Meio Ambiente (água, ar e solo)

Meio Ambiente – Crescem os cuidados com gestão de energia

Marcelo Furtado
16 de dezembro de 2020
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    Segundo Rocha, a inteligência dos projetos, com a engenharia e os modelos hidráulicos, é feita pela própria Aegea e apenas a execução é contratada com terceiros. Outra frente em desenvolvimento com empresas da área é a de contratos de desempenho, pelos quais o pagamento aos fornecedores se concretiza com os ganhos obtidos nos projetos. Embora ainda seja uma parte menor dos projetos de eficiência nas concessões do grupo, a tendência é de aumento desse tipo de modelo de contratação, muito comum no mercado de empresas prestadoras de serviços de conservação de energia.

    Entre as ações implementadas, na concessão da Aegea em Piracicaba-SP, no tratamento de esgoto, foi adotado um sistema de aeração inovador com sopradores a parafuso (no lugar de bombas a lóbulo), cuja operação é automatizada por inversores de frequência e inteligência artificial, que reduziu o consumo de energia em até 30%. Também foi implementado um sistema de captação subterrânea de poços, com novo sistema de bombeamento, de origem espanhola, com resultado de redução de 20% no consumo em Matão-SP e em Campo Grande-MS.

    Química e Derivados - Crescem os cuidados com gestão de energia no saneamento básico - Meio Ambiente ©QD Foto: Divulgação

    ETE da Agea em Piracicaba adotou aeração inovadora

    Biogás – Uma oportunidade de eficientização que existe no mercado de saneamento, a geração de energia por biogás gerado no tratamento de efluentes, não é possível na Aegea por conta da tecnologia mais empregada em suas ETEs. A maioria das estações opera por meio de sistemas aeróbicos, sendo que o biogás é gerado em digestão anaeróbica.

    Mas há empresas, como a estatal paranaense Sanepar, nas quais o predomínio do uso de digestores anaeróbicos em suas estações favorece muito o aproveitamento. Não à toa, a companhia tem em andamento um contrato de financiamento de R$ 200 milhões com o banco alemão KfW para implantar projetos de aproveitamento do biogás em suas ETEs. A estatal entrou com contrapartida próxima de R$ 50 milhões.

    Pelo levantamento da Sanepar, há um potencial para gerar 54 GWh/ano de biogás em suas estações, que usam tratamento anaeróbico em sua maioria, gerando biogás como subproduto e que, quando não aproveitado para cogeração de energia, é queimado. O programa de financiamento alemão previa a adaptação inicial de dez estações por todo o estado.

    Antes da entrada do dinheiro alemão, a Sanepar já tinha uma usina de microgeração de biogás na ETE Ouro Verde, de Foz do Iguaçu-PR, e também tem uma usina a biogás, a CSBioenergia, em sociedade de propósito específico com a Catallini Bioenergia, na ETE Belém, de Curitiba-PR, que utiliza biogás da codigestão de lodos e de resíduos orgânicos. A capacidade instalada é de 2,8 MW de potência, suficiente para gerar 22.440 MWh/ano.

    Outra estatal, a Sabesp, também tem planos com biogás. A empresa pretende aproveitar o lodo das ETEs e o biogás gerado em tratamento anaeróbico para gerar energia. A ideia é replicar o projeto já implementado na ETE Franca, em Franca-SP, em uma primeira fase na ETE Barueri.

    Em Franca, a partir de abril de 2018, cerca de 2.500 m3/dia de biogás gerado pela biodigestão do lodo é transformado em 1.500 m3/dia de biometano veicular, dos quais até 20% são para uso na frota da empresa. O plano é ampliar a geração e licitar um sistema de cogeração de energia, fornecendo também o biometano para empresas vizinhas.



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