Mercado Graxo: Origem natural garante evolução de negócios

Depois de ter verificado forte aumento de demanda pelos ácidos destilados, em 2002, Lovato alimenta boas expectativas para os resultados de 2003. “Nossa capacidade já está toda comprometida com os pedidos em carteira”, informou. A preocupação é garantir o estoque de matérias-primas junto aos fornecedores habituais.

Origem vegetal – A queixa contra concorrentes informais é reforçada por Ricardo Silva, diretor da SGS Oleoquímica, de Ponta Grossa-PR, operando 750 t/mês de capacidade de destilação, a partir de óleo de soja e borra de refino (soap stock). “Tem empresas trazendo ácido esteárico da Argentina com preços inferiores aos praticados lá, e nem sequer apresentam registro no Conselho Regional de Química”, criticou. Segundo informou, essas empresas aparecem e somem com grande rapidez, não sem criar estragos no mercado.
“Junto com elas, há empresas em situação financeira difícil, que acabam vendendo produtos abaixo do nível mínimo de rentabilidade”, disse. Nesses casos, ele espera que a fiscalização de órgãos como a Receita Federal, CRQ e o controle de fronteiras torne-se mais rígida, apoiando a competição saudável.

Química e Derivados: Graxo: graxo03. Silva salienta o bom desempenho da demanda por produtos oleoquímicos no Brasil, em contraste com o mercado dos países vizinhos, muito deprimido.

“Estamos estudando a colocação de mais um destilador, com encomenda a ser fechada no final deste ano ou no início de 2004”, afirmou. Conforme explicou, a unidade de Ponta Grossa transfere a metade da produção de ácidos graxos destilados para sua unidade de produção de resinas alquídicas situada no Rio Grande do Sul. Como esta foi recentemente duplicada, a destilaria não consegue atender à demanda de mercado. Segundo Silva, os destilados representam 60% dos negócios de ácidos graxos da SGS.

A hidrólise do óleo de soja oferece produtos de uso alimentícios de alta qualidade, como gorduras vegetais, óleos hidrogenados, e ácido graxo para preparação de lecitina, aplicação esta desenvolvida na Europa. “Temos certificação de produto isento de organismos geneticamente modificados e também de produto kosher”, afirmou. A obtenção de ácido esteárico a partir de óleo de soja é feita tendo por alvo o mercado de aditivos alimentares.

Contando com hidrogenador moderno, capaz de atuar a 30 kgf de pressão, a SGS consegue obter gorduras alimentícias isentas da forma trans, plenamente hidrogenadas. Atualmente, apesar das controvérsias científicas, creditam-se à forma trans os malefícios das gorduras à saúde humana, daí o interesse em eliminá-la. Segundo Silva, o fato de as operações de cisão (a alta pressão, sem catalisadores), hidrogenação e destilação serem conduzidas de forma integrada, é reduzido o estresse térmico dos produtos, obtidos com tempo de reação menor. “As operações são automatizadas e rastreáveis”, disse.

A linha industrial se vale mais do processamento da borra de refino de óleo, obtendo-se ácido esteárico para segmentos diversos, como a produção de estearatos metálicos (para PVC), aditivos petroquímicos, têxteis, domissanitários, lubrificantes, agroquímicos e vários outros, como a fabricação de borracha.

Segundo Silva, o esteárico obtido de fontes vegetais é valorizado pela alta pureza (88% na faixa de C18), com baixo teor de ácido palmítico, além da certificação de origem, natural e renovável. “Isso é fundamental nas áreas cosmética e de alimentos”, explicou. O diretor afirmou que a Anvisa está se tornando mais exigente quanto aos controles aplicados aos produtos de origem animal, preocupação justificada pelo aparecimento, no exterior, da doença da “vaca louca”. “A estrutura oleoquímica nacional foi montada com base no sebo, mas a soja, cuja abundância permite reduzir preços está se firmando como alternativa aos consumidores”, comentou. Para 2003, o preço do produto vegetal subiu, pela divulgação de quebra de safra nos Estados Unidos. Silva considera que houve precipitação dos mercados para garantir abastecimento e que a quebra de safra não será tão intensa, com grande possibilidade de os preços da soja voltarem à média histórica.

Tão logo consiga ampliar sua capacidade produtiva, a SGS poderá aprofundar estudos para separar compostos saturados dos insaturados. “Os insaturados com duplas e triplas ligações encontram demanda crescente no setor de cosméticos, como bioativos”, informou. Para o mesmo segmento, também poderão ser obtidos esteróis (fitoesterol e tocoferol, por exemplo), usados como pró-vitamínicos e antioxidantes.

Gigantes no páreo – Duas das maiores indústrias oleoquímicas do mundo atuam no Brasil em segmentos mais a jusante da cadeia produtiva, sem produzir ácidos e álcoois graxos no país. A Cognis, empresa desmembrada da Henkel, traz do exterior ácidos e álcoois graxos para alimentar suas linhas de produtos locais, feitos no sítio de Jacareí-SP, onde mantém hidrogenação e acidificação operantes, e revende uma parte desses produtos para terceiros. Além disso, coordena negócios de importação direta de grandes usuários (Indent). “Verificamos um equilíbrio entre os setores de revenda e Indent com o consumo próprio”, explicou Ramon Vargas Fernandez, gerente regional de vendas da Cognis Brasil. A empresa é muito ativa na conversão de álcoois graxos em tensoativos para vários segmentos de mercado.

Embora verifique uma clara tendência para o maior uso de produtos naturais, Fernandez explica que os tensoativos sintéticos são ainda muito usados na Europa, muitas vezes em mistura com os naturais. “Os sintéticos são mais baratos por lá”, justificou, mencionando os detergentes domissanitários e industriais, sem abranger os produtos de higiene pessoal, nos quais os naturais se destacam. Na América Latina, a preferência recai nos tensoativos de origem natural.

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Um Comentário

  1. Lendo a publicação acima sobre graxo fiquei interessado, pois estamos na face final de elaboração de um potente coagulante para redução do sulfato proveniente dos efluentes gerado pelas empresas que trabalham com bora para a produção de acido graxo, esses coagulantes já foi testado em laboratório o resultado de 6000ppm sulfato para menor 200ppm.
    Estamos confiantes no produto sabendo que os órgãos libera para descarte teor menor 1000ppm havendo interesse estamos à disposição.

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