Nanotec – Indústria e pesquisa ensaiam aproximação

 

No Brasil, a distância entre academia e indústria é enorme. Para se ter uma ideia  por aqui, a iniciativa privada contrata apenas 16% dos cientistas formados pelas instituições de ensino superior. Nos países avançados, esse número se encontra na casa dos 80%. Qual a importância de se investir em alta tecnologia? “A pesquisa e o desenvolvimento são diferenciais do desenvolvimento econômico. Em torno de 55% do PIB norte-americano provém da alta tecnologia”, respondeu em sua palestra José Ricardo Roriz, diretor de competitividade e tecnologia da Fiesp.

A relação entre academia e indústria no Brasil foi o tema central da quarta edição da Nanotec, congresso e exposição de nanotecnologia, realizado entre os dias 12 e 14 de novembro, em São Paulo. O evento foi organizado pela Promove Eventos e contou com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, do Finep, Inmetro, ABNT e das entidades patronais Fiesp, Abiquim (indústria química), Abiplast (plásticos), Abit (indústria têxtil), Abinee (elétrica e eletrônica), Abimaq (máquinas) e Sindipeças (autopeças).

Como forma de incentivar o diálogo da ciência com a tecnologia, durante o congresso, vários institutos de ensino tiveram a oportunidade de apresentar seus projetos diretamente aos empresários presentes ao evento. “Com essa iniciativa queremos aproximar as duas partes, para que o Brasil no futuro não se torne tão dependente da importação de produtos nanotecnológicos”, justificou Ronaldo Marchese, presidente da Promove.

O tema foi dos mais pertinentes se avaliarmos o atual cenário. De acordo com pesquisa publicada pela Lux Research, consultoria de negócios voltados para nanotecnologia, em 2007, o mercado de “nanoprodutos” movimentou US$ 88 bilhões somente nos Estados Unidos. Para a consultoria, esse mercado deve atingir a casa dos US$ 3,1 trilhões em todo o mundo em 2015. Qual será a participação do Brasil nesse polpudo nicho de negócios? Caso as coisas continuem como estão, muito pífi a. Por aqui, poucas empresas estão prestando atenção nesse potencial econômico. No país, calcula-se que houve investimento em pesquisa e desenvolvimento de nanotecnologia de R$ 200 milhões nos últimos quatro anos. Em torno de 75% dessa cifra foi disponibilizada pelo governo federal, que conta com programa nacional para desenvolver o tema. A cifra é muito modesta em relação aos investimentos feitos em outros países. A participação da iniciativa privada, muito forte no exterior, por aqui é inexpressiva.

“A nanotecnologia será um fator estratégico para a competitividade dos países no século XXI. E estamos caminhando em passos muito lentos em relação a outros países”, reconheceu Roriz. O diretor da Fiesp informou que a nanotecnologia é considerada política de estado nos Estados Unidos, ela está diretamente ligada ao gabinete presidencial e tem cuidados comparáveis ao do antigo Projeto Apolo, que acabou levando o homem à Lua. Os investimentos governamentais foram superiores a US$ 1,3 bilhão em 2006. Em número de patentes, em 2005, os Estados Unidos já colecionavam 1,3 mil.

Química e Derivados, Têxteis e bens duráveis utilizam nanoprodutos, Nanotec - Indústria e pesquisa ensaiam aproximação
Têxteis e bens duráveis utilizam nanoprodutos

Para o diretor da Fiesp, a mudança no quadro nacional se dará a partir da adoção de algumas atitudes. Uma delas seria o maior incentivo para a formação de técnicos em química, física e de engenheiros. “Na China, de cada cem formandos de nível superior, 40 são engenheiros. No Brasil, a média está entre sete e oito”, disse Roriz. O financiamento da pesquisa e do desenvolvimento deveria ser simplificado. “O governo precisa rever os processos burocráticos que afastam e inibem investimentos privados”, avaliou.

Química e Derivados, José Ricardo Roriz, diretor de competitividade e tecnologia da Fiesp, Nanotec - Indústria e pesquisa ensaiam aproximação
José Ricardo Roriz: burocracia oficial inibe desenvolvimento de pesquisas

O número de empresas interessadas em investir precisa se multiplicar. “Hoje temos poucas empresas com essa preocupação, como Petrobras, Quattor, Braskem, O Boticário, Cedro Cachoeira”, exemplificou. “Temos de agir com urgência. Hoje a nanotecnologia oferece uma oportunidade, amanhã pode virar uma ameaça. O Brasil será dependente se não acordar logo”, resumiu Roriz.

 Revolução – A nanotecnologia representa a quinta revolução industrial. A primeira ocorreu com o avanço da indústria têxtil, em 1800. A segunda, com o avanço do transporte ferroviário, a partir de 1853. A indústria automotiva, em 1913, representou a próxima etapa, seguida pelo advento do computador, em 1969. A opinião foi apresentada por Mario Baibich, coordenador geral de micro e nanotecnologia do Ministério de Ciência e Tecnologia.

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