Mobiliário: Setor moveleiro agrega valor ao laboratório

Fabricantes procuram atender necessidades dos setores químico, físico e biológico e tentam dar maior funcionalidade às peças do mobiliário, que deverão ser adaptáveis ao biotipo do usuário

Fabricantes de mobiliário para laboratórios químicos, físicos e biológicos movimentam o mercado, apostando em novos materiais e conceitos.

A idéia-chave é unir o layout diferenciado à funcionalidade das peças.

A partir dessa estratégia, a indústria de mobiliário se mune de vantagem competitiva frente à concorrência.

Segundo técnicos do setor, os laboratórios são vistos como o cartão de visitas das empresas e por isso, quem não tiver condições de oferecer esse diferencial ao cliente perde fatias significativas do mercado.

Na tentativa de atender essa necessidade, os fabricantes aperfeiçoam as principais peças do mobiliário: bancadas, castelos (prateleiras sobre as bancadas), capela, chuveiro, lava-olhos de emergência, coifas e mesas para balanças, utilizando novas tecnologias e materiais.

Em prol da ampliação da área física dos laboratórios da divisão química de cosméticos da Clariant, a empresa os está renovando.

Química e Derivados: Mobiliário: Belechuk - reforma para mudar ergonomia e evitar má postura e LER.
Belechuk – reforma para mudar ergonomia e evitar má postura e LER.

“Esse espaço funciona como a interface entre o cliente e o produto”, afirmou o químico da Clariant Marcelo Belechuk.

A idéia, de acordo com ele, é aproveitar essa reforma para mudar a ergonomia do mobiliário, evitando a má postura do usuário e lesões por esforços repetitivos (LER).

Esse cuidado vai ao encontro dos dados do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Química, Farmacêutica, Plástica e Similares de São Paulo.

Segundo a médica do trabalho Margarida Barreto, nos últimos anos, o sindicato registrou 2.766 ocorrências de doenças profissionais, das quais 80% são referentes à LER.

Química e Derivados: Mobiliário: Empresas se preocupam em usar materiais duráveis na fabricação.
Empresas se preocupam em usar materiais duráveis na fabricação.

Primeiro lugar entre as patologias, essa lesão é seguida por doenças na coluna, como hérnia de disco, pela perda auditiva induzida por ruídos, e pela asma ocupacional, devido à ação de agentes químicos.

Para mudar esse quadro, no entanto, Margarida aponta uma única solução: mudanças na organização das empresas.

Conforme explicou, é importante alterar o mobiliário do laboratório, a fim de melhorar as condições de trabalho do funcionário. Porém só isso não basta, pois o problema está mais relacionado à sobrecarga de trabalho do que à estética e à estrutura do laboratório.

“O trabalhador sofre muita pressão para aumentar a produção”, alertou Margarida.

Conceitos – Independente da conscientização empresarial, é unânime entre as empresas consultadas a idéia de que mobiliário para laboratório tem de ser versátil.

O Grupo Vidy, por exemplo, em sintonia com essa tendência de mercado, busca oferecer soluções ergonômicas aos clientes.

Ou seja, mecanismos de regulagem que tornam as peças do mobiliário adaptáveis ao biotipo do usuário e ao design dos equipamentos.

Química e Derivados: Mobiliário: Stauffenegger - lançamentos usam estrutura de alumínio e epóxi.
Stauffenegger – lançamentos usam estrutura de alumínio e epóxi.

“O laboratório deve ter vida útil de no mínimo 15 anos”, explicou o diretor técnico do grupo, Sérgio Stauffenegger.

Hoje, é fundamental que o mobiliário, com o passar do tempo, possa ser apenas complementado e não substituído, em decorrência das novas necessidades das empresas.

Outra forma de estender a vida útil do mobiliário é utilizar materiais duráveis na fabricação das peças.

De acordo com Stauffenegger, um dos principais lançamentos da empresa é a linha com estrutura de alumínio e revestimento de epóxi. O objetivo, segundo o diretor, é evitar a corrosão, provocada pela ação do tempo.

Química e Derivados: Mobiliário: Empresas se preocupam em usar materiais duráveis na fabricação.
Empresas se preocupam em usar materiais duráveis na fabricação.

“Apostar na durabilidade das peças é uma forte tendência, pois a maioria das empresas não tem verba para investir no laboratório”, comentou o gerente de produto da Movlab, Wagner Ubeda Perez. Ele explicou também ser de extrema importância otimizar o espaço.

“Os projetos seguem o que o mercado pede, por isso, o mobiliário está clean e funcional”, afirmou.

Novidades – Um dos grandes destaques do setor mobiliário refere-se ao uso de novos materiais para o revestimento de tampos de bancadas e capelas.

Com o objetivo de suprir as exigências de cada tipo de atividade, diversidade é palavra de ordem.

Os materiais tradicionais, como laminado melamínico (mais conhecido como fórmica) e granito, somam-se a outras opções, como polipropileno; aço inoxidável e quartzo natural.

No entanto, à medida que as empresas incorporam novas tecnologias à rotina do laboratório, materiais mais resistentes e versáteis tornam-se produtos

substitutos. Um exemplo é o corian, metilmetacrilato com alto conteúdo mineral, homogêneo e duradouro. Desenvolvido pela DuPont, ele é termomoldável, com porosidade nula e sem emendas perceptíveis entre as placas e cubas, além de possuir alta resistência a produtos químicos, impactos e temperaturas.

