Superação de entraves reposiciona desempenho da mineração

Desempenho da mineração: Mesmo submetida a altos e baixos por conta de fatores macroeconômicos globais, a mineração vem registrando, com sucesso, avanços estruturais significativos desde a lavra ao beneficiamento, incluindo os minérios destinados à indústria química.

Graças a essa melhoria contínua, o setor tem alcançado bons indicadores de produtividade, inovação tecnológica, melhor interação com as comunidades em seu entorno e aumento da preservação ambiental.

O panorama inovador ganha maior visibilidade a cada dia, diz Aline Nunes, gerente de assuntos minerários do Ibram. A mudança de performance se faz presente, segundo ela, desde a busca por corpos mineralizados por meio de georreferenciamento por satélites, passando por processos logísticos de última geração e monitoramento das operações por tecnologias móveis, graças à implantação dos conceitos da indústria 4.0 (veja box).

“Os processos de extração foram revolucionados com tamanha magnitude que hoje já é possível demarcar de forma precisa as áreas de maior concentração. Com isso, tornou-se viável realizar intervenções mais assertivas e pontuais, diminuindo assim a geração de estéreis e rejeitos, os impactos ambientais e os custos da lavra”, explica Aline.

Por sua vez, a melhoria do beneficiamento aumentou a recuperação dos minérios de interesse, a aglomeração de finos e ultrafinos, recuperação e reaproveitamento de resíduos. Houve também a racionalização do consumo de água e uso seletivo de reagentes, tornando a concentração mais efetiva.

É neste contexto, segundo o Ibram, que se insere a produção brasileira dos minérios que agregam valor à indústria química, de acordo com a estratégia e projeto de cada empresa. No geral, a produção de sal-gema e de potássio ocorre por lavra subterrânea, enquanto a do calcário e do fosfato são a céu aberto e a do lítio de ambas as formas, conforme informações do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem).

A lavra de sal-gema é feita por dissolução. Trata-se de um método que possibilita acessar a substância situada em grandes profundidades, sendo extraída sob a forma de salmoura saturada em cloreto de sódio. Geralmente, segundo o Cetem, o emprego desse método por uma determinada mineradora está ligado a uma planta química voltada para a produção de soda-cloro ou barrilha. A salmoura obtida no processo de lavra segue, por duto, a fim de suprir as necessidades de insumo daquela indústria.

Fosfato, potássio e lítio

Para o beneficiamento de fosfato, potássio e lítio, os processos variam de usina para usina, acrescenta o Ibram. Mas a rota comum, ao longo da cadeia, abrange a fragmentação por britagem e moagem, peneiramento e classificação. Posteriormente, ocorre a concentração por flotação e/ou separação magnética. O beneficiamento do calcário é similar; só difere quando o material é destinado à produção de cimento, tintas e pigmentos.

A maior parte dos produtores responsáveis pela exploração dos minérios com foco na indústria química é constituída por empresas brasileiras, como a Companhia Brasileira do Lítio (veja box). Porém, algumas têm participação de capital internacional, segundo o Ibram.

Por exemplo, os projetos do lítio são geridos também pela Lithium Ionic, Atlas Lithium, Sigma Lithium, Latin Resources e AMG Brasil. Já os de potássio são da Potássio do Brasil, Galvani/INB, Mosaic, EuroChem, entre outras.

A produção de lítio no Brasil está na Região do Rio Jequitinhonha, ao norte de Minas Gerais, a partir de rocha espodumênio, resultando um tipo de minério de baixo teor. Nesse caso, o beneficiamento demanda processos avançados e aperfeiçoamento contínuo dos métodos de refino, estágio em que o Brasil tem muito a aprender.

Não por acaso, a China, que está na dianteira das tecnologias de processamento dos chamados metais críticos, também domina o mercado de lítio. O segmento de baterias VE, que representa até 40% do custo do carro, está se concentrando também na China (76% da produção global), segundo dados do banco Morgan Stanley.

Desempenho da mineração: Perspectivas otimistas

A produção do minério tem apresentado saltos expressivos nos últimos anos e tende a evoluir, inclusive no Brasil, segundo José Jaime Sznelwar, presidente da Organização Mineronegócio, puxado pelo mercado de armazenamento de energia elétrica, tanto estacionária como móvel. Sua expectativa é reforçada por estudos da ANM, que prevê a expansão da CBL, AMG Brasil e Sigma Lithium Resources, no médio prazo.

O otimismo também inclui o fosfato previsto no Complexo Industrial de Serra do Salitre, em Minas Gerais. O projeto liderado pela EuroChem consiste num empreendimento integrado, conforme detalhou o diretor de operações, David Crispim, durante a ExposIbram 2023, do Ibram, em setembro de 2023, em Belo Horizonte. Em entrevista ao portal Conexão Mineral, o executivo afirmou que, “em 2024, o Salitre estará produzindo um milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados por ano, o equivalente a 15% da demanda brasileira”.

O complexo abriga uma mina de fosfato a céu aberto, com mais de 350 milhões de toneladas métricas de reservas e produzirá concentrado fosfático, fertilizantes granulados, ácido sulfúrico e ácido fosfórico. A empresa está presente no Brasil desde 2016 e é uma das líderes globais em fertilizantes e uma das principais produtoras de nutrientes agrícolas, como nitrogênio, fosfato e potássio.

Leia Mais:

Confira o Guia QD, maior plataforma eletrônica de compras e vendas do setor, com mais de 300 mil consultas mensais por produtos e mais de 400 anunciantes ativos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.