Analitica Latin America: Mercado de produtos e serviços para análises aposta na alta tecnologia

Texto: Antonio Carlos Santomauro

Fotos: divulgação

Química e Derivados, Mercado de produtos e serviços para análises aposta na alta tecnologiaAssim como na edição anterior, realizada em 2013, mais de 9 mil pessoas devem visitar a Analítica Latin America, que acontecerá entre os dias 22 e 24 deste mês de setembro no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Esse público poderá conhecer as novidades e as evoluções dos portfólios de produtos e serviços de pelo menos quinhentas marcas – cerca de um quinto delas internacionais – dos mercados de tecnologia laboratorial, biotecnologia e controle de qualidade. Terá ainda a oportunidade de participar de debates, palestras e apresentações de temas e tecnologias pertinentes a esses setores, constantes da programação do Circuito de Conhecimento e Inovação (ver box).

Como é, porém, inevitável em qualquer iniciativa destinada à realização de negócios, essa 13ª edição da Analítica chega imersa no clima de incertezas e expectativas próprias da difícil situação da economia e da estrutura político-administrativa do país. “Mas a movimentação da Analítica é sempre satisfatória, e os retornos de visitantes e renovação de expositores de um ano para outro são grandes: isso demonstra que os resultados são alcançados, independentemente de seus prazos”, destaca Ligia Amorim, diretora-geral da NürnbergMesse Brasil, empresa organizadora do evento.

Ligia não arrisca previsões que quantifiquem os valores possivelmente movimentados nas negociações estabelecidas nessa nova edição da Analítica; também afirma não ser possível avaliar, ao menos nesse momento, os impactos da atual situação política e econômica do país nos setores aos quais se destina o encontro. “Todos os dias temos fatos novos que podem ou não gerar consequências em todos os níveis”, ressalta.

Química e Derivados, Lígia espera mais de 9 mil visitantes para a exposição
Lígia espera mais de 9 mil visitantes para a exposição

Ivan Jonaitis, gerente de vendas da área de Life Science da Agilent – empresa que este ano completa cinco décadas de produção de instrumentos e equipamentos laboratoriais –, considera “difícil” projetar crescimento, no decorrer deste ano, no Brasil, nos negócios realizados nesse mercado de laboratórios, controle de qualidade e análises.

A Agilent, adianta Jonaitis, nessa Analítica, apresentará o recém-lançado cromatógrafo líquido 1290 Infinity 2. Segundo informou, esse equipamento atende a atual demanda dos laboratórios por eficiência e produtividade, pois enquanto cromatógrafos comuns têm capacidade para analisar no máximo 100 ou 110 amostras, ele eleva tal número para 432 (podendo chegar, com o uso de bandejas do tipo ‘micropratos’, até a 6 mil amostras). Também tem duas agulhas de injeção de amostras, em vez de uma. “Tais características permitem que o equipamento possa seguir realizando análises mesmo em finais de semana ou no período noturno, pois ele depende menos de um operador para colocar novas amostras”, ressalta Jonaitis.

Química e Derivados, Jonaitis: novo cromatógrafo lida sozinho com 432 amostras
Jonaitis: novo cromatógrafo lida sozinho com 432 amostras

Também será exposto pela Agilent o espectromêtro de emissão ótica ICP OES 5100. “Relativamente às versões anteriores, ele tem dimensões menores, ocupa menor espaço de bancada, são diferenciais interessantes, na medida em que o espaço é um requisito valioso em laboratórios”, diz Cíntia Matuyama, gerente de recursos técnicos e do Centro de Excelência da empresa. “Além disso, é um equipamento extremamente veloz e proporciona economia de até 50% em argônio”, acrescenta.

Diversas novidades poderão ser vistas no estande montado pela Thermo Scientific nessa Analítica. Algumas delas: o NanoDrop One, espectrofotômetro UV-Vis de microvolume para avaliação de amostras de ácido nucleico e proteínas, com interface touch screen; Nicolet iN10, microssonda FT-IR autônoma que não requer acoplamento a espectrômetro; o Gemini, anunciado como “primeiro e único analisador portátil no mundo que integra as técnicas Raman e FTIR”, com o qual é possível identificar de maneira precisa ampla gama de compostos químicos sólidos e líquidos, como explosivos e químicos industriais.
Também serão exibidos pela empresa produtos, como o Quant´X, espectrômetro de fluorescência de raios-X por energia dispersiva, técnica que, pelas informações da empresa, dispensa preparos longos de amostra, como a digestão, preservando-a. Ou ainda, um espectrômetro de massa Prima BT, equipamento de bancada de alta precisão, flexibilidade e confiabilidade, desenvolvido para análise de gases por escaneamento por setor magnético, possuindo amostrador multipontos.

