Meio Ambiente (água, ar e solo)

Nalco é exemplo de grupo com a opção de soluções integradas

Marcelo Furtado
12 de agosto de 2020
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    Química e Derivados - Nalco é exemplo de grupo com a opção de soluções integradas ©QD Foto: iStockPhoto

    A Nalco, empresa do grupo Ecolab, é outro exemplo de grupo com a opção de soluções integradas. Nos últimos cinco anos, a empresa tem conseguido acelerar a assinatura de contratos de uma modalidade de negócios batizada de EMO, da sigla de engenharia, manutenção e operação. Por meio de contratos de cinco a dez anos, a empresa especializada em soluções químicas para tratamento de água e efluentes, com a nova oferta, passa a se responsabilizar por toda a área de utilidades de água dos clientes, das caldeiras, torres de resfriamento e estações de tratamento de efluentes, com soluções integradas que visam otimizar o uso dos recursos hídricos, com remuneração pelo volume tratado.

    De acordo com o consultor sênior da Nalco, Paulo Bohrer, nesse período da oferta no Brasil foram assinados contratos com pouco mais de 20 clientes, sendo que nos últimos três anos a carteira tem dobrado. São indústrias de variados setores, em alimentos e bebidas, laticínios, manufatura, embalagens e cervejarias. Em comum, todas as empresas transferem a operação completa de seus circuitos, obtendo economias no custo com água e energia das utilidades.

    De acordo com Bohrer, essas soluções integradas de tratamento de água, com possíveis fechamento de circuitos, demandam na maior parte das vezes outras tecnologias, com equipamentos e sistemas, o que está cada vez mais possível por conta da queda de preços, por exemplo, das membranas de filtração.

    “Antes, os investimentos não compensavam, tinham o pay-back muito longo. Hoje a situação se inverteu com a queda de preços internacionais dos insumos”, diz. As soluções a que ele se refere são principalmente sistemas para remoção de sólidos suspensos, com clarificadores e ultrafiltração; flotadores para remoção de óleo e graxa; unidades de biorreatores a membranas (MBR) para remoção de matéria orgânica; osmose reversa ou troca iônica para redução de sais dissolvidos.

    Com as tecnologias e a expertise de tratamento químico da Nalco, continua Bohrer, fica mais viável implantar soluções de reúso, principalmente onde o custo de água é muito elevado, como em São Paulo e no Rio de Janeiro, ou em localidades onde há escassez, caso de várias regiões industrializadas no Nordeste. “O reúso e o reciclo tendem a ter pay-back entre dois e quatro anos, com uso de tecnologias avançadas de membranas”, complementa.

    Para atingir as metas de redução de custo, e ser remunerada conforme o acordado por sua operação e manutenção, a Nalco faz modificações na engenharia dos tratamentos, o que inclui a introdução e/ou mudança de equipamentos. Suporta essas ações um departamento de engenharia estruturado ao longo dos anos, com técnicos e engenheiros especializados em equipamentos e em operação de caldeiras, torres e ETEs.

    É comum nesses contratos, por exemplo, investimentos em unidades com membranas, sejam elas de ultrafiltração, se houver necessidade de remoção de sólidos suspensos ou, no caso de sais dissolvidos, demanda de caldeiras, de osmose reversa, abrandadores ou colunas de troca iônica. Isso sem falar em clarificadores convencionais, flotadores, enfim todos os tipos de equipamentos. A equipe da Nalco projeta e contrata no mercado, com concorrências, os sistemas necessários para as melhorias.

    Complementa as intervenções físicas, logicamente, o conhecimento da Nalco nas soluções de tratamento químico, sua especialidade, que atende toda a demanda de tratamento, com anti-incrustantes, inibidores de corrosão, polímeros dispersantes e biocidas. “A ideia é deixar o cliente focado no seu produto e assumir a água, o que para nós é especialidade, portanto com grandes possibilidades de otimização do tratamento”, diz o consultor da Nalco.

    Para Bohrer, os tratamentos são automatizados por meio da tecnologia 3D Trasar, que se baseia no controle e comunicação de dados dos tratamentos, a partir de sensores em campo e PLCs integrados que identificam os marcadores fluorométricos presentes em todos os produtos. “No condicionamento químico da água para as utilidades, hoje o que pesa mais é o controle on-line, já que as tecnologias químicas pouco mudaram”, explica.

    O acompanhamento dos parâmetros dos tratamentos, pelo sistema da Nalco, pode ser programado para envio periódico aos clientes ou acessado pelo computador pessoal. No mundo todo, há 40 mil unidades controladas pelo sistema e, no Brasil, por volta de mil.

    Um exemplo recente de abordagem integrada que redundou em solução de reúso ocorreu na fábrica da Nestlé, em Araraquara-SP. Embora não seja um cliente de operação e manutenção, na unidade de produção de leite em pó foi implementado, como revela Paulo Bohrer, o primeiro projeto de recuperação da chamada água de vaca, ou seja, a água resultante do processo de liofilização do leite.

    Com ações de engenharia que envolveram rearranjos na produção e um estudo para avaliar as possibilidades de aproveitamento, foi possível com o projeto da Nalco o reúso aproximado de 100 mil m3 por ano de água na unidade.

    Como a produção de leite em pó demanda a desidratação por evaporação, a temperatura elevada e o baixo teor de sais, com condutividade inferior a 15 mS/cm, tornaram a chamada água de vaca, em seu primeiro estágio de evaporação, ideal para uso em caldeiras. “É quase como uma água desmineralizada”, diz Bohrer.



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