Mercado Graxo: Origem natural garante evolução de negócios

Química e Derivados: Graxo: Romero - atuação voltada para oleoquímicos e surfactantes.
Romero – atuação voltada para oleoquímicos e surfactantes.

No caso brasileiro, os álcoois graxos com cadeias carbônicas de C12 a C14 são, em grande parte, direcionados para processos de etoxilação e sulfatação, originando tensoativos para uso doméstico e pessoal. Além disso, o álcool alimenta a produção de aminas graxas, usado, por exemplo, nos amaciantes de roupas. Os álcoois de C16 a C18 são requeridos pela indústria cosmética, também encontrando usos nos domissanitários.

A Cognis fabrica em Jacareí uma série de ésteres para vários usos. Maurício Ruiz, gerente de negócios da empresa, destaca a produção de soja epoxidada para plásticos. “Já fizemos algumas exportações de epoxidados”, comentou. O segmento de ésteres atendeu, no passado, à indústria de tintas. Nos últimos anos, esses clientes desenvolveram o uso de óleo de soja diretamente na fabricação de resinas, por medida de economia. Atualmente, a empresa está instalando um novo reator em Jacareí para promover esterificações, visando a produção de ingredientes para óleos lubrificantes sintéticos, um mercado ainda em desenvolvimento no País.

Diferenciação – A Uniqema, resultado da união das divisões de especialidades químicas da ICI e a oleoquímica da Unichema (ex-Lever), mantém seis fábricas de química graxa, espalhadas pela Europa, Estados Unidos e Ásia. “Estamos concentrados em duas grandes linhas sinérgicas: oleoquímicos e surfactantes”, explicou o gerente-geral para o Brasil, Lincoln Gibin Romero. Ele salienta que a meta da companhia é oferecer todos os efeitos e propriedades desejadas pelos clientes. “Isso não implica termos todas as moléculas, mas proporcionar os benefícios desejados”, explicou.

Sem apoio de produção local, a Uniqema reforça a atuação em aplicações diferenciadas, com melhor remuneração. “Estamos crescendo à taxa de 10% ao ano no País, embora tenhamos enfrentado a alta do dólar no ano passado e a atual recessão”, afirmou. Ele afirma que a região latino-americana é um forte pólo de crescimento de consumo, exigindo maior participação da companhia, considerada líder em ácidos graxos.

Aumentar a posição por meio da importação de commodities seria um “caminho fácil”, como afirma Romero. “Poderíamos bancar uma importação pesada de produtos, com os quais provocaríamos um impacto forte, porém de curto prazo, fora o risco de obter um prejuízo considerável”, explicou. O caminho escolhido foi o crescimento sustentado, por meio do desenvolvimento de negócios.

Química e Derivados: Graxo: Crisci - falta sofisticação na produção local de ésteres.
Crisci – falta sofisticação na produção local de ésteres.

Um exemplo é a possibilidade de o Brasil adotar em larga escala o uso de lubrificantes automotivos sintéticos, a exemplo do que acontece na Europa, forte consumidor de ésteres derivados de oleoquímicos. Nos Estados Unidos, a preferência das montadoras de automóveis recai nos produtos de base mineral. “O Brasil ainda não se definiu, mas como as montadoras de origem européia têm forte participação de mercado, é possível que o uso de sintéticos cresça”, afirmou o gerente-geral. Para a Uniqema seria uma situação ideal: esses ésteres consomem ácidos graxos especiais, e exigem o atendimento de normas rígidas e verificação de desempenho.

O gerente de contas da empresa, Gerson Placites Crisci, pondera que o Brasil possui grande capacidade instalada para fazer esterificações, além de contar com enorme suprimento de etanol. “Porém, são instalações de baixa sofisticação”, avaliou. Para a produção de ésteres especiais seria preciso investir em uma unidade configurada para o propósito, que representaria um investimento muito elevado.

A porta de entrada mais usual da Uniqema no mercado nacional tem sido a fabricação de produtos mundiais por parte de transnacionais. “Quando eles precisam adaptar ou desenvolver uma formulação local eles nos procuram, porque já somos certificados pelas matrizes”, explicou. Isso já acontece no fornecimento de aditivos de extrema pressão e temperatura para lubrificantes industriais.

Com portfólio variado, contendo glicerina, ácidos graxos destilados, poliinsaturados e parcialmente hidrogenados, além de diméricos, polimerizados, ésteres e amidas, a companhia também oferece especialidades como o álcool iso-esteárico. “Para atender o mercado local, estamos construindo um laboratório de suporte de aplicação”, afirmou Crisci. Um produto com boa possibilidade de desenvolvimento local é um rompedor de emulsão óleo/água que pode ser usado na produção de petróleo.

Tecnologia local – A Miracema Nuodex desenvolve há anos uma cadeia complexa de produtos oleoquímicos de qualidade reconhecida internacionalmente, o que lhe permite manter uma carteira de exportações constante. “É estratégia da empresa manter um nível de exportações da ordem de 30%, de modo a compensar flutuações do mercado interno e absorver impactos cambiais”, explicou o diretor industrial André Rohr.

A empresa tem capacidade instalada para produzir 1.000 t/mês de ácidos graxos, com índice de ocupação média situado entre 45% e 50%. “Temos um consumo próprio de 30% a 35% da produção”, disse Rohr. O restante é vendido para diversos segmentos de mercado, entre os quais se destaca a produção de resinas alquídicas para tintas. O diretor explica que esse consumo depende da relação de preços entre o ácido graxo e o óleo de soja, além da aplicação final da tinta a produzir.

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Um Comentário

  1. Lendo a publicação acima sobre graxo fiquei interessado, pois estamos na face final de elaboração de um potente coagulante para redução do sulfato proveniente dos efluentes gerado pelas empresas que trabalham com bora para a produção de acido graxo, esses coagulantes já foi testado em laboratório o resultado de 6000ppm sulfato para menor 200ppm.
    Estamos confiantes no produto sabendo que os órgãos libera para descarte teor menor 1000ppm havendo interesse estamos à disposição.

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