Química e Derivados, Cintia: emissão óptica tem opção de tamanho compacto
Cintia: emissão óptica tem opção de tamanho compacto

A Thermo Fisher, afirma Roberto Mendes, presidente da empresa na América Latina, vem investindo agressivamente no mercado nacional de laboratórios, para o qual inaugurou em agosto, em São Paulo, seu CEC – Customer Experience Center. “Esse novo centro apoia a expansão de nossa base de clientes na América Latina, oferecendo oportunidades de treinamento, demonstração de tecnologia e suporte de aplicações para uma variedade de clientes de laboratórios, incluindo as áreas de saúde, farmacêutica, biofarmacêutica, pesquisa e governamentais, e apoiará também outras áreas como segurança alimentar, monitoramento ambiental, e óleo e gás”, enfatiza.

Já o grupo Vidy montará no evento um laboratório no qual os visitantes poderão realizar análises utilizando equipamentos como cromatógrafos e espectrômetros de absorção atômica. A instalação será composta de bancadas da linha Vidy-Flex, cuja concepção vincula as necessidades técnicas à ergonomia dos usuários. “Essas bancadas podem ser facilmente reguladas, seja na altura, seja na infraestrutura de instalações elétricas e de gases especiais, para permitir ao profissional atuar confortavelmente, sempre atendendo à dinâmica das necessidades diárias”, relata Sergio Henri Stauffenegger, diretor-presidente do Grupo Vidy.

O grupo mostrará ainda uma concepção diferenciada de disposição das instalações elétricas, hidráulicas e de gases, normalmente embutidas nas paredes ou percorrendo o piso. Na mostra, tais instalações estarão integradas a um teto do qual descem através de shafts verticais. “Assim elas podem ser facilmente adequadas, sem necessidade de obras, a uma nova experiência, ou à necessidade de uma nova rede elétrica estabilizada, ou de um sistema para um novo gás”, explica Stauffenegger.

Presente na Analítica mediante a divisão Bioscience, a Lonza privilegiará a exibição de seus kits para detecção de endotoxinas bacterianas – cujo controle é obrigatório para produtos que entram em contato direto com a corrente sanguínea –, nos quais há todos os itens necessários a esse procedimento, dos reagentes e acessórios à assessoria técnica, passando por equipamento de leitura e softwares de análise.

Química e Derivados, Cláudia: software mais prático para detecção de endotoxinas
Cláudia: software mais prático para detecção de endotoxinas

A Lonza apresentará um portal de suporte no qual os profissionais dedicados a esse gênero de controle dispõem de três ferramentas: a primeira, dedicada a suporte em temas como software, serviços de requalificação e de teste, otimização do fluxo de trabalho, entre outros; a segunda, oferecendo conteúdo para qualificação e treinamento, e a última com uma biblioteca virtual com informações e conteúdos referentes a controle de endotoxinas. “Também mostraremos a mais recente versão de nosso software de análise de detecção de endotoxinas (o WinKQCL5): ele traz ferramentas que tornam mais práticos e mais rápidos o acesso e manuseio das informações”, diz Cláudia Pradi, gerente de negócio da divisão Bioscience da Lonza.

Na Laborglas, as novidades incluem frascos de um litro, tipo premium, para utilização em processos de despirogenização (cujo objetivo é reduzir os níveis de pirogênios, e utilizado principalmente na esterilização de frascos para enchimento asséptico). Essa empresa exporá ainda frascos gravados em várias cores, além da tradicional branca; mais exatamente, em azul, verde, amarelo, vermelho, âmbar e laranja. “A gravação em cores distintas possibilita a padronização de elementos de vidro para que eles possam ser empregados de forma dedicada em processos ou departamentos de um laboratório”, observa Gilmar de Barros, consultor da Laborglas.

