Tintas e Revestimentos

Mudam os atores no cenário global da área de pigmentos – Abrafati

Antonio C. Santomauro
17 de novembro de 2019
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    A Abrafati 2019 registrou mudanças importantes no setor de pigmentos para tintas, ambos com potencial de alterar o panorama de negócios, tanto no dióxido de titânio, quanto nos coloridos.

    A SunChemical, da DIC Corporation (antiga Dainippon Ink), anunciou recentemente a aquisição global da Basf Pigments, que já havia sido separada dos demais negócios do grupo químico alemão. “Começamos agora o processo de integração, acredito que ele estará concluído até dezembro de 2020, já com todas as aprovações de órgãos oficiais de defesa comercial”, comentou Michael Venturini, diretor de marketing de coatings da SunChemical. Não se espera grande movimentação para venda de ativos, uma vez que os negócios são altamente complementares. “Há alguma superposição apenas no caso dos pigmentos perolados”, avaliou.

    Como informou, a SunChemical atua em três divisões: tintas gráficas, pigmentos e resinas. No Brasil, a companhia atua com pigmentos há apenas oito anos, usando basicamente distribuidores, atendendo clientes globais do porte da Sherwin-Williams, AkzoNobel e PPG. “Já criamos escritório local e estruturas de atendimento próprias”, apontou Venturini. Isso inclui um laboratório de suporte técnico, instalado no Rio de Janeiro, que será transferido para São Paulo até o fim deste ano.

    Química e Derivados - Venturini: com as linhas da Basf, SunChemical assumirá liderança

    Venturini: com as linhas da Basf, SunChemical assumirá liderança

    Com 22 fábricas de pigmentos orgânicos no mundo, cobrindo toda a oferta de grupos cromóforos, o negócio é considerado muito importante para a companhia. “A aquisição da Basf Pigments é um caminho para crescimento, eles nos trazem pigmentos de efeito e produtos industriais muito bons, além de uma presença regional estratégica”, salientou. A Basf mantém produção de pigmentos na China e na Europa, enquanto a Sun possui fábricas no Japão e nos Estados Unidos, além de uma unidade na China, porém com restrições operacionais.

    Venturini aponta grande oportunidade de avançar no mercado brasileiro de tintas decorativas e industriais, embora também olhe com atenção para especialidades voltadas para agropecuária e até balões de látex, segmento no qual tem grande participação, além das tintas em pó, ramo muito dinâmico. A produção automotiva não desperta a atenção do diretor. “Não temos os pigmentos branco e preto usuais, que são as principais cores desse segmento, caso o consumidor opte por comprar carros com outras cores, temos como suprir”, disse. O mercado de tintas curáveis por UV é classificado como interessante e em expansão, mas com limitações de geometria de peças, por exemplo.

    No campo ambiental, Venturini considera que os mercados dos EUA e da Europa estão em fase de mudança, exigindo que os fabricantes químicos se adaptem. “É preciso fabricar direito, não liberar nada para o ambiente, usar água nas formulações, sem desperdiçar; tudo isso eleva custos, mas é necessário acompanhar”, ressaltou. China e Índia estão sofrendo pressões ambientais mais recentes, porém igualmente severas.

    No mercado atual, Venturini aponta alguma dificuldade para a oferta de amarelos, causada por limitações de produção na China. “Temos uma cadeia de suprimentos bem estabelecida e conseguimos atender os nossos clientes”, afirmou.

    Os planos da SunChemical no Brasil são ambiciosos. “Estamos crescendo bem a cada ano, com a Basf Pigments conseguiremos ser o maior fornecedor de pigmentos já em 2020, aliás, seremos o maior do mundo, pois cada empresa tinha faturamento de US$ 1 bilhão por ano”, considerou.



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