Muito utilizado nos Estados Unidos e na Europa, o epóxi também se sobressai. As placas de resina epóxi moldadas em bloco monolítico resistem a altas temperaturas e sem porosidade. “O custo do corian e do epóxi é cerca de duas vezes mais caro que o da fórmica e o do granito, porém o investimento compensa”, comentou o diretor técnico da Promolab, Marcelo de Andrade.

Fabricadas na maioria dos casos em madeira compensada do tipo naval e revestida com laminado melamínico e verniz, as capelas também trazem inovações. Além dos tipos de tampos mais usuais, como a cerâmica antiácida, o aço inoxidável e o polipropileno, há a cerâmica sem emendas. São placas inteiriças que, devido a essa característica, reforçam a proteção contra contaminações e garantem a higiene da capela, por não acumular sujeira nem tão pouco oferecer perigo de falhas no ajuntamento.

Química e Derivados: Mobiliário: Epóxi resiste a altas temperaturas e sem porosidade.
Epóxi resiste a altas temperaturas e sem porosidade.

No quesito segurança também há novidades. As capelas trazem como componente um monitor que informa ao usuário se o sistema de exaustão está funcionando adequadamente.

Ou seja, por meio de um marcador, averigua-se a velocidade frontal (do ar que entra na capela), demonstrando se esta está dentro do limite recomendado pelas normas técnicas internacionais (entre 0,4 m/s e 0,6m/s).

Caso a velocidade esteja acima ou abaixo do índice indicado, um alarme sonoro e visual é acionado, alertando o usuário sobre a existência de produto químico na zona de respiração.

Outro lançamento consiste na cabine de segurança para balanças e microscópios. Em acrílico, a peça garante o isolamento do aparelho, evitando a absorção de produtos nocivos à saúde.

Seguindo o mesmo conceito do monitor de capela, a cabine pode ser conectada a um sistema de exaustão com filtros que retêm as partículas tóxicas, antes que o ar seja jogado à atmosfera.

Influência internacional – Dentro da política de adoção de estratégias diferenciadas, as empresas também se beneficiam da globalização e diversificam o mercado nacional com peças trazidas do exterior.

Prova disso é o acordo de transferência de tecnologia assinado pela Promolab com a espanhola Flores Valles, que resultou no lançamento da FlexLab, linha completa de mobiliário e equipamentos para laboratórios.

As bancadas trazem como diferencial módulos suspensos. Fabricados em madeira de lei compensada (tipo naval com 18 mm de espessura), os módulos são

deslizantes, permitindo ao usuário mudar a posição de trabalho, de acordo com seu critério, e alterar a localização dos módulos que ficam embaixo das bancadas. Seguindo a mesma proposta, os castelos possuem estantes independentes com regulagem de altura. “Hoje a questão da praticidade é fundamental”, disse Andrade.

Fabricantes exigem normatização do setor

Com o objetivo de oferecer ao consumidor muito mais do que design arrojado e facilidade operacional, fabricantes de mobiliário para laboratórios deixam de lado a concorrência e buscam, juntos, alternativas para regulamentar o setor.

Na opinião de técnicos do ramo, apesar dos constantes investimentos na área, o mercado nacional ainda tem muito para evoluir. Falta um órgão brasileiro capaz de garantir a segurança e a qualidade das peças de mobiliário para laboratório, o que daria mais credibilidade ao setor.

A principal crítica se refere à disseminação da mão-de-obra não especializada. Sensíveis a preço, empresários confiam seus laboratórios a marceneiros ou a fábricas não pertencentes ao ramo.

Química e Derivados: Mobiliário: Andrade - investimento compensa o custo mais alto do corian e do epóxi.
Andrade – investimento compensa o custo mais alto do corian e do epóxi.

“Muitos empresários colocam a vida dos funcionários em risco, ignorando cuidados básicos de segurança em prol da economia”, alertou o diretor técnico da Promolab, Marcelo de Andrade.

Por causa dessa mentalidade, a empresa se vê obrigada a vender equipamentos essenciais à segurança como se fossem peças opcionais. Um exemplo é o monitor de controle da capela, equipamento obrigatório no exterior, enquanto no Brasil é visto como objeto de luxo. ”Poucas pessoas o compram porque encarece a capela”, disse Andrade.

A culpa pela insalubridade dos laboratórios, conforme afirmou o diretor técnico do Grupo Vidy, Sérgio Stauffenegger, é da inexistência de fiscalização.

Faltam exigências técnicas para atuar no setor. Por isso, Stauffenegger lança a idéia de criar um instituto como o Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) que defina padrões e os cobre das empresas.

“A elaboração e a execução de todo projeto deveria ter o respaldo de um engenheiro ou arquiteto responsável”, ressaltou. Ele contou que apesar de o País não dispor de normas para regulamentar o setor, há leis internacionais que podem ser adaptadas à realidade brasileira.

Mais enfático, o diretor técnico da Movlab, Wagner Ubeda Perez, sugeriu a formação de uma entidade, composta pelos próprios fabricantes de mobiliário.

Química e Derivados: Mobiliário: Perez - sugestão em criar um selo de qualidade e formação de entidade.
Perez – sugestão em criar um selo de qualidade e formação de entidade.

“Ainda há muito a ser discutido, mas deveríamos criar um selo de qualidade ou qualquer outro instrumento que nos ajude a melhorar a qualidade do mobiliário”, explicou Perez.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios