Meio Ambiente (água, ar e solo)

Meio Ambiente – Crescem os cuidados com gestão de energia

Marcelo Furtado
16 de dezembro de 2020
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    Mercado livre – A opção pela geração distribuída, para os operadores, é uma frente de atuação para diminuir os gastos com a conta de energia nas unidades consumidoras de baixa tensão, que embora sej maior em número de locais, em consumo de eletricidade representam a menor parcela do custo operacional. O maior consumo está nas unidades consumidoras de média (principalmente) e alta tensão, onde estão conectadas estações elevatórias, de captação ou de tratamento de esgoto.

    A estratégia que está sendo utilizada, e de maneira muito intensa nos últimos anos, para diminuir os gastos nessas unidades de alto consumo, é a migração para o mercado livre de energia, ambiente em que o consumidor pode fazer contratos bilaterais com geradores ou comercializadores de energia, em acordos de médio ou longo prazo. Nesse ambiente, que está em fase de crescimento por conta da liberação gradual que está sendo feita pela agência regulamentadora, a Aneel, para todas as classes de consumo, o consumidor consegue reduzir os custos com energia em uma faixa de 20% a até 35%.

    Para se ter uma ideia de como a estratégia tem sido levada a sério, as empresas de saneamento foram responsáveis no último ano pela maior migração de cargas para o mercado livre entre todos os setores, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Em julho de 2020, o setor contabilizava 324 unidades consumidoras habilitadas para negociar no mercado livre, um acréscimo de 75% em comparação com o mesmo mês de 2019.

    Na Iguá Saneamento, por exemplo, segundo Murillo Borges, 68% do consumo total do grupo – consome em torno de 100 GWh/ano – está no mercado livre. Embora as unidades consumidoras aptas para a migração sejam por volta de 30 das 600 da concessionária, são elas que concentram o grande volume de consumo, estações elevatórias e de captação. De acordo com Borges, há ainda espaço para ampliar a migração.

    A Aegea também tem meta agressiva de migração para o mercado livre, para diminuir a dependência das tarifas das distribuidoras de energia. Segundo Emerson Rocha, do consumo de 495 GWh/ano (em 2019), a meta da empresa, com a conclusão de algumas migrações em curso no momento, é ter 75% da energia contratada no mercado livre em 2021. “Também temos o foco de só contratar energia renovável, especialmente a eólica”, disse. Na média, diz Rocha, os ganhos com redução de custo estão entre 30% e 35%.

    A BRK Ambiental também segue o mesmo caminho. Com 80% do consumo em média e alta tensão, o grupo já migrou cem unidades consumidoras desde 2018 e está migrando mais cem. Segundo André Nogueira, dependendo do tipo de contrato firmado, alguns deles em longo prazo, é possível economizar até 25% com os gastos em energia, mas na média a economia é de 20%.

    Eficiência energética – Outra frente de atuação das empresas para racionalizar o uso da energia é mais tradicional, envolvendo projetos de eficiência energética nos ativos. A meta principal aí, no caso das concessionárias privadas, que herdam ativos envelhecidos das antigas concessões públicas, é diagnosticar os sistemas de bombeamento e criar planos de modernização, com retrofits, consertos ou mesmo trocas de bombas.

    Química e Derivados - Crescem os cuidados com gestão de energia no saneamento básico - Meio Ambiente ©QD Foto: Divulgação

    Borges: otimização do consumo faz parte de programa contínuo

    Na Iguá Saneamento, foi implementado a partir de janeiro de 2019 um grande programa de eficientização em seus ativos, com engenheiros de campo coordenados por empresa especializada e consultor de eficiência energética, que verificam as instalações atrás de oportunidades de otimização. Segundo explica o gerente de inovação, Murillo Borges, as oportunidades são desde simples trocas de bombas até reengenharia de sistemas, para refazer o conjunto. “Isso é um programa contínuo, que inclui o lado técnico e gerencial, com programas de mudança de mentalidade dos colaboradores”, disse.

    Entre os projetos criados com esse programa, a Iguá iniciou a troca de todo o bombeamento da principal ETA de sua concessão em Cuiabá-MT, com substituição de motores e bombas e reengenharia do barrilete de distribuição de água para aumentar a eficiência das bombas.

    Também em Arapiraca-AL, onde a Iguá tem PPP com a companhia de saneamento Casal, estão sendo revestidas com cerâmica internamente as bombas de alta potência para diminuir o atrito e assim reduzir o consumo energético da operação. Em Paranaguá-PR, foi testado um sistema termodinâmico de determinação de eficiência de bombas, que faz análise do conjunto de motobomba e orienta medidas para melhoria operacional-energética do sistema.

    A BRK também tem especial atenção sobre o bombeamento, já que a maior parte de suas mais de duas mil bombas em operação, segundo o gerente André Nogueira, foram herdadas das antigas operações estatais, quando a manutenção não era das melhores. Conforme disse, um exemplo de ação para melhoria ocorre em Sumaré-SP, onde foi feito estudo inicial para medir o desempenho das bombas, com empresas especializadas parceiras, para verificar causas de consumo acima da média e baixo desempenho. A ideia é replicar ações desse tipo por todo o país. A BRK consome em média 260 GWh por ano.

    Por sua vez, a Aegea tem um programa de eficiência energética para bombas dividido em três frentes: monitoramento de rendimento hidroenergético, diagnóstico e auditoria. Segundo Emerson Rocha, as três frentes se conversam para, mediante estudos e acompanhamento contínuo da operação, criar planos anuais de eficientização com as oportunidades encontradas no bombeamento, responsável por 85% do consumo do grupo.

    Parte importante desse trabalho, ressalta Rocha, é realizado por equipe dentro do departamento de engenharia que usa sistemas e modulagem computacional hidráulica. Por meio dos sistemas, é possível simular alternativas operacionais, que envolvem troca de equipamentos ou não, para subsidiar projetos importantes de adutoras de água, novos pontos de bombeamento, redimensionamento, aplicação de inversores de frequência, automação, ou seja, uma série de ações executadas ao longo do ano.



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