Mercado Graxo: Origem natural garante evolução de negócios

Química e Derivados: Graxo: Rohr - processos diversificados permitem obter especialidades.
Rohr – processos diversificados permitem obter especialidades.

Outros bons consumidores desses ácidos graxos são os produtores de aditivos para lubrificantes e de sabões de brilho. Também são oferecidos ácidos graxos obtidos a partir do arroz, algodão, babaçu e mamona.

“Mantemos a venda de ácidos graxos destilados, apesar da pequena margem obtida, mas o melhor é desenvolver produtos de alto valor agregado”, comentou. A partir da borra de refino de óleo de soja, por exemplo, são obtidos ácidos graxos usados pela Miracema para fazer agentes de flotação para beneficiamento da apatita (rocha fosfática). Segundo Rohr, a demanda é muito boa, mas a baixa oferta de borra limita a expansão. “O Brasil exporta muita soja em grão, e acaba ficando sem os subprodutos aproveitáveis industrialmente”, lamentou. A falta de óleo e dos resíduos de extração já comprometeriam, segundo ele, a produção de ésteres necessários para fazer o biodiesel, uma proposta de cunho ambiental atualmente em fase de crescimento no Brasil.

A empresa prefere receber borra já acidulada, de modo a reduzir a quantidade de efluente a tratar. Como nem sempre há produto disponível, apesar do bom relacionamento com fornecedores, ainda promove a acidulação da borra bruta.

O óleo de soja é hidrogenado, de modo a aumentar o teor de cadeias saturadas. “Paramos de fazer a estearina, tanto vegetal quanto animal”, disse. O material serve para a fabricação de ésteres metílicos, de largo emprego. Um dos usos mais comemorados pela Miracema consiste no fornecimento de ésteres para a formulação de líquidos de perfuração de poços de petróleo.

Já o óleo de mamona pode ser hidrogenado e vendido como tal, ou destilado, para a obtenção do ácido 12-hidroxiestárico, ou na forma do seu éster metílico. “São produtos que têm bom mercado no exterior, mesmo com o dólar por volta de R$ 3”, comentou André Rohr. Um problema dessa linha é a forte variação de preços da mamona, sujeita a flutuações de safra, podendo ir de R$ 1,70 a R$ 3 por kg.

O óleo obtido do abate de aves é refinado e frigorificado pela Miracema, encontrando uso como aditivo para óleos lubrificantes automotivos, em razão de suas propriedades. Alguns aditivos são obtidos mediante o processamento de sebo bovino. “Este é usado em quantidade relativamente pequena”, explicou. Há casos de aditivos que são desenvolvidos a pedido de clientes.

A hipótese de investir no fracionamento de ácidos graxos não é considerada viável pelo diretor, embora identifique demanda crescente pelos produtos obtidos no processo. “É muito caro manter uma coluna de fracionamento”, considerou. A Miracema já possui linhas de cisão a alta pressão, hidrogenação, amidação, acidulação, cloração, oxidação, polimerização, sulfonação e surfurização, entre outros, que lhe garantem amplas possibilidades para a obtenção de derivados.

Glicerina sobra – A ampliação da oferta de oleoquímicos proporcionará um conseqüente aumento na oferta de glicerina, obtida pela cisão da matéria graxa. “A glicerina sempre ajudou e afundou o setor”, comentou o consultor independente Berhard Reusch, ao explicar o papel de fiel da balança desse produto no balanço econômico da atividade. Nessa situação, a adesão mundial ao uso de biodiesel poderá provocar um excedente da ordem de 500 mil t/ano de glicerina, com potencial para cortar ao meio o atual nível de preços, estimado por ele de US$ 0,50 a US$ 1/kg.

O próprio Reusch descarta qualquer prognóstico catastrofista. “Certamente vão ocorrer mudanças, mas a glicerina mais barata poderá ser usada para novos usos, como a produção de polióis e glicóis, a exemplo do sorbitol”, comentou.

Quanto aos aspectos tecnológicos, o consultor não espera grandes novidades no setor. “É uma indústria conservadora em termos de processos produtivos, surgem algumas novidades, mas nem sempre se revelam economicamente viáveis”, explicou. É o caso da esterificação enzimática, que seria conduzida sem aplicação de temperatura e pressão elevadas, sem, no entanto, ter encontrado indústrias interessadas em bancar seus custos. Os maiores avanços ocorreram na aplicação dos oleoquímicos, entre eles a confecção de lubrificantes não-poluentes usados por barcos na Europa, ou a substituição de óleo de cachalote em cosméticos.

José Nocito, diretor industrial da Mazbra (G.Mazzoni no Brasil), tradicional fornecedor de equipamentos e unidades fabris completas para saboarias e oleoquímicas, não alimenta grandes expectativas de negócios para os próximos anos. “Tem muito equipamento seminovo no mercado para revenda, isso inibe as encomendas de linhas mais novas”, explicou.

Ele aponta como atualização tecnológica as linhas de cisão e hidrogenação contínuas, mais eficientes que as antigas, que operavam por bateladas. Mas esses novos produtos exigem suprimento de vapor a 50 kgf de pressão. “Nem sempre o cliente quer mudar a caldeira para um gerador de vapor de alta pressão”, lamentou.

Mesmo o mercado de reforma e atualização de equipamentos usados se encontra desaquecido. Segundo Nocito, existe apenas alguma demanda pelos testes de pré-operação e partida de unidades que se encontravam desativadas ou foram transferidas.

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Um Comentário

  1. Lendo a publicação acima sobre graxo fiquei interessado, pois estamos na face final de elaboração de um potente coagulante para redução do sulfato proveniente dos efluentes gerado pelas empresas que trabalham com bora para a produção de acido graxo, esses coagulantes já foi testado em laboratório o resultado de 6000ppm sulfato para menor 200ppm.
    Estamos confiantes no produto sabendo que os órgãos libera para descarte teor menor 1000ppm havendo interesse estamos à disposição.

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