Laboratório e Análises

Nanotecnologia: Rede de laboratórios estratégicos dá suporte para empresas inovadoras

Jose P. Sant Anna
15 de novembro de 2013
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    A falta de investimentos em tecnologia, no entanto, faz o país ser bastante dependente quando se fala de produtos de valor agregado elevado. O déficit da balança comercial em 2012 foi de US$ 28,1 bilhões. Para reverter esse quadro e colocar o Brasil em quinto lugar no mundo, estão previstos investimentos da indústria da ordem de US$ 167 bilhões até 2020. Desse montante, US$ 32 bilhões serão dirigidos à pesquisa e desenvolvimento. Boa parcela desse total deve contemplar iniciativas voltadas para a nanotecnologia.

    Nanotubos de carbono – Outra boa notícia apresentada no evento foi a aprovação da verba para o início da construção do Centro de Tecnologia de Nanotubos (CTNanotubos). A unidade será instalada na cidade de Belo Horizonte-MG. O projeto já havia sido anunciado há algum tempo, mas levou quase três anos para ser aprovado pelo BNDES. Além do governo federal, ele envolve o governo do estado de Minas Gerais e o BNDES, além de ter apoio da Petrobras e da fabricante de cimentos InterCement, do Grupo Camargo Corrêa.

    Não são poucas as características diferenciadas apresentadas pelos nanomateriais derivados do carbono, entre os quais se destacam, além dos famosos nanotubos, os grafenos e os fulerenos. O nanotubo apresenta extraordinárias propriedades mecânicas, físico-químicas, térmicas, estruturais, ópticas e elétricas. Para se ter uma ideia, ele é vinte vezes mais resistente e seis vezes mais leve do que o aço. As possibilidades de aplicação são inúmeras. Quando adicionado em plásticos ou em cerâmicas, por exemplo, torna esses materiais competitivos em aplicações hoje inimagináveis.

    A capital mineira não foi escolhida por acaso para sediar o CTNanotubos. O departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais é polo importante no estudo dessa matéria-prima. As primeiras pesquisas do país se iniciaram na instituição de ensino, em 1998. No ano 2000, ela se tornou a pioneira no Brasil a produzir nanotubos de carbono em escala laboratorial.

    Ao longo desses quinze anos, vários estudos envolvendo nanomateriais de carbono foram desenvolvidos em distintas instituições brasileiras. Um passo importante se deu em 2008 com a criação do Instituto de Ciência e Tecnologia de Nanomateriais de Carbono, que funciona no departamento de física da UFMG. Ele conta hoje com a participação de dezessete centros de pesquisa e treze instituições de ensino espalhados em oito estados. Em seu time se encontram mais de meia centena de pesquisadores doutores.

    Marcos Assunção Pimenta, coordenador do INCT de Nanomateriais de Carbono e professor da UFMG, enumerou durante o anúncio os principais objetivos do CTNanotubos. Hoje, a produção desse material no Brasil se encontra na casa dos 200 gramas por dia. A meta é elevar a produção diária para a casa dos quilogramas em médio prazo. Outra meta é o desenvolvimento de nanopartículas para a indústria do cimento. “Ao adicionar menos de 0,5% das nanopartículas no cimento, suas propriedades aumentam 50%”, diz o professor.

    Também estão previstos o desenvolvimento de nanocompostos voltados para o uso da Petrobras na exploração de petróleo nas camadas do pré-sal. Existe a expectativa da pesquisa de outros produtos, caso haja interesse de representantes da indústria. “Também vamos oferecer consultoria para o uso dos nanotubos com segurança para o meio ambiente e saúde e desenvolver protocolos”, salientou.

    Convidados – O evento contou com a presença de alguns empresários nacionais responsáveis pelo lançamento de produtos com componentes nanotecnológicos. Eles falaram sobre suas experiências e os resultados obtidos. Tarik Mohallen, diretor da Nanum, tem o que comemorar. Criada em 2003 como consultoria, a empresa em seus primórdios pagava seus funcionários com os valores das bolsas oferecidas por órgãos de fomento à ciência. Em 2005, transformou-se em fabricante de óxidos metálicos cerâmicos.

    Os negócios da empresa foram crescendo em paralelo ao desenvolvimento de novas fórmulas. O trabalho foi focado na pesquisa de dispersões de ferritas em base aquosa, indicadas para tintas magnéticas usadas em impressoras que funcionam pelo sistema de jato de tinta. Os números do faturamento explicam essa evolução. Em 2003, ano de sua fundação, foi de R$ 13 mil. Em 2009, chegou à casa dos R$ 50 mil. Em 2011, ocorreu um salto. As dispersões da empresa agradaram a multinacional norte-americana HP e foi fechado um contrato de fornecimento. Naquele ano, o faturamento saltou para R$ 600 mil.

    Em 2013, a previsão é de US$ 4 milhões. Toda a produção da empresa é exportada, 80% vai para o mercado norte-americano e 20% é dividido entre Europa e Ásia. Um dos objetivos da empresa, agora, é lançar a tinta pronta, já formulada com a dispersão nanotecnológica. Será uma forma de agregar valor à carteira de produtos e dar novo salto nas receitas obtidas com as vendas.

    O setor farmacêutico é apontado pelos cientistas como um dos maiores beneficiados pelo avanço da nanotecnologia. É grande o número de lançamentos de modernos medicamentos dotados com a técnica esperados nos próximos anos. Vale uma observação: a despeito de vultosas quantias investidas pelos laboratórios de todo o mundo para o desenvolvimento das fórmulas, a velocidade da chegada das novidades é reduzida. Qualquer medicamento é exaustivamente analisado antes de ser liberado para o consumo e os testes podem demorar anos.



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