Metrologia e qualidade em laboratórios – Congresso internacional desfila o estado-da-arte da calibração

Química e Derivados, Vera Ponçano, Coordenadorade relações internacionais do IPT, Metrologia e qualidade em laboratórios - Congresso internacional desfila o estado-da-arte da calibração
Vera: medições exatas para garantir a qualidade

A palestrante ressaltou que problemas de gosto e odor em águas de abastecimento são de natureza complexa, de solução tecnológica difícil e onerosa, e sua presença na água tratada pode causar transtornos consideráveis entre os consumidores.

Química e Derivados, Rosemeire Alves, Pesquisadora da Sabesp, Metrologia e qualidade em laboratórios - Congresso internacional desfila o estado-da-arte da calibração
Rosemeire: painel sensorial para odor

Muito embora uma água potável do ponto de vista microbiológico, incolor, isenta de turbidez, de compostos orgânicos e inorgânicos, seja considerada segura para o consumo humano, a presença de gosto e odor causa desconfiança nos consumidores, podendo colocar em xeque a operação e a confiabilidade da companhia de saneamento como um todo. A presença de gosto e odor em águas de abastecimento pode ser ocasionada por vários motivos, entre eles a presença de compostos orgânicos originários de fontes biogênicas. É sabido que certas algas cianofíceas (algas azuis) e actinomicetos originam em seu metabolismo alguns compostos orgânicos que conferem gosto e odor indesejáveis às águas de abastecimento.

De acordo com a palestrante, o composto geosmina, produzido por culturas de actinomicetos, embora inócuo à saúde, é o causador de gosto e odor muitas vezes identificado pelos consumidores como “mofo” ou “BHC”. Um segundo composto, denominado 2-metilisoborneol (MIB), também causa problemas na água, deixando-a com gosto de “terra”. O emprego de técnicas analíticas instrumentais para a identificação e quantificação desses compostos não é comum entre a maioria das companhias de saneamento, pois o investimento necessário em equipamentos e mão-de-obra qualificada é elevado. Desse modo, o desenvolvimento de técnicas alternativas para a identificação e quantificação desses compostos orgânicos tem sido considerado e, entre elas, pode-se citar a utilização do painel sensorial.

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Figura 3 - Concentrações de MIB, geosmina e intensidade de gosto e odor para a água final produzida pelo sistema produtor de guarapiranga no período de 2002 a 2004

O trabalho de Rosemeire objetivou a avaliação da eficiência e confiabilidade de um painel sensorial na identificação de gosto e odor em águas de abastecimento, e conseqüentemente na prevenção de reclamações por parte dos consumidores. Foram feitas comparações entre a percepção do painel sensorial, a da população e resultados de análises de doseamento dos compostos por CG-MS (cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa). A pesquisa foi desenvolvida em estações de tratamento de água (ETAs) que abastecem parte da Região Metropolitana de São Paulo: a de Guarapiranga e a do Alto Tietê. Tais sistemas foram escolhidos por possuírem reservatórios de acumulação que apresentam ocasionalmente problemas de gosto e odor. O intervalo de tempo considerado no estudo foi de três anos (2002 a2004).

Quantificações analíticas dos compostos orgânicos causadores de gosto e odor foram efetuadas para a água bruta e tratada de ambas as ETAs, em paralelo às análises sensoriais realizadas por técnicos da Sabesp.

As classificações obtidas deram origem à roda de gosto e odor (Figura 2), que abrange todas as sensações documentadas para águas de abastecimento público.

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Figura 4 - concentrações de MIB, geosmina e número de reclamações dos consumidores para a água final produzida pelo sistema produtor de guarapiranga para o ano de 2002

A Figura 3 apresenta os resultados de concentração de MIB, geosmina e intensidade de gosto e odor para a água final produzida pela estação de Guarapiranga no período de 2002 a 2004 e a Figura 4 apresenta as ocorrências de reclamações dos consumidores e concentrações de MIB e geosmina para os anos de 2002. Essa Figura mostra que no início de 2002 ocorreram episódios de concentrações de geosmina na água final em torno de 600 ng/L a 3.000 ng/L, gerando em torno de 100 a150 reclamações diárias de consumidores. Os resultados obtidos pelo painel sensorial são compatíveis com tais valores.

Segundo Rosemeire, o painel sensorial mostrou grande sensibilidade na identificação de odores, sendo a análise sensorial muito eficiente para a previsão do aparecimento de odores associados a “mofo” e “terra”, em virtude da presença de MIB e geosmina, assim como para a detecção da presença dos mesmos na ETA. Finalizando, a palestrante recomendou que companhias de saneamento, que possuam mananciais com problemas de gosto e odor, implantem análises sensoriais baseadas na técnica de painel sensorial, em face de sua potencialidade de previsão e identificação de gosto e odores presentes na água tratada que possam causar inconvenientes à população, bem como por permitir um melhor controle das técnicas de tratamento que venham a ser adotadasem suas ETAspara a minimização dessas ocorrências.

Materiais de referência – A pesquisadora Jacinta Cotta, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), apresentou trabalho sobre certificação de material de referência de rocha para uso em análise geoquímica. Materiais de referência (MRs) desempenham um papel fundamental em todas as áreas nas quais os resultados analíticos são necessários. Seus principais usos incluem a validação de métodos, calibração de instrumentos, controle e garantia da qualidade. Por definição, MR “é um material suficientemente homogêneo e estável com respeito a uma ou mais propriedades especificadas, as quais foram estabelecidas para serem adequadas ao pretendido uso em um processo de medição” (ISO Guia 35; 2006).

A certificação de um MR é feita pela combinação de análises de caracterização com os testes de homogeneidade e de estabilidade, que resultam na indicação dos valores de referência, suas incertezas, e no estabelecimento da rastreabilidade metrológica.

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