ficou na casa dos US$ 25,9 bilhões.

    química e derivados, Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Fernando Figueiredo, presidente da associação, nanotecnologia

    Figueiredo: indústria química promote investimentos até 2020

    Os dados são da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Fernando Figueiredo, presidente da associação, promete reação. “As empresas do setor têm investimentos previstos de US$ 167 bilhões até 2020, dos quais US$ 32 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. A nanotecnologia irá se beneficiar com esses recursos. É uma fronteira que está se abrindo”, garante.

    Nelson Fujimoto, comandante da Secretaria de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), também acredita em dias melhores. Ele baseia seu otimismo no bom momento vivido pela economia, capaz de incentivar os empresários a adotar postura mais agressiva na hora de colocar a “mão no bolso”. “Precisamos inovar para competir, competir para crescer”, defende.

    Fujimoto julga a nanotecnologia como área muito importante para o futuro e lembra que o país conta com algumas experiências interessantes. Destaca os estudos realizados pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com os nanotubos de carbono como experiência vencedora. Os nanotubos de carbono prometem ser a “vedete” desta ciência.

    Vale a pena lembrar um pouco da história da nanotecnologia no Brasil. A primeira iniciativa de peso ocorreu em 2001, com a criação, pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), de quatro redes de estudo. Essas redes envolveram em torno de 70 institutos de ensino e pesquisa e trabalharam em várias frentes. Em paralelo, iniciou-se o investimento de uma infraestrutura de apoio às pesquisas.

    Em 2003, também no âmbito do MCT, foi criado o Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia. Dois anos depois, foram criadas dez novas redes. No ano passado, 17 redes foram iniciadas pelo programa. Todas essas redes tiveram o trabalho terminado. Algumas permanecem com outro formato, como institutos, por exemplo, e caminham com pernas próprias. Em 2011, foi decidida a criação de oito novas redes, seis voltadas para nanotoxicologia e duas de nanoinstrumentação. No próximo ano, as oito devem estar em operação. Além delas, existem três redes regionais.

    O Brasil hoje conta, para realizar pesquisas e desenvolvimento, com dezesseis institutos e seis laboratórios nacionais. Entre eles, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, um dos mais modernos do Hemisfério Sul e que conta com o Centro de Nanociências e Nanotecnologia Cesar Lattes. Foram concluídos ou estão em curso no país mais de 400 projetos, que envolveram mais de dois mil profissionais e estudantes de pós-graduação.

    Alfredo de Souza Mendes, coordenador geral de micro e nanotecnologias do MCT, considera a produção científica brasileira razoável. Para ele, o grande desafio para os próximos anos é aproximar a universidade das empresas. No Brasil, é muito tímido o interesse da iniciativa privada de investir em pesquisa e desenvolvimento. As razões para a falta de diálogo são conhecidas. Não é barato, exige recursos razoáveis e os resultados dão retorno apenas em longo prazo.

    química e derivados, Alfredo de Souza Mendes, coordenador geral de micro e nanotecnologias do MCT

    Mendes: há linhas de crédito para pesquisas, mas a procura baixa

    Uma boa notícia é a existência de linhas de financiamento a juros amigáveis. A má notícia é que esses recursos não têm sido procurados por empresários interessados em desenvolver projetos. De qualquer forma, nos últimos tempos, houve evolução. Em 2006, sete empresas participaram de projetos previstos em editais, hoje esse número chega a 44. De acordo com dados do IBGE, 608 indústrias nacionais estão ligadas de alguma forma à nanotecnologia.

    A falta de informações precisas sobre a participação da iniciativa privada em investimentos na área dificulta o cálculo do total investido no Brasil. Mendes calcula que a verba oriunda do tesouro nacional para o MCT esteja próxima de R$ 6 milhões por ano desde 2009. Recursos vindos de outras fontes devem somar R$ 60 milhões por ano. Ao todo, o investimento está próximo dos R$ 66 milhões/ano. Não é uma quantia significativa, quando comparada com a investida pelos países do primeiro mundo.

    Em 2012, uma novidade deve ser anunciada no âmbito do governo federal. Hoje, além do MCT, outros ministérios e órgãos estatais também investem em projetos de nanotecnologia. Não há coordenação nem diálogo entre os projetos das diferentes entidades. “Nossa expectativa é integrar a gestão a partir do início do ano para utilizar todos os recursos de maneira mais racional”, revela Mendes.

     



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