Economia

Mercosul – Argentino propõe fusão com empresas brasileiras – Atualidades

Quimica e Derivados
13 de Fevereiro de 2000
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    As pressões, tanto por parte da Argentina para a abertura econômica do Brasil aos produtos argentinos, quanto por parte do Brasil para a abertura do mercado argentino, entram em contra dição com o aumento de subsídios e sobretaxas de ambos os lados da fronteira. Essa postura contraditória, classificada como “duplo discurso” pelo vice-presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira, Alberto Joaquim Alzueta, ainda é empecilho ao aumento das relações comerciais entre Brasil e Argentina.

    Para Alzueta, a união entre empresas dos dois países em joint-ventures constitui excelente estratégia de negócios para tornar os produtos do Mercosul competitivos num mercado globalizado. Ele desmentiu a hipótese de que haveria um grande êxodo de empresas argentinas para o Brasil.

    Esses comentários foram feitos no seminário sobre a Argentina, da série Mercados em Destaque, promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) no início de março, em São Paulo. Participaram, além de Alzueta, o cônsul geral da Argentina, Guillermo Hunt, e a representante do Conselho de Câmaras de Comércio das Américas, Alícia Laxague. As palestras, além de abordar aspectos como financiamento às exportações, opções de transporte e opções de mercado, trataram especialmente do quadro político-econômico argentino.

    De acordo com Guillermo Hunt, a economia argentina passou por muitas dificuldades no ano passado, sofrendo uma grande recessão. As mudanças econômicas no Brasil, especialmente a desvalorização cambial, foram alguns dos aspectos que provocaram crise na Argentina.

    Apesar das dificuldades, o cônsul lembrou que seu país já superou crises semelhantes como o “Efeito Tequila” em 1995 e a “Crise Asiática” em 1998. Ele afirmou que o governo do presidente Fernando De la Rúa já tomou medidas para retomar o crescimento, como reduzir os gastos públicos e modificar a legislação trabalhista para tentar diminuir o desemprego.

    Entretanto, o rígido sistema cambial com paridade entre o peso argentino e o dólar dificulta as exportações argentinas. Para os exportadores brasileiros, a desvalorização do real foi favorável, pois o produto nacional ficou mais barato em dólar. Isso somado às facilidades (teoricamente) propostas pelo Mercosul, como redução de alíquotas e integração de mercados, pode intensificar o comércio entre os dois países.

    Questões político-econômicas à parte, o mercado argentino possui boas oportunidades nas áreas de peças e componentes automotivos, máquinas e implementos agrícolas, além de já importar do Brasil produtos como polietileno, papel, motores a diesel, ônibus, pneumáticos e produtos agrícolas (café, chá, cacau, soja, laranja etc.).

    O transporte para a Argentina pode ser feito por via marítima, aérea, rodoviária e ferroviária. Há linhas regulares e companhias especializadas no transporte de cargas entre os dois países que se encarregam de todo o processo de logística, inclusive do despacho aduaneiro. A Eudmarco, especializada em transporte aéreo e marítimo, e a Polivias, que oferece transporte por via rodoviária, apresentaram seus serviços no seminário da Abimaq.

    O Banco do Brasil mais uma vez esteve presente no seminário para apresentar os sistemas de financiamento à exportação: ACC, ACE, Proex. O Banco Sudameris, presente tanto no Brasil como na Argentina há 90 anos, também apresentou suas linhas de financiamento, com a vantagem de atuar como banco de varejo nos dois países.

    Como exemplo de empresa bem sucedida nas exportações com a Argentina, o seminário destacou a Indústrias Romi, fabricante de máquinas-ferramentas. Essa empresa exporta para a Argentina desde 1944 e possui uma representação própria na grande Buenos Aires desde 1996. Atualmente, a maior parte das vendas têm sido feitas através de leasing que, embora possua taxas mais altas de juros, apresenta maiores facilidades de obtenção de garantias do que os financiamentos para exportação tradicionais.

    (Téo C. Silveira)



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