Meio Ambiente – Famosa no RJ, geosmina pode ser controlada

H2O2 e CuSO4 – Para combater no ambiente e evitar a floração, são utilizados como algicidas o peróxido de hidrogênio ou o sulfato de cobre, injetados diretamente na água com auxílio de barcos. “A escolha por um ou outro depende do tipo de cianobactéria a ser atacada, a se guiar pela sensibilidade que o gênero específico de bactéria tem”, explicou.

Segundo ela, com os testes é possível saber quais das áreas monitoradas precisam de intervenções, por ter potencial de floração de algas com tendência de emitir os compostos. De forma geral, em 2019, a média mensal de aplicação envolveu 282 toneladas de peróxido de hidrogênio e 67 toneladas de sulfato de cobre.

As intervenções evitam que a água no ponto de captação dos reservatórios esteja contaminada com a geosmina e MIB. A legislação exige que esses químicos seja lançados a uma distância mínima de 500 metros do ponto de captação, mas Mara Ramos informou que os pontos de injeção desses produtos são todos mais distantes do que o exigido e, por conta dos estudos anteriores, não afetam o ecossistema local. Apenas na Guarapiranga, nove pontos são constantemente monitorados.

Sem boom de algas – Com as intervenções diretas nos mananciais, a Sabesp passou a não registrar mais eventos de boom de geosmina e MIB nas estações de tratamento, segundo afirmou o gerente de departamento de tratamento de água, André Gois. “Há pelo menos sete anos não precisamos intervir na água logo após a captação”, disse.

Caso, porém, seja detectada a presença dos compostos, a Sabesp mantém um estoque estratégico de 400 toneladas de carvão ativado, o produto empregado no ponto de sucção da bomba para adsorver os compostos dissolvidos na água, entre eles a geosmina e o MIB. “Apenas na Guarapiranga temos um estoque de 200 toneladas, mas não temos mais precisado dele depois que a equipe de recursos hídricos passou a adotar as intervenções na represa”, disse. A outra grande parte do estoque fica no ponto de captação do Rio Grande e a menor parte em Taiaçupeba, em Suzano-SP, no Alto Tietê.

Na eventualidade de ocorrer excesso de algas, que deixa a água do reservatório esverdeada, o carvão ativado dosado faz com que, durante o trajeto de 40 minutos da água captada até a ETA, grande parte da geosmina e do MIB tenham sido adsorvidos. “E o que falta para a remoção é eliminado com a obrigatoriedade de pré-oxidação com cloro”, explicou. Segundo Gois, ainda depois da pré-oxidação, há também arraste dos contaminantes na etapa de floculação-coagulação, que ficam no decantador.

Antes das intervenções nos reservatórios, havia ocorrências de geosmina na água de abastecimento. “Mesmo com o tratamento nas estações, era muito difícil remover os compostos, por isso que é fundamental evitar a formação das algas”, disse.

Segundo a gerente Mara Ramos, porém, a última grande floração de algas com cianobactérias no manancial foi em 2002. “Se não fosse o manejo, no verão teríamos crescimento explosivo de algas a cada trinta dias e água da represa ficaria sempre verde”, completou Gois. Para ele, além das dosagens dos químicos, o sucesso tem a ver com o grande conhecimento acumulado com anos de monitoramento frequente do manancial.



Pior do que a geosmina – Apesar de o odor e o gosto serem o principal parâmetro da população para qualificar a água, sem dúvida eles não podem ser as principais referências. Além da presença da geosmina e do MIB não representar toxicidade, por outro lado, só para ficar em um exemplo, o gosto de cloro prova que a água é segura, pelo menos no que diz respeito à contaminação biológica.

Do mesmo modo, uma água cristalina e insípida, de um poço artesiano ou até de uma rede de abastecimento, muitas vezes esconde uma série de perigos para a saúde humana. Na verdade, trata-se aí de uma certeza científica, já que há nos corpos d´água do Brasil e do mundo uma infinidade de microcontaminantes, principalmente de origem de fármacos, hormônios naturais e seus subprodutos, consumidos e excretados pela população, além de várias substâncias químicas industriais, desde metais até alguns herbicidas, fungicidas e inseticidas utilizados na agricultura. Todas essas fontes de contaminação seguem para os mananciais mesmo com esgotos tratados como nos não-tratados, estes mais comuns no Brasil.

Esses mananciais com microcontaminantes servem de reservatórios para captação e tratamento de água potável, cujas tecnologias empregadas não são suficientes para remover os micropoluentes. O resultado final é uma água clara, clorada, mas com várias substâncias, como os chamados desreguladores endócrinos – metais, plastificantes, antibióticos, hormônios como o etinilestradiol contido em pílulas anticoncepcionais e outros – que têm poder de alterar não só a fauna como, segundo alguns estudos supõem, de causar a longo prazo câncer, infertilidade e distúrbio em fetos em humanos.

Ao alterar o sistema endócrino, estas substâncias já foram comprovadas como causadoras de alterações na fauna aquática, morfológicas e sexuais, como feminização de machos e esterilidade ou queda na produção de esperma. A alta presença de antibióticos na água, por exemplo, também tem sido apontada como causa de resistência a estes fármacos por parte de bactérias patogênicas e também indutoras de genotoxicidade (alteração genética).

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