Meio Ambiente: Nanofiltração garante remoção de contaminantes

Nanofiltração nacional garante remoção de contaminantes complicados

O núcleo de inovação tecnológica da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo-SP, por meio de pesquisa de alunos de mestrado e doutorado de Química, desenvolveu uma membrana com materiais nanofiltrantes que provou ser eficiente na remoção de contaminantes complicados de serem removidos da água.

A tecnologia empregou duas nanoestruturas, uma com sílica, óxido de zircônio e nanopartículas de carbono e outra com sílica, óxido de titânio e nanopartículas de carbono com nitrogênio.

A combinação das duas, explica o professor Thiago Canevari, orientador da pesquisa, criou uma nanoestrutura que foi depositada em suportes de poliamida e/ou de polieterssulfona (PES).

A partir daí, os estudos com as membranas, conduzidos com água de torneira contaminada com bisfenol A e efluentes com corantes, que passam pelas nanoestruturas para o tratamento em sistema de filtragem teste, mostraram eficiência de retenção de até 95% dos contaminantes.

No caso do primeiro contaminante, o bisfenol A, trata-se de substância presente no policarbonato, polímero com propriedades de alta transparência e resistências térmica e mecânica, utilizado, por exemplo, na fabricação de mamadeiras infantis ou garrafões retornáveis de água mineral.

O contaminante também está presente em vernizes epóxi empregados em revestimentos de embalagens metálicas de alimentos.

O bisfenol A figura entre os principais disruptores endócrinos, com alto risco à saúde humana.

O outro teste aprovado da membrana foi para remoção de corantes, principalmente o azul de metileno e o alaranjado de metila.

A eficácia das estruturas, cujos poros estão em escala nanométrica (10 a 30 nanômetros), torna o sistema criado pelo Mackenzie ideal também para aplicação em nanofiltros para tratamento dos efluentes da indústria têxtil, aponta Canevari.

A tecnologia, que inclui a tencologia de síntese dos nanomateriais, feitos em laboratório a partir de seus precursores, já teve a solicitação de patente.

No momento, explica o professor, a equipe de pesquisadores trabalha para criar um protótipo de filtro, ainda a ser definido, mas que deve resultar em um sistema de cartucho, com meta de depósito de nova patente.

Além da retenção dos dois contaminantes, a aposta é que a solução com os nanofiltros se estenda para vários outros tipos de substâncias.

Com o cobre, o teste inicial obteve retenção de 50%. “Isso já é muito relevante”, diz. E, ainda segundo Canevari, já começam a ser estudadas nanopartículas de prata e paládio, com características bactericidas, para remoção de vírus e outros microorganismos patogênicos.

De acordo com Canevari, as nanomembranas contendo nanopartículas, de forma geral, prometem se mostrar eficientes para remover várias substâncias nocivas presentes na água, cujos tratamentos atuais não têm capacidade.

Meio Ambiente: Nanofiltração nacional garante remoção de contaminantes complicados ©QD Foto: iStockPhoto
Canevari: membranas poderão remover substâncias perigosas

“As estações de tratamento de efluentes e água não possuem a capacidade de reter interferentes endócrinos, hormônios, pesticidas, devido ao pequeno tamanho dessas moléculas que passam através do sistema de filtração convencionais existente”, apontou.

As membranas filtrantes são porosas e contém as nanoestruturas híbridas à base de nanomateriais de carbono (ponto quântico de carbono), óxido de zircônio e sílica dispersos na superfície, nas quais os efluentes e águas contaminadas passam e interagem com as nanoestruturas. Nelas, as substâncias nocivas ficam aprisionadas.

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