Meio Ambiente – Leilão A-5 abre caminho para projetos de WTE

Incineração de resíduos sólidos urbanos vai gerar eletricidade

Mais projetos – Entre os projetos que estão cadastrados no leilão e com possibilidades aumentadas para se viabilizarem, há pelo menos três mais adiantados.

O mais antigo é a URE (Usina de Recuperação Energética) Barueri, da Orizon Valorização de Resíduos, com projeto para usina de 20 MW e que utilizará 875 t/dia de resíduos sólidos urbanos da região da cidade da Grande São Paulo.

Ele é o primeiro projeto de WTE estruturado no país e vem sendo adiado há mais de sete anos. Orçado em R$ 350 milhões, a causa apontada para os vários adiamentos foram, principalmente, a demora na licença ambiental (por ser o primeiro do gênero) e, com destaque, a obtenção de financiamento.

Com o leilão, as possibilidades aumentam, dada a agora maior “bancabilidade”.

Mas há outros projetos, estruturados por outros agentes.

Um com boas possibilidades de se viabilizar é do grupo Lara, proprietário de aterro em Mauá-SP e que pretende construir usina de 77 MW. Já com licença prévia, a URE Mauá foi pensada para receber 3 mil t/dia de resíduos, operando em três turnos.

Química e Derivados - Meio Ambiente - Incineração de resíduos sólidos urbanos vai gerar eletricidade ©QD Foto: Divulgação

O projeto é orçado em R$ 1 bilhão e visa receber lixo não apenas de regiões próximas, como o ABC paulista, mas também da Baixada Santista, de onde, por incrível que pareça, o aterro rebe hoje grande volume de resíduos.

Vários caminhões sobem a serra diariamente, percorrendo quase 100 quilômetros, para trazer lixo das cidades litorâneas, nas quais os aterros já colapsaram.

Aliás, também a Baixada Santista, por meio de consórcio de empresas privadas, denominado Valoriza Santos, está com projeto com boas perspectivas.

Lá a usina seria para 38 MW de potência, para processar 2 mil t/dia, que atenderia os municípios do litoral sul paulista.

Já a URE Mauá, considerada a de maior potência, tem previsão de ser instalada no terreno do Aterro Lara e deve também aproveitar o biogás presente no subsolo.

Pelo projeto, haverá no local capacidade para receber 12 caminhões de lixo ao mesmo tempo e também haverá etapa de separação mecânica e biológica, para compostagem de orgânicos.

Os resíduos, depois do pré-tratamento, seguirão para o incinerador, com seu calor sendo aproveitado por caldeiras para gerar vapor que acionará turbinas para geração de energia elétrica.

Um projeto também com licença de instalação, cadastrado no leilão, é da Ciclus Ambiental, no Rio de Janeiro.

A usina pretende incinerar 1,3 mil toneladas por dia e ter potência instalada de 30 MW.

O empreendimento está planejado para ser instalado na estação de transferência de resíduos no bairro do Caju, na capital fluminense, operado hoje pela Ciclus, concessionária que opera para a companhia de limpeza urbana, a Comlurb.

Atualmente a Ciclus é responsável pelo gerenciamento e disposição do lixo da região que inclui, além de cinco estações de transferência, uma central de tratamento de resíduos em aterro que conta com aproveitamento de biogás.

O projeto de WTE deve envolver R$ 500 milhões em investimentos.

Vale também citar o projeto anunciado pela companhia de saneamento paulista, a Sabesp, em acordo com a prefeitura de Diadema, da região metropolitana.

A ideia ali é erguer usina de recuperação energética de 15 MW de potência, capaz de processar 500 t/dia.

E há outro ainda em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, que foi divulgado pela concessionária de limpeza pública, a Mais Verde, que tem intenção de transformar 400 t/dia em combustíveis derivados de resíduos, os CDRs, para uso em processo de gaseificação (outra tecnologia promissora), o qual gera gás para alimentar uma turbina e gerar eletricidade com potência de 10 MW.

Só ideologia – Caso tudo ocorra dentro do esperado e o leilão contrate uma potência considerável, a América Latina será a última das regiões do mundo a adotar a tecnologia de recuperação energética dos resíduos sólidos urbanos, já que nenhum país da região tem usinas WTE.

Na opinião dos agentes do setor, a região até agora não aderiu à solução por conta da forte pressão ideológica contra a incineração.

Há sempre argumentações, principalmente, de que a combustão do lixo acabaria com o sustento de catadores e recicladores desses países.

Mas os dados de países nos quais a solução já é adotada há muitos anos desmentem esses argumentos.

Os índices de reciclagem dos países são diretamente proporcionais aos percentuais de uso de recuperação energética de resíduos.

Quanto mais usinas de WTE, mais se recicla, dada a separação dos recicláveis que ocorre antes do envio dos resíduos para as fornalhas.

“Onde há planta de recuperação, a reciclagem aumenta e também a sociedade do local muda completamente, porque as pessoas passam a se preocupar com o que acontece com o resíduo”, disse Antonio Bolognesi.

A União Europeia é um exemplo. Em 2010, seus 28 países-membros tinham média de reciclagem do lixo de 39% e de 23% de recuperação energética (WTE), mais 38% de aterros.

Em 2018, com o aumento do WTE para 29%, a reciclagem subiu para 48% e o envio para aterros, com dias contados na Europa, caiu para 23%.

Um exemplo que o Brasil tem a oportunidade agora de começar a seguir.

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