Meio Ambiente (água, ar e solo)

Meio Ambiente – Famosa no RJ, geosmina pode ser controlada

Marcelo Furtado
1 de maio de 2020
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    Química e Derivados - Sabesp usa barco para lançar algicidas na represa de Guarapiranga, em São Paulo

    Sabesp usa barco para lançar algicidas na represa de Guarapiranga, em São Paulo

    Famosa por contaminar água no RJ, geosmina pode ser controlada

    Algumas especificidades técnicas do tratamento de água ganharam evidência no começo do ano quando os moradores do Rio de Janeiro começaram a sentir na água abastecida pela companhia estadual, a Cedae, um gosto e odor intragáveis de terra. Além de causar manchetes de jornal, a quase impossibilidade de consumo da água pública e o aumento explosivo de vendas de água mineral, o cenário fez a população passar a conviver com palavras antes reservadas aos técnicos do setor.

    A principal novidade para o vocabulário popular foi a geosmina, composto orgânico responsável pelo excessivo gosto de terra na água fluminense. Trata-se aí – como grande parte da população passou a saber – de subproduto da floração das algas azuis em sistemas reservatórios, cujas cianobactérias presentes geram não só as geosminas (C12H22O) como o composto 2-metilisoborneol, o MIB (C11H20O), ambos causadores do gosto estranho à água, que também pode ser comparável a mofo ou a gramíneas.

    Menos ruim foi saber que os compostos não são tóxicos e, na verdade, se encontram naturalmente em vários vegetais, como na batata ou na cenoura. Mas, para a população, essa explicação tinha efeito praticamente nulo, já que a experiência sensorial estranha e distante da referência, que no caso da água é ser insípida ou próxima disso, provoca rejeição imediata no consumo e muita preocupação.

    Atacar a fonte – A preocupação provocada na população por conta do efeito sensorial, aliás, faz todo sentido, visto que a presença dos compostos, mesmo sem serem tóxicos, revela que os reservatórios não estão sendo bem cuidados. Para formar a geosmina e o MIB em demasia, os corpos d´água, além de uma série de condições ambientais, como insolação, temperatura e fluxo hídrico, precisam conter poluentes, que servem como nutrientes para a floração das algas.

    Química e Derivados - Mara: protocolo de controle de algas evita contaminação

    Mara: protocolo de controle de algas evita contaminação

    A experiência da companhia paulista de saneamento, a Sabesp, é importante para entender o mecanismo de contaminação da água por esses compostos e a forma de controlá-los. Com dois de seus grandes seis reservatórios em áreas urbanas vulneráveis – Guarapiranga e Rio Grande –, a empresa esteve sempre às voltas com o problema, mas há mais de uma década conseguiu mantê-lo sob controle, aplicando um protocolo de ações bem-sucedido para evitar a contaminação em suas estações de tratamento de água.

    A estratégia da Sabesp tem como base central de controle ações diretas nos mananciais, no caso das duas represas citadas, como explica a gerente de departamento de recursos hídricos, Mara Ramos. De acordo com ela, o manejo em campo inclui, para começar, o acompanhamento semanal de pontos vulneráveis para floração demasiada das algas, com coleta de amostras e análises laboratoriais que indicam se o manancial está com as condições para proliferação das cianobactérias.

    Nas duas represas vulneráveis, explica Mara, é muito difícil prever sem monitoramento detalhado e frequente se haverá floração ou não. De forma geral, além do fato de esses dois reservatórios serem urbanos e, portanto, sujeitos a poluição difusa, esgoto clandestino, detergentes e defensivos agrícolas, há na sequência o aspecto sazonal. “No verão é mais comum ter floração em demasia, por conta da insolação mais frequente, mas fazemos o monitoramento o ano todo, entre uma a até três vezes por semana”, disse.

    Os testes frequentes permitem concluir quais pontos monitorados nas represas, cuja água será posteriormente captada para tratamento, estão com as condições favoráveis para formação das algas. “Quando está propício para a floração, uma junção de fatores, que inclui por exemplo temperatura, insolação, fluxo hídrico, entre outras variáveis, é realizado manejo no manancial com produto químico”, disse a gerente.

    De acordo com Mara Ramos, com as amostras são realizadas análises qualitativia e quantitativa de cianobactérias e também avaliadas a concentração de cianotoxinas, de geosmina e MIB.



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