Moldes – Ferramentaria nacional encara concorrência de asiáticos

A falta de competitividade e a concorrência vigorosa de moldes estrangeiros favoreceu a “criatividade brasileira”, assim mesmo, entre aspas, e acarretou outro problema: a queda no número de moldes fabricados no país gerou uma acirrada guerra de preços entre as ferramentarias sobreviventes. Fix relata que os clientes criaram um target price, ou seja, um preço objetivo. Segundo ele explica, a nova moda funciona assim: o cliente procura algumas ferramentarias e diz: “eu pago x nesse molde.” E uma dessas aceita a proposta e executa o serviço com o preço aviltado. A baixa rentabilidade, consequência dessa atitude, deixa as empresas sem margem para investir. Além disso, muitas ferramentarias acabam fechando as portas. Preocupado, Fix afirma que esse aperto na rentabilidade agravou o quadro de inadimplência, na opinião dele, um dos mais severos dos últimos tempos.

As ferramentarias ainda precisam lidar com outro sinal de alerta: o seu fluxo de caixa. “É um problema terrível”, adverte Fix. As montadoras lideram um movimento de não dar qualquer sinal para a confecção do molde. Só depois de pronto é que as ferramentarias recebem. “Dificilmente dão sinal, só em casos raríssimos, e ainda demoram para pagar; então o fluxo de caixa da ferramentaria é muito complicado.” Daí tamanha inadimplência. “Não é que eles não queiram nos pagar, é que eles não têm como.” Ainda existem alguns setores que dão sinal, mas a maioria não.

Mesmo difícil de enxergar, ainda há uma luz no fim do túnel, afinal existem diversos empresários que continuam lutando e mantendo a sua empresa. “Individualmente, há ferramenteiros que estão indo bem, porque eles não pegam moldes a preço vil”, pondera. Mesmo diante de tantas dificuldades, ainda existe um espaço para o ferramenteiro nacional. “Quem é pequeno pode até se sair bem em época de crise se descobrir diferenciais.”

Uma área que representa um bom negócio para o setor é a de cosméticos, por conta da fabricação de tampas. Graças à maior distribuição da renda, aumentou a demanda desse mercado, proporcionando desenvolvimento e vantagens aos ferramenteiros que atuam com moldes para tampas de embalagens de cosméticos.

Hoje a ferramentaria brasileira é fraca na confecção de moldes de grande porte e complexos, justamente por falta de investimentos em máquinas. O que pode significar uma grande oportunidade para empresários dispostos a fazer a diferença.

O setor também se animou com o Inovar-Auto, que promete favorecer e impulsionar a produção local. Mas o programa, que prevê benefícios fiscais para as montadoras que lançarem modelos de automóveis com elevado índice de nacionalização de peças, previsto para o início do ano passado, ainda não foi regulamentado. O lado positivo é que isso dá tempo para a ferramentaria brasileira se estruturar para abastecer a demanda, pois, como diz Fix, “se funcionar a pleno vapor, não temos capacidade de fazer moldes para abastecer o mercado”.

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