A Laborglas divulgará seu ingresso no mercado de equipamentos, com uma linha própria, composta por itens como fornos e estufas, e destacará a inserção, em seu portfólio de consumíveis para microbiologia da marca Biologix, na qual aparecem artigos como pipetas Pasteur, placas de Petri, ponteiras, tubos tipo Falcon, entre outros.

E a distribuidora Interlab levará ao evento os novos produtos de sua linha Inlab (produzida por uma operação integrante do mesmo grupo empresarial); entre eles, bolsas maiores – com capacidade para 8 litros –, e uma linha completa de bolsas especiais, em vários volumes, para coletas de amostras que não podem ser impactadas por luz. “A indústria farmacêutica é um setor onde há necessidade de bolsas para produtos que não podem receber luz”, exemplifica Franco Giorgi, diretor comercial da Interlab.Circunstâncias complexas – Distribuidora de diversas marcas, entre eles a tradicional marca norte-americana Difco, de produtos para microbiologia, a Interlab também aproveitará essa Analítica para divulgar mais intensamente o ingresso da marca Inlab no segmento dos produtos químicos, com uma linha na qual inclui reagentes analíticos, corantes, enzimas, aminoácidos, vitaminas, sais, ácidos, proteínas, açúcares, entre outros.

O ingresso nesse segmento, justifica Franco, busca aproveitar a oportunidade aberta pela crescente preocupação com os custos arcados pelos usuários desses produtos, com a consequente diminuição da fidelidade aos fornecedores tradicionais, e com uma busca mais agressiva por opções capazes de oferecer a mesma qualidade por preço menor. “Além disso, o mercado de químicos trabalha com volumes maiores, e tem quantidade imensa de produtos”, complementa.

Este ano, relata Franco, os clientes do mercado no qual atua a Interlab estão trabalhando com uma estratégia de compras mais fracionadas e evitam fazer estoques, exigindo assim enorme agilidade de quem pretende atender suas demandas. E complica ainda mais essa conjuntura a elevada valorização do dólar, base de cálculo dos preços de muitos dos produtos e insumos do setor: “Já há quem venda seus produtos com os preços cotados na moeda norte-americana, convertendo-os em reais apenas no momento da fatura”, conta Franco.

Química e Derivados, Bancada da Vidy permite ajustes para dar conforto aos analistas
Bancada da Vidy permite ajustes para dar conforto aos analistas

Barros, da Laborglas, também mostra preocupação com o encarecimento do dólar. “Nesse momento, o mercado se encontra em repressão de demanda, e acredito que deverá se retrair ainda mais, pois grande parte de nossa matéria-prima – inclusive os vidros – é importada, e a alta depreciação do real perante moedas fortes se refletirá nos preços finais e consequentemente na demanda”, prevê. No decorrer deste ano, complementa Barros, o mercado dos produtos para laboratórios mostra um comportamento “bastante instável”, com alguns períodos um pouco mais aquecidos e outros com baixa movimentação.

E Cláudia lembra que a divisão da Lonza na qual ela atua (Bioscience), é bastante dependente das verbas governamentais aos órgãos de fomento à pesquisa e universidades, que este ano vêm sendo reduzidas. Já a indústria farmacêutica – principal mercado de seus kits para detecção de endotoxinas –, também vive um momento de retração e investe menos em testes adicionais, restringindo-se aos obrigatórios. “Somando tudo isso podemos dizer que este é um ano no qual os negócios estão bastante contidos”, avalia Cláudia.

Também a conjuntura específica da atividade petroquímica impacta negativamente os negócios desse setor: “Essa indústria representa cerca de 30% do mercado brasileiro de laboratórios, e está sendo afetada pelos problemas da Petrobras”, observa Stauffenegger, do grupo Vidy. O restante do mercado, ele prossegue, apesar da atual crise econômica se mantém em atividade, em setores como indústrias alimentícia, farmacêutica e de cosméticos, na mineração – embora nesse caso em escala inferior àquela existente antes –, e mesmo na atividade de pesquisa e educação. “Mas, até por 2014 ter sido um ano fraco, nossa empresa deverá este ano registrar um crescimento de aproximadamente 5%”, projeta Stauffenegger.

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