Mercado do petróleo segue estável e pré-sal avança – Perspectivas

A economia global continua em crescimento, porém há sinais de leve redução de ritmo nos mercados emergentes. Com isso, a consultoria IHS Markit prevê que a demanda por petróleo deverá aumentar 1,5 milhão de barris/dia em 2019 e 2020.

Existem alguns percalços do lado da oferta, a começar pela Venezuela, país detentor das maiores reservas mundiais, cuja produção está em acelerado declínio, com deterioração do parque produtivo, em direção a menos de um milhão de bpd. A crise econômica e social do país está se agravando e não se vislumbra uma solução.

As sanções norte-americanas impostas ao Irã começaram a se refletir na redução da produção de petróleo, uma vez que muitos compradores deixaram de buscar os produtos dessa origem. China, Índia e Turquia são os maiores clientes do petróleo iraniano e devem manter suas posições. Porém, isso garante a exportação de apenas 1,2 milhões de bpd, a metade do que era exportado antes das sanções, segundo a IHS Markit.

A consultoria aponta que a produção americana de petróleo segue crescendo rapidamente, podendo chegar a 14 milhões de bpd em 2020. Os custos de produção dos campos de fontes não-convencionais estão sendo reduzidos, com aumento a eficiência das operações. O estudo aponta que 80% da produção dos EUA estão sendo obtidos a custos inferiores a US$ 50 por barril. Caso o mercado internacional registre cotações mais elevadas, essa oferta poderá ser ampliada.

Da mesma forma, o shale gas (gás natural de fonte não convencional) americano continuará sendo altamente atrativo, com reservas superiores a 200 trilhões de pés cúbicos (TCF) que poderão ser exploradas economicamente abaixo de US$ 4 por milhão de BTU. Segundo a IHS, isso será refletido no aumento das exportações de gás liquefeito (LGN). O etano associado será direcionado para projetos petroquímicos. A consultoria adverte, porém, que pode haver uma restrição de oferta de etano até 2020, uma vez que a expansão petroquímica prevista tem ritmo superior à da separação do gás natural. Isso poderá levar a um aumento pontual do preço do etano nos Estados Unidos até lá. Mesmo assim, a rentabilidade dos investimentos não será afetada.

Petrobras em transição – Difícil prever como se comportará a companhia brasileira de petróleo e gás natural. Desde a gestão de Pedro Parente, no governo Temer, há uma proposta de desinvestimento de negócios para aprimorar o foco empresarial e melhorar sua posição financeira, aliviando as pesadas dívidas contraídas na malfadada era petista. Ainda não há uma definição clara do governo Bolsonaro quanto à manutenção desses planos, muito menos em relação à abertura do parque de refino local, praticamente um monopólio, estimulando a concorrência no mercado interno de derivados de petróleo. O modelo da gestão Parente previa transferir ativos de refino no Sul e no Norte-Nordeste do país para duas empresas, deixando o filé mignon do mercado (Sudeste e Centro-Oeste) com a Petrobras. Por enquanto, os planos oficiais da companhia ainda abrigam esse projeto.

A empresa definiu investimentos de US$ 84,1 bilhão entre 2019 e 2023, dos quais US$ 68,8 bilhões para exploração e produção (E&P), US$ 8,2 bilhões para refino, transporte e comercialização (RTC, antigo abastecimento), US$ 5 bilhões para gás e energia, US$ 300 milhões para petroquímica e US$ 400 milhões em energias alternativas e renováveis (solar, inclusive).

Definida está a saída da companhia da produção de biodiesel e etanol, nos quais atua com participações em outras empresas, bem como de fertilizantes e distribuição de GLP, dentro do mencionado plano de desinvestimentos. Isso inclui participações em campos de produção de óleo e gás, como Baúna, Tartaruga Verde e Espadarte (módulo 3), entre outros, considerados menos adequados para alcançar os resultados pretendidos pela companhia.

Merece destaque, nesse aspecto, a venda da notória refinaria de Pasadena, concluída em 30 de janeiro de 2019, para a Chevron, por US$ 562 milhões. A Petrobras desembolsou, no total, US$ 1,2 bilhão para adquirir essa unidade, operação feita com um sobrepreço indevido de US$ 659 milhões, segundo relatório da Controladoria GEral da União (CGU).

E&P na dianteira – Dos US$ 68,8 bilhões de investimentos em exploração e produção, 56% serão direcionados para a região do Pré-Sal, mais produtiva e rentável, com um custo de extração de óleo abaixo de US$ 7 por barril, considerado excelente em âmbito global. Isso tem atraído a atenção das maiores empresas do setor para os leilões da ANP.

As metas da Petrobras para o período 2019-2023 indicam a instalação de 13 novos sistemas de produção e a obtenção de grandes resultados nas atividades de revitalização da Bacia de Campos, que já apresentava indicações de declínio. Com isso, a produção de petróleo da companhia no Brasil deverá chegar a 2,3 milhões de bpd em 2019, 10% acima do alcançado em 2018. A produção deverá crescer 5% ao ano, em média, até 2023, segundo o planejamento da Petrobras.

A área de refino, embora receba aporte menor de recursos do que E&P, é apontada como estratégica, pois apresenta tendência de crescimento de demanda por refinados de 1,5% ao ano até 2023, ao contrário dos mercados mais maduros, que tendem a encolher, tanto por pressões ambientais, quanto pela adoção de motores mais eficientes nos automóveis.

A RTC terá US$ 8,5 bilhões em investimentos até 2023, tendo por projetos mais importantes a conclusão da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e a do Comperj (este em parceria com a chinesa CNPC). A Rnest consumirá US$ 1,3 bilhão para implantar a unidade de redução de emissões atmosféricas do primeiro trem de produção, que permitirá obter a licença para chegar à capacidade máxima de produção. Além disso, aumentará a unidade de tratamento de derivados em 98 mil bpd. O segundo trem de refino deverá ser concluído nesse período. Espera-se que esses investimentos reduzam a importação de derivados de petróleo para o mercado brasileiro, estimado em 2,3 milhões de bpd em 2017.

Na área de sustentabilidade, a companhia pretende reduzir praticamente à metade as emissões de gás carbônico por barril de óleo equivalente produzido, chegando a 13 kg/bbl em 2023. Da mesma forma, o refino também emitirá menos CO2 por tonelada de cru refinado, de 43 kg/t para 34 kg/t entre 2019 e 2023.

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