Mercado de Saneantes: Produção cresce e inflação cede – ABIPLA

Produção cresce e inflação cede: boas perspectivas para o mercado de saneantes

Após enfrentar um ano de retração nos índices de produção em 2022, os fabricantes de produtos de limpeza registraram uma excelente recuperação no primeiro semestre deste ano, com alta de 9,7%, impulsionada, principalmente, pela produção de itens como produtos multiuso, desinfetantes e alvejantes. A evolução do setor, por sinal, contrasta com os resultados da produção industrial brasileira no período (que caiu 0,3%).

Uma recuperação tão rápida acaba por confirmar uma visão que a Abipla defende desde meados do ano passado, quando já se notavam indícios de desaceleração na produção, mas não entendíamos que o problema era simplesmente de demanda.

Produto de limpeza é item essencial para a sociedade e, embora a informalidade seja uma ameaça para a saúde pública, a maioria dos brasileiros segue a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e só adquire saneantes homologados pela entidade. Assim, não havia motivos para queda de demanda.

Neste cenário, a queda da produção mostra uma clara relação com a forte pressão de preços enfrentada pelo setor desde 2020. Historicamente, a inflação dos produtos de limpeza ao consumidor é costumeiramente menor que a dos índices oficiais. No entanto, não podemos dizer o mesmo do aumento dos custos de produção dos fabricantes.

Só para ilustrar, nos últimos três anos (2020, 2021 e 2022) o Índice de Preços ao Produtor de saneantes, do IBGE, registrou uma alta de 42,55%. Enquanto isso, o INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor acumulado do setor foi de 33,84%. É uma grande diferença e que mostra o quanto os fabricantes sacrificaram de margens.

O motivo da queda em 2022 fica muito mais evidente quando observamos que, na inflação setorial acumulada desde 2020, cerca de 70% da alta nos preços dos produtos de limpeza ao consumidor foi aplicada em 2022. Esse aumento nos preços era inevitável e até inadiável, uma vez que, como fica claro nos números citados, o setor absorveu uma boa parte do aumento de custos sem repasse.

Além disso, lembro que, durante o auge da pandemia, em 2020 e 2021, a fabricação dos produtos de limpeza para uso doméstico e hospitalar se manteve na alta histórica alcançada em 2019, todavia a produção de saneantes para uso profissional, em geral, teve um longo período de baixa.

Apesar da retomada dos produtos institucionais ter acontecido em 2022, nos produtos domésticos, houve um recuo muito forte em face da conjugação de vários fatores: renda da população em baixa, desemprego em alta, diminuição substantiva do home office, aumento da venda de produtos informais e piratas, propagação das misturas caseiras para limpeza, inflação, dólar alto, diesel caro e preço elevado da energia elétrica.

Quando colocamos todas essas informações de forma estruturada, fica claro que não vivemos um problema de demanda em 2022, mas, sim, de ajuste de mercado. Os fabricantes foram muito pressionados pela alta nos custos e, durante o período crítico da pandemia, sacrificaram grande parte de suas margens para garantir o atendimento universal à população. Isso porque nosso setor entende sua parcela de contribuição para a manutenção da saúde pública.

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Para 2023, felizmente, os sinais são muito positivos para o nosso setor: a estabilização do funcionamento das cadeias produtivas internacionais, a diminuição do desemprego, a queda da inflação e a gradativa melhora da renda média da população trouxeram a agradável notícia do aumento da nossa produção no primeiro semestre e, como é do conhecimento de todos, o consumo dos produtos de limpeza é extremamente sensível à disponibilidade da renda média da população.

Domissanitários: O que esperar de 2023 ©QD Foto: iStockPhoto
Paulo Engler é diretor-executivo da Abipla

Já enxergamos uma importante melhora do ambiente institucional e a confiança na melhora do ambiente macroeconômico e, consequentemente, estamos retomando o nosso volume produtivo. Outro fator interessante é que a variação acumulada da inflação dos artigos de limpeza no ano, até julho, é de 2,87%, contra 2,99% do índice geral.

Por isso, de forma geral, entendemos que o setor continua robusto e com grande potencial de crescimento. No evento de lançamento do Anuário Abipla 2023, por exemplo, duas de nossas parceiras institucionais, a Euromonitor International e a Nielsen IQ, apontaram uma série de nichos de mercado com chances de melhoria de resultados no Brasil, que já é o quarto maior mercado global de saneantes.

Na linha de desenvolvimento de produtos, destaque para os saneantes perfumados, característica bastante valorizada pelo consumidor brasileiro, sustentáveis e práticos. Já nos canais de distribuição, atenção ao e-commerce, aos atacarejos e aos minimercados que têm se espalhado rapidamente pelas grandes cidades do País.

O cenário é promissor e é possível – até provável – que nosso crescimento neste ano seja superior ao projetado no fim de 2022 (alta de 2%).

Vamos em frente!

Paulo Engler é diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (Abipla). Fundada em 1976, a Abipla representa os fabricantes de sabões, detergentes, produtos de limpeza, polimento e inseticidas, promovendo discussões sobre competitividade, inovação, saúde pública e consumo sustentável. Seus associados representam o mercado de higiene, limpeza e saneantes do Brasil, setor que movimenta R$ 32 bilhões anuais e responde por cerca de 92 mil empregos diretos.

Oportunidades para empreender com saneantes - ABIPLA ©QD Foto: iStockPhoto

ABIPLA

A Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (ABIPLA) foi fundada em 12 de Novembro 1976 com o propósito de representar o setor perante os agentes públicos; promovendo discussões sobre competitividade, inovações, saúde pública e consumo sustentável.

Atualmente, a entidade é referência nacional em assuntos regulatórios e tributários, combate à contrafação (clandestinidade) e adequação às normas de proteção ao meio ambiente. Para a sua elaboração, a Abipla se inspirou nas mais modernas tendências globais sobre o tema, com destaque para as seguintes áreas: redução de produtos químicos em geral, redução da geração de embalagens, redução da emissão de gases de efeito estufa, diminuição do consumo de energia e otimização do uso da água.

Em 1995, a entidade também passou a representar o setor junto ao Comitê de Indústrias de Productos de Limpieza Personal, Hogar y Afines Del Mercosur (Coinplan) e, em 2005, junto à Asociación Latino-Americana de Artículos Domisanitários y Afines (Aliada).

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